A. – há 98 anos –

Remanso, de Jayme Reis, de Itabira

Foto: Reprodução/
MCS

|Com esta inicial Drummond assinou oito crônicas no Diário de Minas, em março de 1928. Uma delas, a sexta, trata das declarações prestadas aos jornais pelo ex-rei (deposto) Fernando I, da Bulgária, o qual, tendo sido famoso por sua crueldade, confessou achar monstruoso o habito de caçar borboletas e passarinhos.  uma crueldade. Ao final, o cronista transcreve “versos futuristas” de um poeta, “amigo íntimo” trata-se do poema “Anedota búlgara”. Consultado, Drummond informou que eram de sua autoria todas as crônicas subscritas por A. São as seguintes: “A arte de viajar” (16-3), “Desejo de glória” (17-3), “Literatura” (20-3), “O caso da calça” (21-3), “História da carochinha” (22-3), “Outra história” v.279 (24-3), “Feminismo” (25-3) e “Uma história dolorosa” (29-3). Fernando PY|

|Repr.: D. de Minas (BH), 24-3-1928; Revista de Antropofagia (SP), dezembro de 1928, Ano I, n. 8 (sob o título de ANEDOTA DA BULGÁRIA) e Revista Antropofágica (ed. Fac-similar, 1976), SP, Metal Leve; Pindorama (BH), 1930; Estado de Minas (BH), 27-6-1933 (o título vem grafado BÚRGARA); D. Carioca (Rio), 24-12-1950. |

|Livros: Poesias, Rio, J. Olympio, 1942); Poesia até Agora, Rio, J. Olympio, 1948; Fazendeiro do Ar & Poesia até Agora, Rio, J. Olympio, 1955; Poemas, Rio, J. Olympio, 1959; Obra Completa, Rio, Aguilar, 1964, e ed. Seg. (1967); Reunião, Rio, J. Olympio, 1969 e eds. segs.; Poesia Completa e Prosa Rio, Aguilar e eds.segs.(1973, e eds.segs.; Nova Reunião, Rio, J. Olympio / INL / Pró-Memória, 1983, vol. I; Obra Poética, Mem Martins (Portugal), Publicações Europa-América, 1989, vol. 1. |

|Vers.: Intercâmbio, Rio, n. 1-2, 1953, p.42 (vers. Alemã de Tomás, sob o título EINE BULARISCHE ANEKDOTE; publ. Bilingue, repr. In Intercâmbio. 10/12, 1962; Galleria. Salvatore Sciascia Editore, Roma, ano XI, n.3, maio/junho, 1961 (vers. Italiana de Anton Angelo Chiocchio sob o título de ANNEDOTTO BULGAR; The Middle of the Road (edição estadunidense). Tucson, University of Arizona Press, 1965 (vers. em inglesa de John Nist sob o título de BULGARIAN ANECDOTE, edição bilingue; Amar-Amargo y otros Poemas, B. Aires, Calicanto, 1978 (vers. em espanhol de Estela dos Santos e Santiago Kovadloff, com o título de ANÉCDOTA BULGARA, ed. bilíngue; Carmina drummondiana Rio, Salamandra/UNB-DF, 1982 (vers. latina de Silva Bélkior sob o título de FABELLA BULGARA), ed. bilíngue; Um Chiaro Enigma Bari, Lusitania/Libre, 1987, vol. I, (vers. Italiana de Fernanda Toriello sob o título de ANEDOTTO BULGARO; ed. Bilíngue. |

|Mus.: Ernst Widmer. Anedota búlgara. Canto (voz grave) e piano (1964). Não conhecemos a composição de Ernst Widmer, dela tendo notícia apenas na bibliografia apensa ao volume Poesia completa e prosa, da Aguilar: Quanto à identidade de Tomás, v. o verbete 152 (Notícia do ano, crônica (Gazeta Comercial, J. de Fora, 25-12-1924) Resenha literária do ano corrente. Contém referência a Rémy de Gourmont, Rivarol e Leopardi. |

|Grav.: Juca de Oliveira, recita Drummond e Vinícius. Compacto. São Paulo, Mobile, RM-1A (1973). |

No livro “História do Brasil na poesia do povo”, de Pedro Calmon, Rio/1949, encontra-se o seguinte versinho cancioneiro, de frei Vicente de Salvador:

Papagaio real…

Quem passa?

É o rei

Que vai à caça.

Anedota da Bulgária

(poema)

Era uma vez um kzar naturalista

que caçava homens.

Quando lhe disseram que também

se caçam borboletas

e andorinhas,

ele ficou muito espantado,

e achou uma barbaridade.

Versão italiana

Aneddoto bulgaro

C’era una volta uno zar naturalista
che cacciava uomini.
Quando gli dissero che si cacciano anche
farfalle e rondini,
rimase molto stupito
e lo ritenne una barbarie.

 Versão alemã

Tradução de Curt Meyer-Clason, fez parte da antologia bilingue Poesie, lançada em Frankfurt, pela editora Suhrkamp Verlog, em 1965

Bulgarische Anekdote

Es war einmal ein naturforschender Zar,

der Menschen jagte.

Als man ihm erzählte, dass man auch

Schmetterlinge und Schwalben jagt,

war er sehr erstaunt

und fand es eine Barbarei.

 

Versão húngara

Bulgár anekdota

Volt egyszer egy naturalista cár,
aki emberekre vadászott.
Amikor megmondták neki, hogy pillangókra
és fecskékre is szokás vadászni,
nagyon elcsodálkozott,
és szörnyűségesnek találta.

Tradução de  Péter Végh Zsoldos,

Versão russa

Жил-был царь-натуралист,
Который охотился на людей.
Когда ему сказали, что охотятся также на бабочек и ласточек,
Он очень удивился
И счёл это варварством.

Versão inglesa

Publicado na antologia histórica Modern Brazilian Poetry: An Anthology (publicada em 1962 pela Indiana University Press), o poema foi traduzido pelo escritor e professor norte-americano John Nist, com a colaboração de Yolanda Leite.

Bulgarian Anecdote

Once upon a time there was a naturalist czar

that hunted men.

When they told you that they are also hunted butterflies and swallows,

was very surprised.

And found it outrageous.

Versão francesa

Por se tratar de um poema curto e muito expressivo, ele possui diferentes registros e tradutores ao longo da história da difusão do Modernismo brasileiro na Europa. No meio editorial formal e acadêmico, pesquisadores e tradutores dedicados à obra de Drummond — como Frances Albernaz (que organizou traduções de poemas dele na década de 2000) ou seleções feitas por nomes franceses como Jean-Georges Rueff — registraram versões do texto.

Anecdote bulgare

Il était une fois um tsar naturaliste

qui chassait des hommes.

Quand on lui a dit qu’on chasse aussi des papillons et des hirondelles,

Il a été três surpris

Et a trouvé ça une barbárie.

[Repr.: D. de Minas (BH), 24-3-1928; Revista de Antropofagia (SP), dezembro de 1928, Ano I, n. 8 (sob o título de ANEDOTA DA BULGÁRIA) e Revista Antropofágica (ed. Fac-similar, 1976), SP, Metal Leve; Pindorama (BH), 1930; Estado de Minas (BH), 27-6-1933 (o título vem grafado BÚRGARA); D. Carioca (Rio), 24-12-1950. Pesquisa: Cristina Silveira]

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