Neide Barbosa leva sua poética visual à Galeria da Fundação Drummond
Fotos: Divulgação/ Ascom FCCDA
Exposição Desenhos e colagens une palavra, matéria e território em diálogo com a memória de Itabira
Depois de expor seus trabalhos na cidade de Ouro Preto, na Casa de Gonzaga, em outubro do ano passado, a artista plástica itabirana Neide Assunção Barbosa apresenta uma mostra de seu trabalho artístico estará presente com a exposição Desenhos e colagens, que abre nesta quinta-feira (4), às 19h, na galeria da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA).
A exposição segue até 11 de junho e é uma boa oportunidade para conhecer a força poética de sua trajetória, com as linhas que se cruzam e palavras que se transformam em imagem e matéria.
Nos desenhos em bico de pena, Neide Barbosa constrói composições de gestos contínuos e minuciosos. O traço, quase obsessivo, se entrelaça em movimentos que criam uma dinâmica própria.
Entre o preto e o branco, surgem frestas de luz que rompem o escuro do papel e revelam paisagens abstratas e sensíveis. É um convite ao público para mergulhar em uma experiência estética marcada pela delicadeza e intensidade.
Se nos desenhos a artista explora o gesto, nas colagens e objetos ela amplia sua investigação ao incorporar fragmentos de palavras recortadas de horóscopos de jornal.
Esses elementos se entrelaçam à poesia de Carlos Drummond de Andrade, criando composições que transitam entre imagem, textura e linguagem.
O resultado é um diálogo que ressignifica tanto o texto quanto o suporte, aproximando literatura e artes visuais em uma mesma tessitura poética.
Minério e vocabulário: identidade de Itabira
A obra de Neide Barbosa carrega uma forte dimensão territorial. Ao incorporar partículas de minério de ferro em suas criações, ela estabelece uma conexão direta com Itabira, cidade natal de Drummond e a mineração.
Essa escolha transforma o minério em símbolo de memória e identidade, em diálogo com o vocabulário do poeta.
Na mostra realizada em Ouro Preto, a artista já havia apresentado a série Rendas de Minério, em que o pó de ferro se tornava matéria-prima para obras delicadas, quase rendadas, que refletiam sobre território e memória.
Agora, em Itabira, esse gesto ganha ainda mais força, por se enraizar no espaço da FCCDA, onde poesia e arte se encontram em um mesmo chão.
Trajetória
Autodidata, Neide Assunção Barbosa iniciou sua carreira em 1988 e já expôs em espaços de relevância como o BDMG Cultural, o Palácio das Artes (Belo Horizonte), a FAOP (Ouro Preto), além de Itabira.
Participou de diversas mostras coletivas em Minas Gerais e São Paulo, consolidando reconhecimento no cenário das artes visuais.
Sua produção é marcada pela delicadeza e intensidade, sempre em diálogo com a literatura e com o território.
Em Ouro Preto, a crítica destacou como sua obra transformava o cotidiano em poesia visual, reafirmando a singularidade de sua linguagem artística.
Em Itabira, esse percurso se completa, ao unir minério e vocabulário em uma mesma narrativa.
Serviço
Exposição: Neide Barbosa: desenhos e colagens
Abertura: 30 de abril de 2026 (quinta-feira), às 19h
Visitação: 04 de maio a 11 de junho de 2026
Horário: Segunda a sexta, das 8h30 às 17h30
Local: Galeria da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (Itabira/MG)









