Câmara de Itabira aprova, em primeira votação, reajuste de 3,9% para servidores municipais; sindicato reivindica 6,79%
Fotos: Jessica Estefani/ Ascom/CMI
Projeto enviado pelo prefeito prevê também 5,4% para o magistério em 2026, em cumprimento ao piso nacional. Vereadores da oposição criticam índice e pedem retirada de pauta, o que é negado. Base governista defende aprovação para evitar “aumento zero” e lembra que atual gestão foi a que mais concedeu ganho real aos servidores municipais. Sindicato rejeita proposta e cobra negociação
A Câmara Municipal de Itabira aprovou em primeira votação, nessa terça-feira (5), o projeto de lei do prefeito Marco Antônio Lage (PSB) que concede reajuste de 3,9% aos servidores municipais, retroativo a março. O texto também prevê 5,4% para o magistério, a partir de janeiro, para garantir o cumprimento do piso nacional da categoria.
O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Itabira (Sintsepmi) reivindica 6,79%, com reposição imediata de 4,26% (IPCA) e mais 2,53% escalonados ao longo do ano. A proposta inclui ainda o retorno do cartão-alimentação para todos os servidores e subsídio ao plano de saúde.
Oposição critica índice e pede retirada de pauta, sem sucesso

O vereador oposicionista Luiz Carlos “de Ipoema” Souza (MDB) pediu vistas para adiar a votação e ampliar o debate, mas foi derrotado pela base governista. Ele acusou o governo de falta de transparência nos cálculos e comparou Itabira com cidades vizinhas.
“São Gonçalo deu 6%. João Monlevade ofereceu 5,4% e cartão alimentação de R$ 715. Itabira arrecada mais e oferece menos”, disse ele, sem considerar que tratam de realidades distintas.
A vereadora Jordana Madeira (PDT) reforçou o tom de indignação. “O reajuste de apenas 3,9% é um desrespeito. Isso não cobre a inflação.”
Mesmo sob protestos, tanto ela quanto Luiz Carlos acabaram votando pela aprovação do projeto em primeira sessão, na expectativa de que as negociações com a Prefeitura avancem em direção às reivindicações da categoria apresentadas pelo sindicato.
O único a votar contra a proposta de reajuste foi o vereador Cidnei “Didi do Caldo de Cana” Camilo Rabelo (PL). “Valorizar o servidor é valorizar Itabira. Os servidores disseram não à proposta do governo. O reajuste de 3,9% é um desrespeito. Por isso, voto contra”, justificou.
Situação defende aprovação para evitar “aumento zero”
Na defesa do projeto, os vereadores da base governista insistiram que rejeitar a proposta significaria deixar os servidores sem reajuste em 2026.

O líder do governo, vereador Bernardo Rosa (PSB), foi categórico. “Se a gente vota contra, está votando zero por cento de reajuste”, alertou, acentuando que nesse caso, a matéria só retornaria no próximo ano.
Ele lembrou que, antes da atual gestão, os salários na Prefeitura de Itabira ficaram congelados por muito tempo.
“Os servidores não tiveram reajustes com ganho real. Foi na gestão Marco Antônio Lage que os aumentos passaram a ser superiores ao IPCA, garantindo ganho real. Este prefeito foi o que mais valorizou os servidores.”
O vereador Carlos Henrique de Oliveira (PDT) reforçou o argumento da responsabilidade. “Como sindicalista, sempre votei a favor de projetos que beneficiam os servidores. Prefiro garantir 3,9% do que dar zero de reajuste. Não podemos correr o risco de deixar mais de 3.500 servidores sem nada.”
O vereador Júlio “Contador” César de Araújo (PRD), que já foi secretário da Fazenda na atual gestão, destacou o caráter técnico da proposta apresentada pelo governo.
“O INPC é o parâmetro. O magistério terá 5,4% porque é o que garante o piso nacional. Não é invenção, é obrigação legal”, argumentou, lembrando que o reajuste é retroativo a março.

Para ele, a aprovação do projeto apresentado pelo governo é uma decisão de responsabilidade. “Se rejeitarmos, o servidor fica sem nada. É melhor aprovar e continuar negociando.”
Outros vereadores também reforçaram o mesmo argumento de que sem a aprovação, os servidores ficariam neste ano sem reajuste.
E reforçaram o pedido para Prefeitura e sindicato avancem nas negociacoes para aprovar uma melhor proposta em segunda votação.
Sindicato rejeita proposta e cobra negociação
O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Itabira (Sintsepmi) rejeitou os 3,9% oferecidos pelo Executivo e aprovados em primeira votação pela Câmara.
Em assembleia, a categoria definiu como índice mínimo 6,79%, por representar ganho real acima da inflação e acompanhar o reajuste do salário mínimo nacional.
As principais reivindicações apresentadas pelo sindicato incluem a reposição imediata de 4,26% (IPCA) e mais 2,53% escalonados ao longo do ano.

Pede também o retorno do cartão-alimentação para todos os servidores, hoje restrito a quem recebe até R$ 4.517,22.
Outra reivindicação é pela redução do desconto do plano de saúde e cumprimento integral do Plano de Cargos e Salários, além da realização de concurso público para suprir carências no quadro funcional.
Após a votação na Câmara, em entrevista à imprensa, a presidente do sindicato, Graziele Vieira Cachapuz Machado, criticou a decisão da Câmara de não retirar o projeto de pauta para avançar nas negociações.
“O percentual aprovado representa apenas reposição inflacionária, sem ganho real. A retirada de pauta daria mais tempo para avançar nas negociações.”
Ela disse ainda que a entidade apresentou contraproposta durante as reuniões com a Prefeitura, mas que os termos não foram aceitos pelo Executivo.
Graziele também questionou a justificativa da Prefeitura sobre limitações orçamentárias. “Não basta dizer que não tem orçamento. É preciso demonstrar isso com clareza, porque antes havia previsão para essas medidas”, cobrou.









