Série 5 P’s – Parcerias: por que ninguém transforma Itabira sozinho?
Arte: Divulgação
Frederico Martins Quintão*
Chegamos ao último e decisivo pilar da nossa jornada pelos princípios da Agenda 2030. Até aqui, desenhamos um mapa ambicioso: colocar as Pessoas no centro da inovação, proteger o nosso Planeta através da economia circular, redefinir a nossa Prosperidade além da extração de recursos e garantir a Paz através de instituições justas e transparentes.
Mas como tirar tudo isso do papel? O quinto “P” nos dá a resposta: Parcerias (ODS 17). A premissa é absoluta: ninguém, absolutamente ninguém, salva o mundo sozinho. Nenhum prefeito resolve tudo por decreto, nenhum empresário inova de forma isolada e nenhum cidadão muda a cidade apenas reclamando.

A mesa redonda do Desenvolvimento
Para que Itabira cumpra o pacto Meu Município pelos ODS, precisamos de uma governança colaborativa. Isso significa reunir a iniciativa privada, o poder público, as universidades e a sociedade civil — o terceiro setor e os cidadãos — na mesma mesa de decisões.
As parcerias ganham vida quando vemos a Prefeitura de Itabira estruturando o Distrito Criativo não como um projeto isolado, mas em diálogo com hubs de tecnologia e redes de articulação como o Tech Brazil Advocates.
Ganham vida quando os institutos locais dedicados à construção de um novo mundo sustentável conseguem captar recursos da iniciativa privada para projetos de impacto social. O ecossistema de inovação só funciona quando as pontes entre esses atores estão firmes.
O ODS 18 como pacto coletivo
E quando olhamos para as metas territorializadas pelo IPEA, percebemos que os desafios mais espinhosos exigem as redes mais fortes. A implementação do ODS 18 (Igualdade Étnico-Racial) é o maior exemplo disso.
Combater o racismo estrutural e garantir representatividade não é papel apenas da Secretaria de Assistência Social ou de Direitos Humanos. É um compromisso que as empresas privadas de Itabira devem assumir ao contratar suas lideranças; é um papel das escolas e universidades ao ensinarem nossa história; e é dever da inovação garantir que o empreendedorismo negro tenha acesso a crédito e tecnologia. O ODS 18 é, por excelência, um pacto de toda a sociedade.
A força da mobilização em Minas Gerais e no Brasil
A força dessas parcerias já está pulsando em nosso estado. A intensa articulação do Movimento Nacional ODS em Minas Gerais e a estruturação de frentes amplas, como a Aliança ODS, provam que a mobilização popular e institucional está mais forte do que nunca.
E o momento de coroar essas redes é agora. Estamos a poucos dias de um marco histórico: a Conferência Estadual dos ODS de Minas Gerais, que ocorrerá no próximo dia 18 de maio na estrutura da Fundação João Pinheiro. Este evento é o grande funil por onde todas as propostas nascidas nas nossas Conferências Livres vão passar, ganhando musculatura para chegar à 1ª Conferência Nacional dos ODS, que tomará Brasília entre o fim de junho e o início de julho.
Itabira tem voz, tem projeto e tem parcerias para se destacar nesse cenário nacional.
O fim do início
Com este artigo, encerramos a fundação da nossa série. Entendemos os 5 P’s que sustentam a Agenda 2030. A partir da próxima semana, vamos iniciar a Fase 3 deste projeto neste portal Vila de Utopia: um mergulho cirúrgico em cada um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Vamos dissecar os desafios e mostrar, na prática, como as “Pessoas” podem agir.
A utopia sustentável é uma construção coletiva. E ela já está começando.
*Frederico Martins Quintão é coordenador-geral do Movimento Nacional ODS MG.








