Pagamento do superavit da Valia e PRL da Vale projeta injetar cerca de R$ 100 milhões no mercado itabirano
Aposentados e Pensionistas da Vale de todo o país, participantes do plano de Benefício Definido (BD), irão embolsar no dia 28 de março o equivalente a 10,8 salários de abono na suplementação que recebem da Fundação Vale do Rio Doce de Seguridade Social (Valia).
Pela conta do vereador Paulo Soares (PRB), presidente do sindicato Metabase, só em Itabira o pagamento do superavit pode somar cerca de R$ 40 milhões. “Nas negociações com a Valia, que se estenderam por 12 meses, com participação do sindicato e da Aposvale, colocamos a necessidade de liberar esse dinheiro, que é direito e necessidade dos aposentados e pensionistas”, relembra.
“A crise é grande, com muito desemprego. Esse superavit é um alívio para muitas famílias que passam por dificuldades, uma vez que a maioria dos aposentados e pensionistas continua sendo arrimo de família”, disse ele. “Quem recebe, por exemplo, R$ 1 mil de suplementação, irá embolsar R$ 10,8 mil.”
Conquista

O pagamento extra é resultado do chamado superavit primário, apurado após o pagamento das suplementações e obrigações no ano anterior. Isso ocorre depois de se assegurar uma reserva estratégica para que a bonificação equivalente a 25% sobre as suplementações seja paga mensalmente.
”É um dinheiro que sobra em caixa, depois de pagar todas as obrigações e que estatutariamente pertence aos aposentados e pensionistas”, explica Sebastião da Costa Deiró, diretor regional da Associação dos Aposentados e Pensionistas e Empregados das Empresas Patrocinadoras da Valia (Aposvale).
No país, 16.250 aposentados e pensionistas receberão a bonificação. Na região serão 6,2 mil beneficiados – desses mais de 4,5 mil residem em Itabira – todos incluídos no plano BD, que fechou as portas para novos beneficiados em 2000.
Dos trabalhadores da Vale hoje na ativa, apenas 11 empregados terão direito a esse benefício após a aposentadoria. “Enquanto houver remanescentes desse grupo, ocorrerá o pagamento do superavit”, diz o diretor da Aposvale.
Segundo ele, é o maior superavit já pago de uma só vez pela Valia em sua história. Em 2004 foram pagos seis salários em janeiro e mais 5,58 em março, totalizando 11,58 salários de bonificação naquele ano. “Não é uma dádiva, mas uma conquista, resultado de muita mobilização, união e planejamento”, exulta-se Sebastião Deiró.
Produção cresce e aumenta a participação nos resultados
Somados a esses R$ 40 milhões do superavit primário da Valia, o mercado será aquecido também com o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PRL), o que deve ocorrer já a partir de 1º de março. Serão mais de 4 mil trabalhadores beneficiados só em Itabira.

A expectativa é que só o pagamento aos empregados da Vale em Itabira deve alcançar a cifra de R$ 60 milhões. Serão, portanto, algo em torno de R$ 100 milhões a injetar ânimo no combalido comércio da cidade, caso haja competitividade para reter boa parte desse dinheiro na praça por parte do comércio e do setor de serviços.
Conforme explica Carlos Roberto Assis Ferreira, o Carlão, diretor do Metabase, a PRL é também uma das maiores já paga pela mineradora nos últimos anos. Em média, cada trabalhador da Vale deve receber 6,4 salários a mais do que recebe mensalmente, sendo o teto de sete salários.
A participação nos lucros é uma conquista dos trabalhadores na Constituição Federal de 1988. É paga anualmente, tendo por base a produção e o lucro das empresas no exercício anterior. Esse resultado será divulgado ao mercado pela Vale no dia 27 de fevereiro.
A empresa produziu 366,5 bilhões de toneladas de minério de ferro no ano passado, 13,4% superior ao que se produziu em 2016, informa o diretor do sindicato Metabase. Do total, o complexo minerador de Itabira produziu 37,8 milhões de toneladas, o que representa 10,3% da produção total da mineradora.
Como se sabe, tudo que é sólido desmancha no ar. Daí que é importante aposentados e pensionistas pesquisar e avaliar bem antes de gastar esse dinheiro extra. Já para o comércio local, espera-se que essa circulação a mais na praça seja traduzida em bons negócios, com geração de emprego e renda.