“No trânsito, enxergar o outro é salvar vida”, é tema de campanha para reduzir acidentes em Itabira
Foto: Vila de Utopia/ Arquivo
Transita registra queda de 18% nos acidentes, mas a cidade ainda convive com falhas estruturais e precisa tirar do papel o plano Itabira Sustentável para melhorar a mobilidade urbana
Segundo informa a Superintendência de Trânsito de Itabira (Transita), o município de Itabira reduziu em 18% o número de acidentes em 2025.
Foram 1.328 ocorrências registradas, com 467 vítimas apresentando algum tipo de lesão e sete mortes.
Isso enquanto em 2024 foram contabilizados 1.624 acidentes, com 11 mortes e 572 pessoas feridas.
A queda mostra que há avanços, mas também evidencia que o trânsito segue como uma das maiores ameaças à vida na cidade, conforme se constata pelos últimos registros.
Maio Amarelo reforça responsabilidade coletiva

A campanha Maio Amarelo, que neste ano em Itabira traz o lema No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas, reforça a necessidade de empatia e responsabilidade compartilhada.
Durante todo o mês, a Transita vem promovendo blitz educativas, palestras, atividades em escolas e ações em pontos estratégicos visando a educação no trânsito.
“Quando falamos de trânsito, não estamos tratando apenas de mobilidade, mas de vidas. A cidade que queremos construir passa pelo cuidado com o outro, pelo respeito às regras e por atitudes mais conscientes”, diz o secretário de Obras e Zeladoria Urbana, Anderson Alves.
Para isso, o trabalho dos agentes da Transita deve ir muito além da fiscalização, e aplicação de multas aos infratores. Afinal, a educação no trânsito é fundamental para mudar comportamentos e salvar vidas.

Cidade cresceu sem planejar mobilidade para os mais vulneráveis
Em Itabira, apesar da abertura de novas avenidas nos últimos anos, nenhuma delas foi entregue com ciclovia ou pista exclusiva para pedestres.
O resultado é uma cidade que cresce sem oferecer condições mínimas de segurança para quem anda a pé ou de bicicleta.
O que existem são locais improvisados, como no canal da Penha até o bairro Praia, onde veículos trafegam em alta velocidade, colocando em risco quem precisa se deslocar diariamente, ou fazer caminhadas ou transitar de biciletas.
A avenida Machado de Assis, inaugurada pela administração do ex-prefeito Ronaldo Magalhães (2017-2020) e que liga regiões densamente povoadas dos bairros João XXIII e Gabiroba, repete o erro de não contar com ciclovia.
O trânsito rápido ameaça pedestres e ciclistas, que precisam disputar espaço com veículos de passeio e caminhões que trafegam entre as duas regiões.
É comum ver mães atravessando a avenida com crianças pequenas sem faixa de pedestre, idosos caminhando em acostamentos estreitos e ciclistas equilibrando entre carros e caminhões.
Esse cenário se agrava diante da expansão urbana. A cidade cresceu muito nos últimos anos e, com o anúncio da Vale de alongar o horizonte de exaustão de suas minas, a tendência é de que o perímetro urbano se amplie ainda mais.
Daí que Itabira precisa deixar de tratar pedestres e ciclistas sem a atenção e os cuidados que a vida merece – e que são garantidos como direito constitucional.
Itabira Sustentável prevê melhorias para o trânsito e precisa sair do papel
O plano estratégico Itabira Sustentável aponta caminhos para transformar a mobilidade e a segurança urbana.
Entre as propostas estão o redesenho das vias com foco em acessibilidade, a criação de ciclovias e faixas exclusivas para pedestres, a modernização do transporte público coletivo e a integração entre bairros e distritos.
Se colocadas em prática, essas medidas podem reduzir a dependência do transporte individual, incentivar meios alternativos e tornar o trânsito mais seguro.
Mas até agora permanecem apenas como diretrizes, sem execução prática.
São diretrizes para tornar Itabira uma Cidade Inteligente, um conceito que pode parecer utópico, mas é por meio da utopia que a história avança.
Significa usar tecnologia e planejamento para melhorar serviços urbanos, reduzir riscos e aumentar a qualidade de vida.
No trânsito, isso pode ser traduzido em monitoramento inteligente, redesenho de vias, ciclovias e transporte público eficiente.
Mas para que esses projetos avancem, é preciso não apenas vontade política, planejamento e recursos públicos.
Além desses, recursos compensatórios da mineração, setor que impacta diretamente o trânsito na cidade com grande fluxo de veículos a serviço da Vale, podem ser incorporados como contrapartida.
Isso porque, o impacto da mineração sobre a mobilidade é direto. É só observar o fluxo de veículos circulando na cidade, intensificando os riscos e pressionando a infraestrutura viária.
São Paulo já usa inteligência artificial para reduzir acidentes
O estado de São Paulo estabeleceu, recentemente, meta de reduzir pela metade as mortes no trânsito até 2030.
O plano segue a estratégia Visão Zero, que considera inaceitável qualquer morte no trânsito.
A aposta é na redução de velocidade e no uso de inteligência artificial para monitorar veículos e pedestres em tempo real.
Segundo o Detran-SP, até 19 mil vidas podem ser poupadasm neste período.
São realidades distintas, mas o exemplo paulista mostra que tecnologia, gestão integrada e fiscalização intensiva podem salvar vidas.
Para Itabira, o desafio é transformar discurso em prática, combinando fiscalização, educação, infraestrutura e inovação, colocando a vida no centro das decisões.
Mais do que vontade política, é necessário garantir recursos e contrapartidas da mineração, que impacta diretamente a mobilidade urbana.
Só assim a cidade se tornará verdadeiramente inteligente, com um trânsito que respeite e proteja todos os seus cidadãos.









