Técnico de radiologia é indiciado em Itabira por filmar pacientes nuas; Polícia Civil conclui investigação

Foto: Divulgação/
PCMG

Inquérito revela prática recorrente no país e está sob análise do Ministério Público para posterior encaminhamento à Justiça

Uma jovem de 28 anos denunciou à Polícia Civil de Minas Gerais, em 27 de novembro de 2025, um episódio ocorrido durante exame radiológico admissional. Ao observar o jaleco do técnico responsável, percebeu um celular oculto, posicionado de forma a registrar sua nudez.

O flagrante deu origem a uma investigação conduzida pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Itabira.

O caso se enquadra no artigo 216-B do Código Penal, que criminaliza a prática de “importunação sexual mediante registro não autorizado da intimidade”. A pena prevista é de detenção de seis meses a dois anos, além de multa.

O nome do acusado não foi divulgado pela Polícia Civil. O sigilo observa a Lei nº 13.869/2019 – Lei de Abuso de Autoridade, que restringe a exposição pública de investigados antes da condenação.

Com o inquérito concluído, nesta terça-feira (14), o caso foi encaminhado ao Ministério Público, que decidirá sobre a denúncia e o posterior envio à Justiça.

A clínica onde o técnico trabalhava também poderá ser alvo de apuração administrativa e eventual responsabilização civil.

Investigação

Depoimentos da vítima e de testemunhas foram colhidos pela Polícia Civil. A perícia digital analisou o aparelho apreendido e encontrou vídeos que mostravam o técnico de 46 anos preparando o equipamento para a filmagem ilícita antes da entrada da paciente.

Os peritos identificaram ainda diversos arquivos na galeria do celular, revelando que a conduta era habitual. Pelo menos cinco mulheres foram vítimas. Os vídeos registravam momentos de exposição íntima em ambiente clínico, configurando violação grave da confiança depositada em profissionais de saúde.

Durante o depoimento, o técnico admitiu a prática. Alegou que gravava por “segurança pessoal”, justificativa considerada infundada pela Polícia Civil diante das provas coletadas.

Inviolabilidade da intimidade

O delegado João Martins Teixeira Barbosa, responsável pela condução do inquérito, enfatizou a gravidade do caso. Segundo ele, conduta apurada revela um profundo desrespeito à autodeterminação da imagem e à inviolabilidade da intimidade feminina.

Para ele, trata-se de uma quebra grave da confiança que deve existir na relação entre paciente e profissional de saúde.

“O conjunto de provas confirma o registro não autorizado da intimidade da vítima em contexto clínico. É um crime que fere não apenas a dignidade individual, mas também a credibilidade da prática médica e a segurança das mulheres em ambientes de saúde”, concluiu.

Casos semelhantes no Brasil

O episódio de Itabira não é isolado. Em uma rápida consulta, há registro de caso semelhante em Santa Catarina, em 2025, quando um médico clínico geral foi condenado a 8 anos de prisão por gravar pacientes nuas em hospital público.

Ele armazenava mais de 13 mil imagens e foi proibido de atuar no Sistema Único de Saúde. Além da pena, foi condenado a indenizar quatro pacientes em R$ 20 mil cada.

Em Fortaleza, Ceará, em 2023, mulheres denunciaram uma dona de clínica estética por gravar clientes nuas sem consentimento. As imagens foram expostas em perfis de redes sociais, ampliando a gravidade do crime e gerando repercussão nacional.

Esses casos reforçam que a prática criminosa de registrar pacientes sem autorização tem ocorrido em diferentes estados, exigindo maior fiscalização e punição exemplar.

Impacto social e institucional

O caso de Itabira e demais episódios revelam um padrão preocupante, que vem a ser a violação da intimidade em ambientes que deveriam garantir segurança e confiança, conforme salientou o delegado João Martins.

A gravação indevida da imagem das pacientes, mesmo que não tenha sido publicizada, abala a credibilidade das instituições de saúde.

E reforça a necessidade de fiscalização rigorosa de clínicas e hospitais, treinamento ético permanente para profissionais da área, apoio psicológico e jurídico às vítimas, com aplicação firme da lei, garantindo punição exemplar.

 

 

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