Outubro itabirano 2026 – Viva, viva, viva, Itabira!

Foto: Miguel Bréscia
Cristina Silveira

O Centenário da Cidade (09-10-1848), a Semana da Comunidade e o aniversário de nascimento do escritor Carlos Drummond de Andrade (31.10.1902), são as mais importantes notas do tempo de “Itabira, sempre Itabira”.

Outubro é data memorável gravada em nossas retinas intumescidas do magnético pó de ferro, da depredação ininterrupta e do estigma da “derrota incomparável”. Entretanto, o “ouro” de Itabira não exaure, dado que o alento, a perspectiva de futuro é o itabirismo que o romancista e pintor Cornélio Penna semeou em cada um de nós.

Nós, da Vila de Utopia nos sentimos estimuladas e animados a organizar a nossa homenagem à cidade de Itabira. Organizamos! Está pronta a nossa lembrança para “data tão querida”. A partir do dia primeiro de Outubro publicaremos Drummond, por meio de seus pseudônimos, “abreviaturas e siglas, bem como qualquer forma do nome do poeta que não seja a de sua assinatura literária usual, isto é, Carlos Drummond de Andrade” (Py).

Fernando Py (1935-2020), ao receber o Prêmio Maestro Guerra-Peixe de Cultura de 2011 (Foto: Acervo Pessoal)

Para pesquisar a obra de Carlos Drummond há um caminho preliminar, uma pesquisa pioneira, obra única e espetacular de Fernando Antônio Py de Mello e Silva, (1935-2020): “Bibliografia Comentada de Carlos Drummond de Andrade (1918-1930)”, primeira edição de 1980 e a segunda edição, revista e aumentada de 2002 (1918-1934), edições da Fundação Casa de Ruy Barbosa-Rio.

|No livro, Uma forma de saudade – Páginas de diário de Carlos Drummond de Andrade. Companhia da Letras, SP, 2017. No capítulo JOSÉ, dia 13-08-1968, p. 74, Drummond escreve: “Ontem à noite, enquanto Fernando Py estava em meu escritório tratando de sua interminável bibliografia, Virgílio telefonou-me de B.H., dizendo que José, muito nervoso, sofreu uma perturbação pulmonar, e que o médico não acha bom o seu estado. A carta que lhe escrevi foi bem recebida. Estou pensando em ir visita-lo no fim de semana” |

Fernando Py (1935-2020), com o seu Prêmio Maestro Guerra-Peixe de Cultura de 2011 (Foto: Acervo Pessoal)

| Apresentação à segunda edição – A primeira edição desta importante obra, de 1980, muito deveu ao empenho do então diretor do Centro de Pesquisas da Casa de Rui Barbosa, Dr. Homero Senna, que enfrentou enormes obstáculos e muita incompreensão para que a Casa constasse como coeditora do livro.

Hoje a realidade é bem diferente. Abrigando o Arquivo-Museu de Literatura Brasileira o arquivo de Carlos Drummond de Andrade, tornou-se este um dos objetos de estudo de mais incontestável importância no âmbito deste Centro. E a utilidade da pesquisa pioneira de Fernando Py ficou patente, por exemplo, quando se desenvolveu no Setor de Filologia o projeto de edição crítica da poesia de Drummond, hoje concluído, sob a coordenação do pesquisador Júlio Castañon Guimarães. Não apenas a Bibliografia comentada de Carlos Drummond de Andrade (1918-1930) se revelou preciosa para a localização de versões de poemas que tiveram publicação em periódico anterior à edição em livro, mas também foi necessário recorrer ao próprio Py para, consultando seus arquivos, colaborar na pesquisa da fase posterior à abrangida obra, o que ele sempre fez, com generosidade e entusiasmo.

Foi a partir daí que surgiu e se consolidou a ideia da publicação de uma versão atualizada. Contamos com o apoio do CNPq para possibilitar ao pesquisador dedicar-se exclusivamente à tarefa de atualização ao longo deste ano, concluindo o trabalho a tempo de comemorar, com sua publicação, o centenário de nascimento do Poeta e os cinquenta anos de existência deste Centro de Pesquisas.

Casa de Rui Barbosa, outubro de 2002.

Rachel Valença, diretora do Centro de Pesquisas|

Duas edições e dois exemplares da Bibliografia Comentada de Carlos Drummond de Andrade.

| Introdução à primeira edição – O presente trabalho, fruto de pesquisa iniciada em julho de 1965, abrange a relação da obra editata de Carlos Drummond de Andrade no período de 1918-1930. Primitivamente, esses limites eram não só maiores (pois pensávamos em abarcar cinquenta anos da atividade literária do Poeta, 1918-1980), como também o plano da obra incluía relação de material inédito.

O plano primitivo revelou-se, afinal, inexequível. De um lado, a produção de Drummond em cinquenta anos é excessivamente copiosa, quase inumerável, exigindo enorme trabalho de pesquisa, catalogação e até de identificação de certos casos de publicação da mesma matéria sob títulos diversos, e com o texto muitas vezes modificado em ocasiões e circunstancias distantes entre si no tempo. Quando já nos víamos em meio a um emaranhado difícil de destrinchar, acolhemos a sugestão do poeta Gilberto Mendonça Teles no sentido de limitar nossa pesquisa ao período 1918-1930.

| Parte 2 – Pseudônimos e Afins. – 1. Relacionam-se nesta seção os diferentes pseudônimos usados por CDA na assinatura de seus trabalhos. Convém deixar claro, desde já, que nossa pesquisa não se pretende completa e isenta de lapsos e omissões. Toda pesquisa é, por si mesma, sujeita a complementações constantes. Assim, a relação seguinte pode ser encarada como uma contribuição especifica embora, para uma futura bibliografia geral de pseudônimos brasileiros.

 2. Por outro lado, data a natureza deste trabalho, achamos conveniente ampliar a área de conceituação do termo “pseudônimo” no sentido de abranger também os conceitos relativos a “abreviatura” e “sigla” (seja “acrografia” ou “braquilogia”), bem como admitir qualquer forma do nome do poeta que não seja a de sua assinatura literária usual, isto é, Carlos Drummond de Andrade. Dizemos assinatura literária porque o nome de registro civil do poeta não leva a partícula de. Desse modo, relacionamos as formas C. Drummond, C. Drummond Andrade, C. Drummond d’Andrade e Carlos Drummond. Desprezamos, entretanto, a forma Drumond (com um m) por se tratar de erro contumaz de revisão, visto que o poeta sempre fez questão da consoante dobrada.

  1. Desprezamos, igualmente, os grupos ch (quando equivale a qu ou tiver som de k) e th, adotando apenas a forma atual. Mantivemos, todavia, o w e o y onde ocorrem. As formas alternativas – Aloísio Goulart / Aluízio Goulart, Leandro Savóia, e outros – são incluídas no mesmo verbete com as devidas diferenças exemplificadas. O exemplário que acompanha cada pseudônimo é, no entanto, meramente ilustrativo, e não exaustivo. A entrada dos verbetes é feita pelo primeiro nome, mesmo que seja artigo definido ou indefinido. Assim, temos “O Observador literário” e não “Observador literário”, O”. Fernando Py |

|“Ao longo de seus 85 anos de vida, Drummond escreveu muito. E não apenas poemas e livros. Ele escreveu intensamente na imprensa. Segundo dados do Arquivo-Museu de Literatura Brasileira (AMLB) da Fundação Casa de Rui Barbosa, ele produziu mais de 6000 textos. Sua colaboração com o Correio da Manhã, que durou de janeiro de 1954 a setembro de 1969, resultou em 2422 crônicas. No Jornal do Brasil para o qual colaborou de outubro de 1969 a setembro de 1984, ele produziu 2304 escritos. Grande parte deste material já foi organizado e catalogado e está disponível para pesquisadores na própria instituição ou no seu banco de dados através da internet. O restante – cerca de 1500 textos– é o que vem sendo organizado e analisado por mim ao longo deste ano.” Drummond na imprensa: crônicas e dispersas, por Isabel Travancas, In: Revista Gelme, v. 9, n. 1-2, 2007. Isabel Travancas jornalista pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), mestre em Antropologia Social pelo Museu Nacional/UFRJ e doutora em Literatura Comparada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Pós-doutora em Antropologia pelo Museu Nacional/UFRJ.|

Fernando Py (1935-2020)

O mestre Fernado Py não localizou um único pseudônimo, o de Luís Esteves. |Temos notícia deste pseudônimo unicamente através de Raimundo de Meneses, Dicionário Literário Brasileiro, Rio Livros Técnicos e Científicos S.A., 2ª. edição, 1978, p.46. Não nos foi possível obter maiores esclarecimentos com o mesmo ou com o próprio poeta e, assim, fazemos meramente o registro.

Sobre o nosso trabalho.

Nossa expectativa era a de publicar obra completa da pseudonímia Drummondiana, mas não obtivemos êxito com os seguintes pseudônimos: C. Drummond Andrade: (“Um poeta morto” (Alexandre de Oliveira) crônica, Jornal de Minas BH, 22-04-1920); “Diana, a moral e o cinema”, crônica, Jornal de Minas BH, 15-04-1920; “A mísera capital” crônica, Jornal de Minas BH, 08-06-1920); C. Drummond D’Andrade: (“Crônica vadia” artigo, Jornal de Minas BH, 21-04-1920); Cê Dê Á: (“Elesbão e o coveiro”, (Um conto como outro qualquer) / Para Aluísio Porto Ribeiro, Jornal de Minas BH, 19-04-1920; Cê Dêá: (“O humorismo do sr. Ernesto Cerqueira” – Rir, rir, rir, Jornal de Minas BH, 20-04-1920); CEDEA: (“Elogio do suicídio”, Jornal de Minas BH, 25-06-1920); B.A.: (Um minuto, apenas (seção), “A casa onde as crianças são felizes”, crônica, Minas Gerais BH, 30-8-1931); Inocêncio Raposo: (“Da beleza contagiante” crônica, Minas Gerais BH, 11-11-1932); Y.: (Seção “Notícias literárias”, Minas Gerais BH, 1949 e 1952); Puck: (Boletim da SUIPA Rio, n. III, dezembro de 1955, publicada sem título).

Caso alguém localize estes pseudônimos, a Vila de Utopia oferece recompensar com a boa cachaça de Itabira. E se localizar a crônica “Um poeta morto” (sobre Alexandre de Oliveira, irmão do pintor e flautista José Amarante de Oliveira, o Cavallaro) aí a recompensa é a estadia, por três dias, na Glória/Rio).

Por nossa conta e risco acrescentamos “Sem assinatura” na lista. Se o poeta não assinou, mas foi identificado como obra sua, merece atenção.

Os textos da pesquisa, localizamos nos seguintes arquivos: Biblioteca Nacional-Rio, Biblioteca Rodolfo Garcia / Academia Brasileira de Letras, Biblioteca Tigre Bastos / Associação Brasileira de Imprensa, Arquivo Nacional-Rio, Arquivo Público Mineiro e Arquivo-Museu de Literatura da Casa de Ruy Barbosa.

Agradecemos a colaboração: Alice Silveira Assis; a professora Graça Lima, sempre; Maria Celina Soares de Mello Silva, filha de Fernando Py; ao professor Antônio Carlos Secchin, pelas palavras de estímulo ao nosso trabalho.

Das artes plásticas: Manoel Torres Bersan, Genin Guerra, Jayme Guerra e Ricardo Tam; das fotografias:  Carlos Targa; Eduardo Cruz e Fernando Gonçalves, o Nandin.

Todos os pseudônimos de Drummond não cabem em um só mês, por isso a Vila de Utopia publicará o outubro Itabirano estendido novembro adentro…

Saudações e que no dia 4 de outubro a Nossa Senhora Aparecida ilumine a mente do povo brasileiro.

 

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