‘Trump não tem o direito de governar outros países,’ diz Lula à CNN Internacional

Foto: CNN Internacional/
Reprodução

Antes da Assembleia Geral das Nações Unidas, Christiane Amanpour, representante da CNN, encontrou o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, em Nova Iorque para uma entrevista exclusiva e abrangente.

Leia os principais trechos da entrevista com o presidente Lula da Silva:

Sobre a nova proposta de ‘Parceiros pelo Multilateralismo’ que o Brasil propôs junto ao Canadá, Quênia e União Europeia:
“Estamos enfrentando uma guerra econômica desnecessária ao mundo. O multilateralismo funcionou para manter o mundo em uma certa harmonia comercial, pois sem essa harmonia, a economia global seria uma bagunça. Quanto ao comportamento do Presidente Trump, ele tem um forte viés para favorecer o unilateralismo e as relações bilaterais, sem levar em conta todas as questões comerciais, isso é muito perigoso… É preciso haver equilíbrio entre tecnologia e comércio… E estamos tentando mostrar o seguinte: a melhor forma de manter o mundo em harmonia é fortalecendo o multilateralismo.

Sobre o Presidente Trump:
“É uma forma de governar com a qual eu não concordo. Ele tem um jeito de governar do tipo “você sabe que eu sou mais forte, mais poderoso, mais rico, eu posso fazer de tudo e os outros devem obedecer”. É mais forte que a lei. Eu não concordo com isso, a lei é mais forte.

Sobre as tarifas do Presidente Trump:
“Eu acredito que essas tarifas são baseadas em mentiras. O Brasil tem um déficit comercial de muitos bilhões de dólares com os EUA, então o que está acontecendo agora é o seguinte. Ao invés de chorar, estou tentando procurar novos parceiros… A relação de comércio do Brasil com os Estados Unidos caiu 9%, as exportações para os EUA caíram 8,5%. 8,5% importam dos EUA para o Brasil. Mesmo assim, tivemos uma média de crescimento de 10,5% com outros 57 países… Então eu não vou chorar pelo leite derramado. Eu vou procurar outros parceiros para tentar comprar e vender.”

“Eu não quero chegar à uma guerra tarifária com os Estados Unidos ou qualquer outro país. O que eu quero é negociar, e eu acredito na negociação”.

Sobre o relacionamento que ele quer com os EUA:
“Não queremos desafiar os Estados Unidos. Nós apenas queremos dizer que todo país tem a sua própria soberania. Eles podem cuidar de seus próprios interesses, e os EUA não podem impor suas regras aos outros. Esta é a questão. O presidente Trump foi eleito para presidir os Estados Unidos. Ele tem o direito de governar. Mas ele não tem direito de governar outros países… Ele tem que estar disposto a negociar. Isso é o que é de nosso interesse. Nós não queremos interferir nos assuntos internos dos EUA. Nós queremos construir parcerias com empresas americanas, chinesas, francesas e alemãs”.

Sobre as eleições brasileiras:
“Toda eleição me preocupa, porque nós não sabemos o resultado até que as urnas são abertas, mas a verdade é que o que está em jogo hoje no Brasil não é uma escolha de pessoas ou partidos rivais. O que está em jogo é a escolha de que ou temos democracia ou temos barbárie. Ou temos uma política que conserva a natureza ou desmatamento, políticas de inclusão social ou deixar os pobres abandonados, ou fortalecemos a cultura ou acabamos com ela. É isso que está em jogo agora, e eu tenho consciência de que eu vou vencer as eleições.”

Sobre as ações dos EUA na Venezuela:
“É muito severo o que os Estados Unidos fizeram com a Venezuela. Os EUA têm a ideia de que eles estão governando a Venezuela. Esta é a mensagem que eles querem passar, todo documento que lemos do acordo diz que parece que os EUA são o grande chefe da Venezuela. A soberania do país acabou. Isso não é bom. Não é bom para os EUA, não é bom para a Venezuela e muito menos para a democracia. A ideia é construir uma parceria com a Venezuela para que o país… eu disse outro dia, se eu fosse Delcy Rodríguez, a presidente, convocaria eleições nacionais para que as pessoas pudessem escolher quem será o próximo presidente do país, porque a forma como os EUA está tratando Delcy, parece que eles são seu chefe… Essa não é a melhor forma de seguir as relações internacionais ou a política internacional dos EUA. Se Maduro cometeu um erro, ele terá que ser julgado. Então, descobriremos. Tem que haver uma investigação. Um país não pode acusar ao outro.”

 

Assista aqui: https://edition.cnn.com/2026/09/21/world/video/luiz-inacio-lula-da-silva-brazil-trump-united-nations-amanpour-intv-cnni-world

 

 

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