Mutirão de castração de cães e gatos em Itabira já soma 5 mil procedimentos desde 2021
Foto: Divulgação/ Ascom/PMI
É preciso ampliar o serviço para cães de rua e comunitários, não apenas os domiciliados
O mutirão de castração de cães e gatos continua em Itabira até 17 de abril. A ação acontece no estádio Israel Pinheiro (campo do Valério), no bairro Campestre, dentro da campanha Abril Laranja, mês de combate aos maus-tratos contra os animais.
Foram abertas 900 vagas, preenchidas por formulário online. O atendimento alcança tutores de toda a cidade e também comunidades rurais, como Carmo e Ipoema. Até o último sábado, 518 animais já haviam sido castrados. A expectativa é de realizar cerca de 100 procedimentos por dia até o encerramento dessa campanha.
Balanço da prefeitura
Desde 2021, o município soma quase 5 mil castrações gratuitas. Para o prefeito Marco Antônio Lage, o resultado mostra avanço na política pública de proteção animal.
“Estamos falando de uma política séria, que impacta diretamente na qualidade de vida da população e dos animais. Um avanço significativo que contribui para o controle populacional e para a redução de doenças”, disse.
A secretária de Meio Ambiente e Proteção Animal, Elaine Mendes, reforça que a castração é essencial para reduzir o abandono e melhorar a saúde dos animais.
“A castração é fundamental para o controle populacional, evitando o abandono e reduzindo o número de animais em situação de rua. Além disso, promove mais saúde e bem-estar desses animais, prevenindo doenças e melhorando a qualidade de vida”, afirmou.
A gerente de Vigilância em Saúde, Joyce Quaresma Novaes Santos, lembra que a medida também protege a população.
“O controle populacional de cães e gatos é importante para prevenir zoonoses e outros agravos à saúde. Ao investir na castração, o município protege a população e promove um ambiente mais seguro”, destacou.
Desafio dos animais de rua

Apesar dos avanços, o desafio é ampliar o serviço para animais comunitários e de rua. O problema está no pós-operatório.
É que não há política municipal que garanta quem cuide desses animais após a cirurgia. A solução seria criar um sistema de tutoria provisória, em que cidadãos ou organizações acolham temporariamente os animais até a recuperação, quando poderiam voltar às ruas sem riscos.
Outro ponto crítico é o abandono de cães e gatos nas rodovias. Em Itabira, a situação é grave em quase todas rodovias próximas da cidade, especialmente na que faz a ligação com Senhora do Carmo, em quase toda a extensão, mas principalmente próximo ao matadouro.
Além do sofrimento animal, o abandono em rodovias por ex-tutores irresponsáveis gera risco de atropelamentos e acidentes.
Abandono e política de resgate
O abandono de cães nas rodovias tem crescido em Itabira. O problema é visível especialmente na rodovia que liga Itabira ao distrito de Senhora do Carmo, sobretudo próximo ao matadouro, mas também em todas vias de acesso à cidade. Além do sofrimento animal, há risco de atropelamentos e acidentes.
O município ainda não possui uma política estruturada de resgate. A prefeitura afirma que não é recomendada a abertura de canil municipal, medida que em outras cidades enfrenta superlotação e custos elevados.
Mas há alternativas viáveis. Parcerias com ONGs e protetores independentes, programas de acolhimento temporário e campanhas permanentes de castração e guarda responsável podem oferecer respostas mais eficazes. Essas alternativas já são adotadas em outros municípios e mostram resultados positivos.
O mutirão atual comprova que é possível avançar, sobretudo no atendimento a cães tutelados, inscritos previamente. No entanto, para enfrentar o abandono e reduzir riscos à população, como ataques de cães de rua, é preciso ir além.
Para isso, a castração deve se tornar política permanente e não em períodos específicos. Além disso, não pode se limitar a animais domiciliados. Precisa alcançar também os que vivem nas ruas e os chamados comunitários.
Só assim será possível garantir saúde, bem-estar e segurança para todos, cães, gatos e moradores.








