Festival de Inverno abre com Aurora e expõe ‘Querelas’, nova fase artística de Genin em aquarelas sobre Itabira degradada pela mineração
Arte: Genin
A edição deste ano de um dos festivais de cultura mais longevo de Minas Gerais tem início com homenagem a Paulo Mendes Campos e traz como novidade a exposição inédita do consagrado cartunista, chargista e escultor itabirano, que agora se reinventa como aquarelista
O 52º Festival de Inverno de Itabira começa nesta quarta-feira (15), às 19h, no Teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA), com a cerimônia de abertura.
Em seguida, às 20h, sobe ao palco o espetáculo Aurora – Uma homenagem à obra de Paulo Mendes Campos inaugurando a programação cultural.
A montagem é do projeto Teatro em Movimento, que revisita o universo do cronista e poeta mineiro por meio de uma encenação que combina teatro, música e recursos audiovisuais.
“Querelas”: aquarelas sobre a saga minerada

Entre os destaques da edição está a exposição Querelas, do consagrado cartunista, chargista e escultor itabirano Luiz Eugênio Quintão Guerra, o Genin, que agora se apresenta também como aquarelista.
A mostra inaugura uma nova fase em sua trajetória, utilizando a técnica luminosa e transparente da aquarela para retratar as contradições das cidades mineradas, com foco em sua terra natal, Itabira.
Na proposta curatorial, Genin explica que a palavra “querela”, de origem latina, significa lamentação, expressão de sofrimento, e dialoga com “aquarela”.
“Defini como tema as mazelas e contradições que todas as cidades mineradoras convivem: a sobrevivência econômica, a degradação ambiental e a perda do patrimônio histórico”, afirma o artista, que estudou a técnica sob orientação do mestre aquarelista mineiro Mário Zavagli.
Inspirado pela máxima de Tolstói – “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia” – Genin traz para o centro da reflexão a experiência de Itabira, impactada pela mineração.

E também acentuada pela memória poética de Carlos Drummond de Andrade, outro crítico da mineração predatória, que “leva minha terra para o Japão, transporta a coisa mínima do mundo, meu coração itabirano (…), vai serpenteando, vai sumindo, e um dia, eu sei não voltará, pois nem terra nem coração existem mais”.
Por meio de suas aquarelas, o artista agora dos pincéis, apresenta o seu depoimento visual do ‘destino mineral’ – e “que marca não só Itabira, mas tantas outras cidades deste estado das Minas Gerais”, registra o artista na justificativa da mostra.
“Sou conterrâneo do Poeta, nasci e cresci neste ambiente de degradação ambiental”, diz Genin, outro anjo torto itabirano.
A exposição também dialoga com tragédias recentes da mineração em Minas Gerais, como Mariana e Brumadinho.
E questiona até que ponto vale a pena vender a alma pelo lucro imediato, diante da degradação ambiental e da perda incomparável de vidas e patrimônios, conforme também questionou o poeta: “Penso, às vezes, cruamente, que Itabira vendeu a sua alma à Companhia Vale do Rio Doce”.
Genin também eternizou a memória de Drummond em charges e caricaturas publicadas no jornal O Cometa Itabirano, como também em esculturas do poeta em sua cidade natal.
Travessias e homenagem no festival
Com o tema Travessias, 52º Festival de Inverno de Itabira propõe uma reflexão sobre os caminhos que a arte é capaz de abrir entre diferentes linguagens, gerações e territórios.
É assim que a edição deste ano presta também homenagem a atriz Teuda Bara (1941-2025), fundadora do Grupo Galpão e referência nacional do teatro.
“O Festival de Inverno é um momento para que as pessoas ocupem a cidade por meio da arte”, convida a superintendente da FCCDA, Vanessa Faria, que diz ter organizado a programação como meio para dialogar com diferentes públicos, reafirmando a cultura como espaço de encontro, pertencimento e transformação.
“As travessias que inspiram esta edição também representam a capacidade da arte de conectar pessoas, histórias e sensibilidades”, salienta a superintendente.
Nos próximos 12 dias, o Festival ocupará diferentes espaços da cidade com uma programação gratuita e diversa, reunindo espetáculos, shows, exposições, oficinas e atividades culturais para públicos de todas as idades.
Serviço
52º Festival de Inverno de Itabira – Travessias
Data: 15 a 26 de julho de 2026
Locais: Diversos espaços culturais e públicos de Itabira (MG)
Programação: 52º Festival de Inverno de Itabira
Confira também: CADERNO DE OFICINAS 52º FESTIVAL DE INVERNO DE ITABIRA
Realização e apoio
O 52º Festival de Inverno de Itabira – Travessias é uma realização da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) e da Prefeitura de Itabira.








