Marco Antônio Lage diz que reeleição de Lula é crucial para assegurar o futuro econômico e social de Itabira
Foto: Carlos Cruz
Prefeito relaciona seu apoio à continuidade de projetos estratégicos nas áreas de educação, saúde, industrialização, habitação e infraestrutura, que, segundo ele, dependem da parceria com o governo federal
Em depoimento à reportagem da Vila de Utopia, o prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage (PSB), afirmou que apoia a reeleição do presidente Lula (PT) por considerar que os principais projetos estruturantes previstos para o município nos próximos anos dependem da continuidade da parceria com o governo federal.
Segundo ele, iniciativas ligadas à educação, industrialização, saúde, habitação, infraestrutura e diversificação econômica já estão em fase avançada de negociação – e possuem maior aderência às diretrizes do programa Itabira Sustentável, criado para preparar a cidade para a transição econômica pós-mineração.
“Nós acreditamos que não podemos perder essas oportunidades”, afirmou o prefeito ao se referir aos projetos que já estão encaminhados junto ao governo federal.
Ao justificar seu apoio, Marco Antônio disse que sua posição vai além das questões nacionais relacionadas à democracia, à soberania do país e às políticas públicas implantadas nos governos petistas, que também são cruciais para o país.
De acordo com ele, o principal motivo está diretamente ligado ao futuro de Itabira e à necessidade de construir alternativas econômicas para uma cidade profundamente impactada por mais de oito décadas de exploração mineral.
Para o prefeito, a discussão sobre o futuro do município também envolve uma espécie de reparação histórica. “Itabira deu muito ao Brasil e essa reparação pelos impactos ambientais e sociais da mineração também deve ser considerada pelo governo federal”, declarou, repetindo o que disse a Lula, quando o presidente esteve em Itabira, em 11 de dezembro do ano passado, para a inauguração do Centro de Radioterapia do HNSD.
“Presidente, o senhor sabe o que Itabira representa para o Brasil. Sabe o que saiu daqui para construir este país. E sabe também o tamanho do desafio que enfrentamos agora. O minério está acabando, e Itabira não pode acabar junto”, afirmou na ocasião.
O prefeito lembrou ainda a dívida histórica acumulada pela União com o município. Recordou que, quando Getúlio Vargas criou a Companhia Vale do Rio Doce em 1942, impôs a Itabira uma isenção tributária à mineração que perdurou até 1969, quando foi instituído o Imposto Único sobre Minerais (IUM). Mesmo assim, apenas 20% do tributo ficava com o município, enquanto 70% ia para o Estado e 10% para a União.
“Durante quase três décadas, Itabira viu sua montanha de hematita desaparecer sem receber praticamente nada em troca. E mesmo depois, continuamos com a menor fatia. A cidade que sustentou o Brasil ficou com os passivos. Essa é a dívida histórica que precisa ser enfrentada”, cobrou o prefeito.
Itabira Sustentável
Marco Antônio Lage salienta que o programa estratégico Itabira Sustentável tem maior convergência com projetos já apresentados ao governo federal e que se encontram em fase de análise ou preparação para execução.
Entre eles estão investimentos em infraestrutura hídrica, com a captação de águas do rio Tanque, já em andamento em parceria com a mineradora Vale, a implantação de um novo distrito industrial e a criação de um condomínio industrial voltado à atração de empresas.
O prefeito observa que Itabira já não dispõe de áreas suficientes para receber novos empreendimentos industriais, daí a importância da implantação de um novo distrito industrial como parte da estratégia de diversificação econômica do município.
“Não podemos perder essas oportunidades”, afirmou, com a expectativa de firmar nova parceria público-privada com a mineradora Vale e com o governo federal.
Para Marco Antônio, a discussão sobre o futuro da cidade também envolve uma espécie de reparação histórica. “Itabira deu muito ao Brasil e essa reparação pelos impactos ambientais e sociais da mineração também deve ser considerada pelo governo federal”, declarou.
Segundo ele, a captação de água do rio Tanque, a implantação do novo distrito industrial com a criação de áreas destinadas à instalação de empresas formam a base da infraestrutura necessária para um novo ciclo de desenvolvimento. “Estamos preparando Itabira em termos de infraestrutura para uma nova economia”, disse.
Na avaliação do prefeito, não basta oferecer terrenos para novas empresas. É preciso criar as condições para que o município atraia investimentos e forme profissionais qualificados para os novos empreendimentos que pretende receber.
Por isso, sustenta, a política de desenvolvimento industrial aparece diretamente associada aos investimentos em educação e formação de mão de obra.
Educação e desenvolvimento
O prefeito destacou ainda que a expansão do campus local da Universidade Federal de Itajubá (Unifei) ocupa papel central no processo de diversificação econômica de Itabira. “Depois de 18 anos de Unifei, com menos de dois mil alunos, temos um projeto que não avançou como deveria”, avaliou.
Ele lembrou que o campus foi implantado em julho de 2008, durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio de uma parceria envolvendo o Ministério da Educação, a Prefeitura de Itabira, a Vale e a própria universidade.
Entretanto, segundo o prefeito, após a implantação do campus, o projeto perdeu ritmo e deixou de receber a atenção necessária dos governos federais seguintes, especialmente durante a gestão de Jair Bolsonaro, período em que houve cortes orçamentários significativos, sem ampliação da estrutura acadêmica nem dos cursos ofertados.
Marco Antônio conta que existem negociações avançadas com o Ministério da Educação para a implantação de 12 novos cursos, iniciativa que poderá elevar o número de estudantes para mais de quatro mil alunos. “Mais importante do que prédios e salas de aula são os cursos, com mais estudantes e professors. É isso que vai conectar Itabira à nova economia”, afirmou.
Outra aposta do prefeito é a implantação de um campus pleno do Instituto Federal em Itabira. Segundo ele, as negociações também avançam junto ao governo federal e têm como objetivo oferecer formação técnica voltada às novas demandas do mercado de trabalho.
Marco Antônio considera que a qualificação dos jovens será tão importante quanto os investimentos em infraestrutura. Na sua avaliação, o município precisa formar profissionais capazes de ocupar postos de trabalho que deverão surgir a partir da atração de novas indústrias e do fortalecimento de setores econômicos emergentes.
Saúde e a criação de um macropolo médico regional
Na área da saúde, Marco Antônio acredita que Itabira reúne condições para se consolidar como um macropolo regional de atendimento especializado, ampliando sua influência para além das fronteiras do Médio Piracicaba. “Estamos criando uma estrutura capaz de atender até um milhão de pessoas”, afirmou.
Segundo o prefeito, essa estratégia combina desenvolvimento social e geração de oportunidades econômicas para o município. A proposta é transformar Itabira em referência regional em serviços de saúde de média e alta complexidade, atraindo pacientes de diversas cidades e fortalecendo um novo segmento econômico baseado no atendimento médico-hospitalar especializado.
Marco Antônio sustenta que esse processo já começou com a implantação do serviço de radioterapia no Hospital Nossa Senhora das Dores, viabilizado no atual governo federal. E que poderá avançar com investimentos em novas especialidades, ampliação da estrutura hospitalar e fortalecimento da rede regional de atendimento.
Na avaliação do prefeito, o crescimento do setor da saúde pode gerar empregos qualificados e movimentar diversos segmentos da economia local. “Estamos ampliando volume de pacientes em tratamento que também movimenta hotéis, restaurantes, clínicas e outros serviços”, observou.
Segundo ele, a consolidação desse projeto integra uma estratégia mais ampla de diversificação econômica, preparando Itabira para reduzir sua dependência histórica da mineração. “Além da mineração, precisamos criar novas vocações econômicas. A área da saúde é uma delas”, defendeu.
O prefeito também destacou que os investimentos previstos pelo Novo PAC para o município incluem recursos para ampliação hospitalar, unidades de saúde e fortalecimento da estrutura assistencial.
São iniciativas que, segundo ele, ajudam a consolidar a proposta de transformar Itabira em uma referência regional no atendimento médico-hospitalar especializado.
Aeroporto regional, PAC e habitação popular
O prefeito também mencionou a proposta de implantação de um aeroporto regional em Itabira, uma reivindicação antiga do município que sempre retorna em época de eleições, sem sucesso. Segundo ele, o projeto já está elaborado e vem sendo discutido com o Ministério de Portos e Aeroportos.
Além disso, destacou investimentos previstos no Novo PAC, estimados em aproximadamente R$ 150 milhões para o município. Os recursos contemplariam ampliação da estrutura hospitalar, unidades de saúde, educação infantil, saneamento básico e habitação popular.
Marco Antônio lembrou que a construção de 80 moradias populares pelo programa Minha Casa, Minha Vida já foi aprovada e está em fase de licitação, enquanto outras 300 unidades habitacionais seguem em tramitação para futura aprovação.
Segundo ele, investimentos em saneamento, saúde, educação infantil, habitação e infraestrutura integram uma mesma estratégia de preparação do município para o período pós-mineração.
Minerais críticos e nova industrialização
Como presidente da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (Amig), Marco Antônio afirmou ter encontrado no governo federal receptividade para uma pauta considerada estratégica para cidades mineradas: a industrialização dos minerais extraídos no país.
Segundo ele, a meta é romper com o que chamou de “entreguismo” histórico da mineração brasileira e ampliar o beneficiamento dos minerais em território nacional antes da exportação.
“Com muita honra, fui nomeado pelo presidente Lula para integrar esse conselho”, declarou ao comentar sua participação no Conselho Estratégico da Industrialização de Minerais Críticos, Estratégicos e Terras Raras.
O prefeito acredita que essa articulação cria uma oportunidade inédita para atrair novas indústrias para Itabira e ampliar a participação do município na cadeia produtiva dos chamados minerais do futuro.
Perspectivas
Ao concluir o depoimento, Marco Antônio afirmou que Itabira voltou a receber atenção do governo federal após décadas sem investimentos expressivos da União, à exceção da Unifei, no segundo governo de Lula e os investimentos atuais.
Entre os exemplos recentes citados estão a implantação da Casa da Igualdade Racial, o serviço de radioterapia, os investimentos previstos pelo Novo PAC e os projetos em andamento nas áreas de educação, saúde e infraestrutura.
O prefeito disse também que não encontrou a mesma receptividade durante o governo Bolsonaro. E lembrou que, antes da implantação da radioterapia, o município conviveu por quase três décadas sem investimentos federais significativos.
Para Marco Antônio Lage, a continuidade dessas parcerias é fundamental para que Itabira consiga superar sua dependência histórica da mineração e construir um novo ciclo de desenvolvimento econômico e social sustentável.
“A reeleição do presidente Lula é o melhor que pode acontecer para Itabira neste momento”, afirmou o prefeito, que aposta em sua vitória neste domingo (25).
É que, segundo ele, Itabira precisa de um governo federal disposto a apoiar sua transição econômica e a manter um olhar diferenciado para um território que, ao longo de décadas, contribuiu decisivamente para o desenvolvimento do país – e também do mundo.
Marco Antônio lembra que a hematita extraída do pico do Cauê ajudou a impulsionar a industrialização brasileira e teve papel relevante no enfrentamento ao nazi-fascismo durante a Segunda Guerra Mundial. Posteriormente, esse mesmo minério também abasteceu a reconstrução econômica de países devastados pelo conflito, entre eles Alemanha e Japão – e toda a Europa.
Apesar dessa contribuição histórica, o prefeito considera que Itabira jamais recebeu uma contrapartida proporcional à riqueza extraída de seu subsolo. “A cidade ajudou a construir parte importante da riqueza nacional e internacional, mas não ficou com o retorno que seria justo diante de tudo o que entregou ao Brasil e ao mundo”, argumenta.
Para Marco Antônio, essa realidade reforça a necessidade de uma política permanente de reparação econômica, social e ambiental, associada a investimentos capazes de preparar o município para o período posterior à exaustão do pouco que ainda resta de seus recursos minerais.









