São Paulo confirma 14º caso de sarampo em 2026 e liga alerta máximo para surto ativo
Foto:Marcelo Camargo/ Agência Brasil
Bebê não vacinado de menos de um ano é a vítima mais recente na capital; especialistas apontam queda na cobertura vacinal e fluxo internacional pós-Copa do Mundo como fatores críticos para a reintrodução do vírus
O estado de São Paulo registrou o 14º caso confirmado de sarampo em 2026. A vítima mais recente é um bebê de menos de um ano, residente na capital, que não havia sido vacinado. O caso integra um surto ativo no estado que já contabiliza 11 ocorrências recentes, sendo nove na capital e duas em São Bernardo do Campo.
A confirmação laboratorial, realizada pelo Instituto Adolfo Lutz, identificou a circulação do genótipo D8, mesma linhagem predominante nas Américas. O cenário acende o alerta máximo das autoridades sanitárias, impulsionado pela combinação de baixa cobertura vacinal e aumento do fluxo internacional devido a grandes eventos recentes, como a Copa do Mundo FIFA 2026.
De acordo com a pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e doutora pela FMUSP, Elisabeth Fernandes, a situação exige resposta imediata da população e dos órgãos de saúde.
“O que vemos hoje não é apenas um risco teórico, mas uma transmissão ativa em áreas de intensa mobilidade urbana, ameaçando crianças que ainda não têm idade para completar o esquema vacinal básico. A vacinação não é apenas um ato de cuidado individual; é um pacto de sobrevivência coletiva. Quando negligenciamos a imunização, abrimos brechas para um vírus altamente contagioso que pode deixar sequelas graves e até ser fatal”, destaca a especialista.
Radiografia do risco e baixa cobertura
Para bloquear a transmissão do sarampo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estipula uma meta de 95% de cobertura vacinal.
No entanto, o cenário atual em São Paulo apresenta lacunas preocupantes: apenas 77,5% das crianças receberam a primeira dose, e somente 65,5% completaram o esquema com a segunda dose.
A Região das Américas registrou um salto de 234% nos casos em comparação ao ano anterior, e dados científicos apontam que 85% dos infectados eram indivíduos não vacinados.
Campanha de Multivacinação e Dose Zero
Para conter o avanço do patógeno, o Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde iniciam na próxima segunda-feira (3), uma Campanha de Multivacinação, com vigência até 1º de setembro.
A estratégia adota a vacinação indiscriminada para todas as pessoas de 6 meses a 59 anos residentes em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, com as seguintes diretrizes:
Bebês (6 a 11 meses): Devem receber a “Dose Zero”: proteção adicional obrigatória nestas cidades-alvo (que não substitui a rotina dos 12 e 15 meses).
Crianças (12 e 15 meses): Devem seguir o calendário de rotina (1ª dose da Tríplice Viral aos 12 meses e 2ª dose da Tetraviral aos 15 meses).
Pessoas de 5 a 29 anos: Devem comprovar duas doses no histórico.
Pessoas de 30 a 59 anos: Devem comprovar ao menos uma dose da vacina.
Profissionais de Saúde: Devem comprovar duas doses, independentemente da idade.
A vacina é segura, altamente eficaz e distribuída gratuitamente em todas as unidades básicas de saúde do SUS.
A orientação das autoridades é clara: verifique a caderneta de vacinação e procure o posto de saúde mais próximo.








