Plataformas confirmam autenticidade da foto de Flávio Bolsonaro com Sicário e afastam uso de inteligência artificial
Foto: Reprodução/ ICL Notícias
Imagem divulgada pelo ICL Notícias mostra o senador ao lado de Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”; análises técnicas de SIGNAIP e outros institutos descartam manipulação por IA, enquanto repercussões políticas se intensificam em meio à pré-campanha presidencial
A fotografia em que o senador Flávio Bolsonaro aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, divulgada pela jornalista Juliana Dal Piva, do ICL Notícias, publicada em 15 dejulho deste mês, teve sua autenticidade contestada pelo pré-candidato à presidência, mas análises técnicas descartam essa possibilidade.
Sicário foi encontrado morto em uma cela da Polícia Federal, em Belo Horizonte, em março deste ano, dois dias após ser preso na Operação Compliance Zero, que apura o escândalo do Banco Master, com o caso sendo tratado oficialmente como suicídio.
A imagem com o senador foi registrada em 2022 em um hotel na Zona Sul do Rio de Janeiro. E rapidamente se tornou um dos assuntos mais comentados da conjuntura pré-eleitoral.
Luiz Phillipi “Sicário” Machado de Moraes Mourão recebeu a alcunha justamente por sua atuação como braço armado de interesses privados do Banco Master.
Milicianos

Segundo investigações da Polícia Federal, ele integrava uma milícia ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, presidente do Banco Master, e era responsável por intimidação de adversários e proteção de negócios do grupo.
O apelido “sicário”, de origem espanhola, significa “assassino de aluguel” ou “executor contratado”. E passou a ser usado para designar Mourão em razão de sua função de segurança e suposta participação em ações violentas a serviço de Vorcaro.
A operação investiga um esquema de corrupção e intimidação ligado ao Banco Master, acusado de práticas ilícitas e lavagem de dinheiro.
Esse contexto explica por que a divulgação da fotografia com Flávio Bolsonaro ganhou tanta repercussão nacional.
Isso por expor, mais uma vez, o senador ao lado de uma figura associada a milícias e ao escândalo do Banco Master, o que trouxe à tona a discussão sobre vínculos políticos, financeiros e criminais do senador ainda em plena pré-campanha presidencial.
Senador mais uma vez nega vínculo e alega manipulação por IA
Após a divulgação, Flávio Bolsonaro afirmou não se lembrar do encontro e negou qualquer relação com Mourão.
Em transmissão ao vivo, disse que a foto havia sido manipulada por inteligência artificial, ironizando o “dedo mindinho de 20 centímetros” de Mourão como suposta evidência de adulteração.
A alegação, no entanto, foi rapidamente contestada por análises técnicas independentes, que apontaram não haver sinais de geração ou manipulação digital.
Plataformas afastam uso de inteligência artificial

A fotografia em que o senador Flávio Bolsonaro aparece ao lado de Luiz Phillipi “Sicário” Machado de Moraes Mourão foi submetida a uma bateria de verificações de autenticidade após o parlamentar afirmar que a imagem teria sido manipulada por inteligência artificial.
Uma das análises foi conduzida pela plataforma brasileira SIGNAIP, desenvolvida pela startup InspireIP, que atribuiu 0% de probabilidade de uso de IA.
O sistema destacou que a ausência de credenciais digitais como o padrão internacional C2PA ou registros em blockchain não significa manipulação, mas apenas que não é possível comprovar a origem do arquivo.

Além da SIGNAIP, outras ferramentas internacionais foram acionadas para avaliar a fotografia.
Detectores como Gemini, Hive Moderation, Sight Engine, Was It AI e Image Whisperer não encontraram qualquer sinal de geração artificial.
A checagem foi reforçada pelo uso da ferramenta InVID, amplamente utilizada por jornalistas para verificar a integridade de vídeos e imagens, que também não identificou indícios de montagem ou adulteração.
Combinadas, as checagens técnicas e a explicação da InspireIP reforçam a conclusão de que a fotografia não apresenta sinais de manipulação ou geração por inteligência artificial, contrariando a alegação feita pelo senador Flávio Bolsonaro.
De fato ou ficção
Segundo a fundadora da InspireIP, Caroline Nunes, responsável pela plataforma SIGNAIP, é comum haver confusão entre ausência de autenticação e uso de inteligência artificial, mas são análises distintas.
“Muita gente confunde ausência de autenticação com inteligência artificial, mas uma coisa não tem relação direta com a outra. São análises diferentes. Uma verifica se é possível comprovar a origem e a integridade de um arquivo. A outra busca evidências de geração ou manipulação por IA. No caso dessa fotografia, não encontramos indícios de uso de inteligência artificial”.
O caso evidencia a importância de distinguir entre ausência de autenticação digital e uso de IA, duas análises distintas que frequentemente se confundem no debate público.
No caso da foto de Flávio Bolsonaro com Mourão, todas as análises convergiram para a mesma conclusão: trata-se de uma imagem autêntica, sem indícios de manipulação digital.
Esse resultado não apenas contradiz a versão apresentada pelo senador, mas também insere o episódio no centro das discussões sobre desinformação e autenticidade digital em um momento de intensa disputa política.
A confiabilidade da SIGNAIP, homologada para uso do padrão C2PA e reconhecida internacionalmente, reforça o peso das conclusões técnicas diante de alegações que, até aqui, não encontram respaldo em evidências concretas.
Em síntese, a fotografia de Flávio Bolsonaro com Mourão é considerada autêntica por múltiplos institutos de verificação. A alegação de manipulação por inteligência artificial não encontra respaldo técnico.
Impacto político em meio à pré-campanha
A divulgação da foto gerou desgaste imediato na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
O episódio fortaleceu narrativas adversárias sobre supostos vínculos da família Bolsonaro com milícias e ampliou o debate sobre deepfakes, autenticidade digital e regulação da inteligência artificial no processo eleitoral brasileiro.
A repercussão foi intensa, tanto que as buscas pelo apelido “Sicário” cresceram mais de 1.300% no Google Trends após a publicação da reportagem, evidenciando o impacto público e a curiosidade em torno da figura de Mourão.
Além disso, o episódio se tornou um marco no debate sobre autenticidade digital e desinformação em plena conjuntura pré-eleitoral brasileira.
O episódio reforçou ainda mais o interesse público sobre sua trajetória e conexões, já que Mourão era considerado um elo entre o mundo político, o setor financeiro e grupos armados clandestinos.
É assim que a associação de sua imagem com Flávio Bolsonaro, mesmo que negada pelo senador, amplia as repercussões políticas e traz à tona debates sobre a relação entre figuras públicas e redes de poder paralelas.








