Itabira sonha com ferrovia até Vespasiano, mas sem forte articulação pode se desmanchar no ar

Presidente da Câmara, Carlinhos Sacolão, reuniu-se em Brasília com o ministro Alexandre Silveira tratando do projeto

Fotos: Reprodução/
Instagram

Projeto aprovado pela ANTT e em análise no TCU é estratégico para o pós-mineração, mas sem articulação política e pressão institucional pode virar mais um sonho perdido

O presidente da Câmara Municipal de Itabira, Carlos Henrique “Carlinhos Sacolão” Silva Filho (Solidariedade), relatou na reunião legislativa de segunda-feira (1º) que esteve com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tratando do projeto do novo ramal ferroviário que ligará Itabira a Vespasiano.

O empreendimento, com cerca de 90 quilômetros de extensão, integra os investimentos adicionais previstos na renovação antecipada da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), administrada pela concessionária VLI Logística.

A VLI é controlada por um consórcio que tem a Vale como acionista decisiva.

Ou seja, embora formalmente o projeto esteja sob responsabilidade da VLI, na prática está tudo nas mãos da Vale, empresa que tem uma dívida histórica com Itabira, cidade que sustentou por décadas a balança comercial brasileira com a exportação de minério de ferro.

O novo trecho ferroviário foi incluído como contrapartida da concessionária pela antecipação da renovação da conceção ferroviária e já recebeu aprovação da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), encontrando-se agora em análise no Tribunal de Contas da União (TCU).

Imagem: Reprodução/Instagram/Carlinhos Sacolão

Segundo Carlinhos Sacolão, trata-se de um projeto que, se realizado, pode redesenhar o fluxo ferroviário da região, conectando diretamente Itabira à Região Metropolitana de Belo Horizonte por meio de uma moderna ferrovia.

E, ao mesmo tempo, servirá para desafogar o pesado tráfego da BR-262/381, rota saturada pelo intenso fluxo de caminhões pesados, muitos deles a serviço da mineradora Vale com as suas empreiteiras.

“É um assunto muito importante, que todos devemos abraçar com todas as nossas forças e contatos políticos”, enfatizou o vereador, convidando seus colegas de vereança a participar dessa empreitada, para tudo não se perder como inúmeros outros projetos que não viraram realidade

Itabira vive o crepúsculo da mineração e precisa criar alternativas

Itabira vive o crepúsculo da mineração, com quedas sucessivas de produção e de arrecadação de impostos e royalties. E mais do que nunca, tem pressa.

A cidade, que já gerou enormes “divisas” para a União, precisa agora buscar alternativas urgentes para diversificar sua economia e garantir sustentabilidade no pós-mineração.

Se concretizado, esse trecho ferroviário é de grande relevância para melhorar a logística da cidade.

“Todo empresário tem interesse de ir para a cidade desde que haja algo que atraia a indústria. Uma dessas condições é a ferrovia. É um frete mais em conta, compartilhado por várias empresas. Isso cria uma condição estratégica e pode viabilizar até um porto seco em Itabira”, afirmou.

Integracao rodovia-ferrovia

Além do novo ramal, é preciso ampliar os serviços da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), que já transportou cargas diversas no passado e chegou a operar um porto seco na antiga pera ferroviária da Esplanada da Estação.

A integração ferroviária é vista como passo fundamental para romper o isolamento logístico da cidade.

Outro gargalo é a rodovia estadual que liga Itabira à BR-381/262. A duplicação desse trecho é urgente e deveria ser em grande parte financiada pela Vale, principal usuária da via e responsável pelo desgaste causado pelo fluxo intenso de caminhões pesados.

Articulação

Sem dúvida, o novo ramal ferroviário Itabira–Vespasiano é uma oportunidade histórica.

Mas sem articulação política, pressão institucional junto à concessionária e cobrança firme da sociedade, pode se tornar apenas mais um sonho que, mesmo parecendo sólido, como diria Marx, se desmancha no ar.

Itabira precisa sair do isolamento. Melhorar a logística é passo decisivo para atrair indústrias, gerar empregos, impostos e preparar a cidade para o futuro, ainda com a mineração, e sobretudo para quando vier a exaustão inexorável de suas jazidas.

 

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