Vereadores aprovam divulgação de cronograma de capina e limpeza urbana; e cobram participação da população

Fotos: Carlos Cruz

Projeto passa em segunda votação e depende de sanção do Executivo; mas sem conscientização dos moradores, o descarte irregular seguirá comprometendo a limpeza da cidade. Afinal, cidade limpa é povo civilizado

A Câmara Municipal de Itabira aprovou em segunda discussão e votação, nesta segunda-feira (13), projeto de lei que dispõe sobre a divulgação periódica do cronograma de ações e serviços de zeladoria urbana no portal oficial da Prefeitura, o que inclui capina, roçadas e limpeza urbana.

O projeto trata também da criação do Canal do Cidadão, com o objetivo de ampliar a transparência e facilitar a comunicação entre a população e o Poder Executivo.

O projeto foi aprovado com apenas um voto contrário, com respaldo da base governista. Para ter eficácia, agora só depende de sanção do prefeito Marco Antônio Lage (PSB).

Considerado essencial para dar transparência aos serviços de zeladoria, com o projeto espera-se também que os moradores se organizem para colaborar com a manutenção da limpeza da cidade.

Problemas recorrentes nos bairros
Acúmulo de lixo e materiais descartados de forma irregular, parte dentro das estruturas metálicas e parte espalhada pelo chão e pela encosta, evidenciando o contraste entre o uso correto dos recipientes e o descarte inadequado que compromete a limpeza urbana

Durante a discussão e segunda votação, os vereadores reforçaram que a divulgação antecipada do cronograma de capina e limpeza urbana é um avanço, mas que só terá efeito prático se vier acompanhada de conscientização da população.

O autor do projeto, vereador Cidnei “Didi do Caldo de Cana” Camilo Rabelo (PL), destacou que a medida permitirá ao cidadão acompanhar os serviços pelo celular e cobrar da Prefeitura.

“Assim que a pessoa entrar em contato com o governo, vai gerar um protocolo para acompanhar de perto, saber quando vai ser a capina, quando vai ser a limpeza. É mais uma forma de ajudar o governo e manter a cidade organizada.”

Descarte irregular de peças automotivas em via pública: exemplo de resíduo volumoso que não deveria ser deixado nas calçadas e que aumenta os custos da zeladoria municipal com recolhimento especial

O vereador Ronaldo “Capoeira” Meireles de Sena (PRD)  insistiu na necessidade de mudança de comportamento por parte da população. “A pessoa lancha do lado da lixeira e joga o lixo no chão. Esse descarte irregular acontece na cidade e também nas nossas rodovias. Então, além do cronograma, é preciso conscientizar.”

O vereador Marco Antônio “Marquinhos da Saúde” Ferreira da Silva (Solidariedade) reforçou dizendo que a responsabilidade com a zeladoria na cidade não é apenas do poder público.

“Esse acompanhamento do cronograma é fundamental para o cidadão, mas isso não tira a responsabilidade de cuidar da cidade. O lixo que vemos nas vias públicas não é do poder público, é das pessoas que moram naquela rua, naquele bairro ou que passam por ele. A zeladoria não está só nas mãos do Executivo, o cidadão tem que fazer o papel dele também. Se cada um fizer sua parte, teremos uma cidade mais limpa.”

Dispopsições inadequadas
À esquerda, os resíduos foram acondicionados em sacos adequados para o recolhimento; à direita, próximo ao ponto de ônibus, o lixo está espalhado pelo chão, evidenciando a falta de cuidado e consciência no descarte

O vereador Elias Lima (Solidariedade) foi específico ao citar o problema de entulhos e resíduos diversos dispostos inadequadamente na entrada do bairro Nova Vista.

“É um acúmulo de lixo constante. Eu sei que a Itaurb recolhe, mas as pessoas não conseguem colocar os resíduos no dia e no local certo. Isso tem me preocupado e, por isso, é preciso incrementar o programa de educação ambiental. Se não houver mudança com a conscientização da população, esse problema vai continuar.”

O vereador Bernardo Rosa (PSB) concordou e acrescentou que a falta de consciência gera custos extras para o município.

“Outro dia, perto de casa, no bairro Amazonas, havia descarte de dois sofás no meio da rua. A Itaurb faz mutirão e recolhe, mas no dia seguinte já tem colchão, armário, móveis”, observou.

Containers instalados como projeto piloto no bairro Campestre, aprovados pela comunidade, são apontados pelos vereadores como alternativa para reduzir o descarte irregular e organizar a coleta de resíduos

“O cidadão pensa que paga IPTU e que isso cobre tudo, mas se a empresa vai cinco vezes ao mesmo lugar, quem paga essa conta é a cidade. É retrabalho, é custo maior. A população precisa entender que está pagando mais caro por causa desses descartes irregulares”, salientou o líder do prefeito na Câmara.

O vereador Leandro Pascoal (PSD) defendeu a ampliação do projeto dos containers, iniciado como piloto no bairro Campestre.

“É um projeto que deu certo, a população aprovou. Então eu cobro aqui também a extensão desse projeto na cidade, e de imediato pelo menos por essas vias principais da entrada do bairro Nova Vista, uma vez que os moradores ali constantemente têm nos cobrado e sugerido melhorias.”

 

Móvel velho e deteriorado deixado em via pública, exemplo de descarte irregular de inservíveis que agrava a sensação de abandono urbano e compromete a limpeza da cidade

O vereador Didi do Caldo de Cana também reforçou a necessidade de consciência coletiva, reconhecendo que a Itaurb tem feito a sua parte, mas que falta o mesmo zelo por parte de alguns moradores.

“Hoje eu estive no bairro Gabiroba e vi o pessoal desovando lixo no fim de semana. Eu mesmo vivo cobrando o governo, mas sei que cada cidadão tem que fazer sua parte”, reconheceu.

“A Itaurb trabalha, mas se a população não colaborar, a cidade fica suja e quem vem de fora fala mal de Itabira. Vamos colocar o lixo no dia certo, no horário certo, descartar corretamente. Eu não estou aqui para criticar por criticar, mas para cobrar e pedir consciência da população.”

Sujismundos e campanhas educativas

Resíduos espalhados ao longo da rodovia mostram o impacto do descarte irregular também nas entradas de Itabira, comprometendo o visual da cidade e o meio ambiente

Os pronunciamentos dos vereadores convergiram para a necessidade de implementar campanhas educativas permanentes.

Para isso, seria interessante resgatar o personagem de animação Sujismundo, criado em 1972 pelo publicitário Ruy Perotti, a pedido do Governo Federal e que ficou famoso ao alertar a população brasileira com o bordão que “cidade limpa é povo civilizado”.

E que a divulgação dos cronogramas seja acompanhada de campanhas visíveis, com outdoors em locais estratégicos e ações educativas em escolas e meios de comunicação.

Campanha educativa com o personagem Sujismundo, criada nos anos 1970, ficou famoso pelo bordão “Cidade limpa é povo civilizado”, lembrando que a responsabilidade pela limpeza urbana começa com cada cidadão

Experiências em outras cidades reforçam essa necessidade. Em Goiás, por exemplo, o Ministério Público, Curadoria do Meio Ambiente, lançou a campanha Liga Cidade Limpa, com publicação de gibis, divulgação nas redes sociais e outdoors, conscientizando sobre descarte correto e coleta seletiva.

Em Fortaleza, o governo federal promoveu a campanha Separação e Destinação Adequada de Resíduos Sólidos, reforçando que o lixo separado corretamente gera renda e reduz impactos ambientais.

Na mesma rodovia, sentido Nova Era, sacos de lixo e resíduos espalhados pelo acostamento evidenciam o descarte irregular em área não urbana, aumentando o custo da zeladoria com o necessário recolhimento

Esses exemplos de sucesso mostram que campanhas educativas, quando bem planejadas e amplamente divulgadas, conseguem mudar hábitos e consolidar uma cultura de responsabilidade coletiva.

Com a aprovação do projeto em Itabira, a expectativa é que a divulgação mensal dos serviços de capina e limpeza urbana ajude a reduzir os impactos do descarte irregular. Isso desde que venha acompanhada de ampla campanha de conscientização da população, por todos os meios disponíveis, começando desde já.

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