André Viana destaca o que deve ser o papel social das empresas na inauguração de laboratório da Medicina do UniFuncesi financiado pela Vale
Foto: Carlos Cruz
Para o presidente do Metabase, o “S” do ESG deve estar na essência das corporações, salientando também a importância da união política local para garantir o futuro de Itabira
“O papel social das empresas, principalmente das grandes, deve ser celebrado e feito com máxima responsabilidade”, disse André Viana Madeira, presidente do Sindicato Metabase de Itabira e Região e membro do Conselho Administrativo da Vale, nesta terça-feira (30), durante a inauguração do novo laboratório simulado da Faculdade de Medicina do Centro Universitário da Fundação Comunitária do Ensino Superior de Itabira (UniFuncesi).
O novo laboratório contou com recursos da Vale, que nesta etapa aportou cerca de R$ 9,9 milhões, valor esse que, somado a investimentos anteriores, representa aproximadamente R$ 19 milhões destinados aos laboratórios da faculdade de Medicina.
Esse conjunto de investimentos foi um dos fatores decisivos para a aprovação do curso junto ao Ministério da Educação, como parte do compromisso da Vale com a diversificação econômica e desenvolvimento social do município.
De acordo com o sindicalista, são os investimentos sociais que realmente fazem diferença nas políticas das corporações que praticam ou têm compromisso com o ESG (Environmental, Social and Governance). “Do ESG, eu gosto muito do S, do Social”, reforçou.
Para ele, o “S” deve ser o eixo central, pois é por meio dele que se baliza o desenvolvimento com responsabilidade, boa governança e ações voltadas ao impacto positivo nas comunidades, com indicadores que reforçam a contribuição das grandes empresas para a sociedade.
Viana salientou ainda que práticas de ESG não podem ser apenas instrumentos de marketing para atrair investidores, mas precisam estar na essência das empresas.
Modernização da Vale e legado comunitário
André Viana citou também os investimentos da mineradora na modernização, informatização e automação da usina Conceição II como prova de empresa comprometida com a sustentabilidade – e que continua investindo no complexo de Itabira, mesmo depois de completar 84 anos.
Para o sindicalista, é fundamental que a produção da empresa não se limite a resultados financeiros, mas também gere retorno social e econômico às comunidades. “Dar retorno aos acionistas é importante, mas deixar legados à população é de suma importância”, ressaltou.
Ele lembrou que recentemente o presidente da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou em entrevista que a companhia precisa deixar a imagem de empresa arrogante e se aproximar mais das comunidades, principalmente daquelas que lhe deram origem.
“Vemos hoje a mina Conceição batendo recorde de produção, uma senhora de 84 anos que tem o vigor de uma moça de 15 anos. Mas é importante que isso alcance não apenas o mercado, os acionistas, que são importantes, a exemplo deste investimento que é um vetor de saúde, educação, contribuindo para a diversificação como anseio dos itabiranos, principalmente daqueles que deram vida para a origem desta companhia”, provocou.
“É o que está sendo feito em Itabira com investimentos na Funcesi e também na Unifei”, acrescentou.
Investimento estratégico
O novo laboratório, juntamente com investimentos anteriores da Vale destinados à infraestrutura dos cursos de Saúde, em especial para a faculdade de Medicina, faz parte da estratégia de criar novas condições de sustentabilidade para Itabira, cidade cuja mineração tem previsão de exaurimento a partir de 2053.
A estrutura conta com dois laboratórios de Técnicas Operatórias, dois de Anatomia Humana, uma sala de aula, dois espaços de metodologias ativas e ambientes de simulação realística, aproximando teoria e prática na formação acadêmica.
União política e memória histórica
Em seu pronunciamento, André Viana também cobrou mais união dos políticos locais para consolidar projetos que garantam o futuro do município.
Ele resgatou a visão de Dom Mário Gurgel, que em 1993 reuniu cerca de 500 pessoas na catedral para propor o projeto educacional da Funcesi, fundada como sucessora da Faculdade de Ciências Humanas de Itabira (Fachi), aberta em 1968.
“Foi dessa maturidade política que nasceu um dos maiores polos regionais de educação da região, e que agora recebe novos investimentos e continua se desdobrando com abertura de novos cursos”, disse ele.
Viana lembrou também que foi dessa união que Itabira, pela primeira vez, conseguiu eleger dois deputados, um estadual e outro federal: Luiz Menezes e Li Guerra, feito que a cidade não conseguiu repetir em eleições posteriores.
O dirigente sindical citou ainda a presença na inauguração de Doutor Colombo Portocarrero de Alvarenga, destacando-o como exemplo de figura com espírito cívico e responsabilidade coletiva, que ajudou a construir sonhos à semelhança do ideal que possibilitou a instituição da Funcesi.
Itabira além da mineração
Para André Viana, o investimento da Vale no laboratório simulado da Funcesi é mais do que um aporte financeiro, tornando-se não apenas instrumento de melhoria da saúde em Itabira e região, mas também fundamental para a economia e o futuro do município.
Ele ressaltou que investimentos na saúde e educação são importantes para a diversificação econômica, capazes de preparar Itabira para o cenário pós-mineração.
“Se a Vale tem responsabilidade com as cidades, nós também, governantes, autoridades e líderes, temos o dever de continuar construindo o legado que os nossos antepassados sonharam para esta cidade”, concluiu.








