Ascarmarita apresenta trajetória e desafios na reunião do Codema e pede respeito aos associados

Galpão de triagem foi inaugurado em dezembro de 2025, oferecendo condições adequadas para triagem, armazenamento e comercialização dos materiais recolhido na cidade

Fotos: Carlos Cruz

Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis e Reaproveitáveis destaca investimentos, parcerias e papel social na coleta seletiva de Itabira

Na reunião do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Codema), realizada na quinta-feira (14), a presidente da Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis e Reaproveitáveis (Ascarmarita), Lucimar Gomes da Silva, apresentou o histórico da entidade e os avanços conquistados nos últimos anos.

Fundada em 2009, a Ascarmarita passou por um período de inatividade por questões burocráticas e de documentação. Foi reativada em 2018, com apoio de órgãos públicos e empresas privadas. Em 2019 retomou suas atividades em sede própria no bairro Pedreira do Instituto, consolidando-se como referência no trabalho dos catadores de recicláveis em Itabira.

A associação atua com base no associativismo e na economia solidária, promovendo geração de renda e inclusão social. Entre os objetivos estão o fortalecimento da cadeia de reciclagem, a redução da destinação de resíduos ao aterro sanitário e a ampliação de parcerias estratégicas com poder público, universidades e empresas.

Parcerias estratégicas
Evandro da Consolação Santos, associado, e Lucimar Gomes da Silva, presidente, apresentaram os resultados da associação e as parcerias estratégicas

Nos últimos anos, a Ascarmarita recebeu aportes importantes: R$ 250 mil em 2024 e R$ 150 mil em 2025, totalizando R$ 400 mil investidos em infraestrutura, capacitação e operação.

A inauguração do novo galpão de triagem, em dezembro de 2025, com apoio da mineradora Vale, representou um marco, oferecendo condições adequadas para triagem, armazenamento e comercialização dos materiais.

A Ascarmarita mantém cooperação com diversos parceiros na cidade: Prefeitura Municipal, Ministério Público de Minas Gerais, a Unifei, campus de Itabira, empresas privadas e hospitais locais, que contribuem com recursos financeiros, equipamentos e fornecimento de papelão não contaminado.

Conta também com apoio da Itaurb, que fornece parte dos resíduos provenientes da coleta seletiva municipal.

Educação ambiental e desafios

A associação realiza oficinas em escolas, como no bairro Pedreira do Instituto, com o projeto Guardiões da Natureza, sensibilizando crianças sobre a importância da separação correta dos resíduos.

“Esse trabalho tem efeito multiplicador, já que os alunos levam o aprendizado para suas famílias, melhorando a qualidade da coleta seletiva na comunidade”, disse Lucimar Gomes.

Segundo a presidente, a entidade ganhou impulso também com a parceria com a Biosolvit, fábrica recém-instalada em Itabira que combina reciclagem química e inovação patenteada.

A tecnologia permite quebrar a cadeia do polímero e transformar resíduos PET em uma resina biodegradável e não tóxica, aplicada em áreas mineradas descobertas para reduzir a emissão de poeira e melhorar a qualidade do ar.

“Diferentemente da reciclagem mecânica tradicional, que exige PET cristal e limpo, a tecnologia da Biosolvit permite utilizar PET colorido, bandejas e outros materiais de baixa reciclabilidade, que antes não geravam renda para os catadores”, explicou Lucimar.

Apesar dos avanços, ela destacou que ainda falta respeito e reconhecimento ao trabalho dos catadores em Itabira.

“Nosso trabalho é árduo e digno como qualquer outro. Muitas vezes somos chamados de ‘catadores de lixo’, mas estamos reciclando e cuidando do meio ambiente, dos resíduos que a cidade gera. É preciso valorizar nosso trabalho”, cobrou.

 

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