Queimadas deixam meio milhão de mineiros sem energia em 2025, informa a Cemig
A estiagem mal teve início e as queimadas já estão deteriorando a qualidade do ar em Itabira, como mostra este registro realizado nesta sexta-feira (29) pela manhã, no bairro Chapada dos Tanoeiros
Foto: Reprodução/ OIGB
No ano passado, incêndios em áreas de vegetação provocaram centenas de ocorrências no sistema elétrico da Cemig e afetaram hospitais, escolas e comércios em diversas regiões de Minas Gerais
As queimadas registradas em Minas Gerais no ano passado tiveram reflexos severos no fornecimento de energia elétrica.
A Cemig contabilizou 769 ocorrências em sua área de concessão, que resultaram na interrupção do serviço para 536 mil clientes em todo o estado.
A Região Leste foi uma das mais atingidas, com 114 episódios que deixaram mais de 105 mil consumidores sem luz.
O problema continua a se repetir neste ano. Entre janeiro e abril, foram registradas 36 ocorrências relacionadas a queimadas e incêndios florestais, que afetaram 12 mil clientes.
Novamente, na região leste os números continuam preocupantes, com registro nos primeiros meses de oito interrupções que já deixaram quase 7 mil unidades consumidoras sem energia elétrica.
Risco e crime

De acordo com o gerente do Centro de Operação da Distribuição da Cemig, Ramon Cavalini Furiati, provocar queimadas pode ser considerado crime, sujeito à prisão.
Ele alerta que as chamas podem destruir postes, cabos e torres, atrasando o restabelecimento do serviço e ampliando os transtornos para a população, provocando também prejuízos econômicos.
“Vários equipamentos podem ser danificados pelas chamas e isso torna o restabelecimento do serviço mais demorado, trazendo transtornos para os clientes”, salienta.
Além disso, a fumaça intensa agrava problemas respiratórios, especialmente em períodos de baixa umidade. “O volume alto de fumaça pode trazer sérios danos à saúde”, afirma.
Causas e prevenção
Como grande parte dos incêndios tem origem na ação humana, em seu comunicado a Cemig reforça que atitudes simples podem evitar tragédias.
Apagar restos de fogueiras em acampamentos, não descartar pontas de cigarro acesas em áreas rurais e no mato seco nas margens da rodovia, são algumas precauções a seguir.
Também não se deve deixar garrafas plásticas ou de vidro expostas ao sol são medidas fundamentais para evitar uma combustão espontânea.
A legislação também impõe restrições para o fogo controlado e autorizado. Por exemplo, queimadas não devem ocorrer a menos de 15 metros de rodovias, ferrovias ou linhas de transmissão.
E são proibidas em reservas ecológicas, áreas de preservação permanente e parques florestais.
Desafios e ações da Cemig

A companhia enfrenta dificuldades para reparar danos em locais de difícil acesso, sobretudo em áreas rurais.
O transporte de estruturas pesadas, como torres e postes, torna a manutenção mais complexa.
“Geralmente, são locais de difícil acesso e em áreas rurais muito amplas. Além disso, levar estruturas pesadas em áreas acidentadas torna ainda mais complexa a manutenção das redes danificadas pelas queimadas”, destaca Furiati.
Para reduzir riscos, a Cemig investe em ações preventivas, como limpeza de faixas de servidão (aceiros), poda de árvores e inspeções em linhas de transmissão.
O objetivo é mitigar os impactos das queimadas e garantir maior segurança no fornecimento de energia, preservando o funcionamento de serviços essenciais e a qualidade de vida da população mineira.
Denunciar é proteger
Mas todos podem e devem cooperar, não provocando queimadas e denunciando à Secretaria de Meio Ambiente, os piromaníacos que andam colocando fogo na vegetação seca.
A secretária municipal de Meio Ambiente Elaine Mendes faz um apelo à população. “Precisamos que cada cidadão seja um aliado nessa luta, denunciando, mesmo que de forma anônima, para que possamos identificar e punir os responsáveis. O silêncio só protege quem faz o mal, e o prejuízo recai sobre todos nós.”
Provocar incêndios em áreas de vegetação é crime ambiental, previsto na Lei Federal nº 9.605/1998, sujeito a multa e até prisão.
Denunciar é um ato de responsabilidade coletiva. Para isso, a população pode ligar para o 190 (Polícia Militar), 193 (Corpo de Bombeiros) ou para (31) 3839-2137 (Semapa).
Para que Itabira respire melhor, é preciso que todos façam sua parte, não realizando queimadas e denunciando os piromaníacos que ateiam fogo no mato seco.
Só assim eles podem ser identificados e penalizados, já que a maioria das ocorrências é criminosa.









