Silva Duarte – há 97 anos
Ilustração: Di Cavalcanti
Fonte: O Malho (Rio),12/4/1936 Hemeroteca da BN-Rio Pesquisa: Cristina Silveira
|Ao que sabemos, “Boca” é o mais antigo poema da coletânea Brejo das Almas, anterior inclusive à publicação de Alguma Poesia. O poema sofreu profundas alterações de sentido e pessoa gramatical, a partir de Fazendeiro do ar (1955), passando da terceira para a segunda pessoa a fim de evitar pequenos cacófatos. Ver, a proposito dessas alterações, o comentário de Autran Dourado, em Uma poética de romance, SP, Ed. Perspectiva, 1973, p-89-90. Fernando Py|
| Repr. D. de Minas, BH, 22-9-1929; O Malho, Rio, 12-4-1936; Revista Branca, Rio, ano VI, n.30, 1954 (versão italiana de Luce Ciancio); Raúl Navarro, Poesía moderna del Brasil, B. Aires, Raigal, 1956 (versão espanhola de Rodolfo Alonso, reproduzida em: Universidad de México, junho de 1964; El Ciudadano, Villa Regina, 30-1-1957 (versão espanhola de Rodolfo Alonso; Vila de Utopia, Itabira-MG, 7-10-2021. |
| Mús.: Osvaldo Lacerda. Boca, canto e piano 9s/d |
| Brejo das almas (Os Amigos do Livro, 1934; Poesias (J. Olympio, 1942); Obras primas da lírica brasileira, seleção de Manuel Bandeira, Martins, SP, 1943; Poesia até agora (J. Olympio, 1948; Fazendeiro do ar (J. Olympio, 1955 e ed. Seg.); Poemas (J. Olympio, 1959; Obra completa, (Aguilar, 1964 e 1967); Reunião, (J. Olympio, 1969 e eds.segs.); Poesia completa e prosa (Aguilar, 1973); Nova Reunião (J. Olympio-INL-Pró-Memória, 1983, vol. I); Obra poética, Nem Martins (Portugal), Publicações Europa-América, 1989, vol. 1, p.114|
Boca
Silva Duarte
Boca que nunca beijarei
boca de outro, que ri de mim,
no milímetro que nos separa
cabem todos os abismos.
Boca que o meu desejo
é impotente para fechar.
Ela sabe disso, zomba
de minha raiva inútil.
Boca amarga porque impossível,
boca doce que eu não provarei,
ri sem beijo para mim,
beija outro com seriedade.








