Lula discursa na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Presidente abordou reforma da ONU, conflitos internacionais, soberania, clima, desenvolvimento, redução das desigualdades e regulação das novas tecnologias
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou, nesta terça-feira (22), no Debate Geral da 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova Yorque Estados Unidos.
Na abertura do encontro, o presidente abordou a crise do multilateralismo, a reforma da ONU, os conflitos internacionais, o combate ao crime organizado, a agenda ambiental, o desenvolvimento sustentável, a redução das desigualdades e a regulação das novas tecnologias.
Tradicionalmente, o Brasil é o primeiro país a discursar no debate geral desde a 10ª sessão da Assembleia Geral, em 1955. O tema do encontro deste ano é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.
Reforma da ONU
Lula iniciou o discurso defendendo a reforma das Nações Unidas, em particular do Conselho de Segurança. O presidente associou o aumento do número de conflitos armados, a corrida armamentista e as tensões geopolíticas a uma crise de liderança e destacou a necessidade de maior articulação entre os países que integram o Conselho.
Ao abordar a atuação das Nações Unidas, Lula fez um balanço das contribuições da organização desde sua criação, citando a descolonização, a promoção dos direitos humanos, o desenvolvimento sustentável, a proteção de migrantes e refugiados e o combate ao racismo, ao antissemitismo e à intolerância religiosa.
O presidente também mencionou mudanças recentes promovidas no âmbito da ONU, como o reconhecimento do tráfico de africanos escravizados como grave crime contra a humanidade e a aprovação de uma representação mais precisa do mapa-múndi.
Conflitos e Diplomacia
Em sua fala, o presidente Lula mencionou conflitos em curso no Oriente Médio, incluindo a situação em Gaza, os assentamentos na Cisjordânia e o conflito no Estreito de Ormuz, além da guerra entre Rússia e Ucrânia. Nesse cenário, defendeu a diplomacia e o diálogo como caminhos para a prevenção e a solução de conflitos.
Ao tratar da guerra entre Rússia e Ucrânia, Lula destacou a continuidade do drama humanitário e citou iniciativas voltadas à promoção do diálogo, como o Grupo de Amigos da Paz, criado por Brasil e China.
O presidente também abordou as relações entre os países da América Latina e do Caribe e defendeu a não interferência em assuntos internos e a ampliação da cooperação regional. Entre os países mencionados estiveram Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba.
Combate ao crime
Outro tema abordado no discurso foi o combate ao crime organizado transnacional. Lula defendeu a cooperação internacional para o controle das fronteiras e o enfrentamento do fluxo de armas e de recursos financeiros destinados às organizações criminosas.
No discurso, o presidente também mencionou a cooperação policial entre os países amazônicos e citou iniciativas brasileiras de enfrentamento ao crime organizado, incluindo a atuação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que reúne autoridades de segurança pública dos nove países amazônicos.
Lula destacou ainda ações realizadas no Brasil, como operações de combate ao crime organizado, apreensões de drogas, bens e recursos ilícitos e o enfrentamento dos diferentes níveis das organizações criminosas. Também mencionou a Lei Antifacção e a relação entre crime organizado e corrupção.
Multilateralismo e saúde global
Lula também apontou desafios ao sistema multilateral e citou a situação da Organização Mundial do Comércio (OMC), diante do uso de tarifas como instrumento de pressão nas relações internacionais.
Na área da saúde, o presidente mencionou os efeitos da desinformação e das campanhas contra vacinas, além dos impactos da pandemia de Covid-19. Também defendeu o fortalecimento da Organização Mundial da Saúde (OMS) como parte da resposta internacional aos desafios sanitários.
Meio ambiente
Sobre o meio ambiente e a mudança do clima, Lula defendeu a retomada da agenda climática nos principais fóruns internacionais. O presidente mencionou os efeitos de eventos climáticos extremos, como o Super El Niño, com consequências que atingirão principalmente as populações mais vulneráveis.
Lula também destacou a agenda brasileira de transição para uma economia de baixo carbono e mencionou o Mapa do Caminho para a descarbonização, elaborado durante a presidência brasileira da COP30. O presidente citou ainda o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), voltado à mobilização de recursos para a conservação das florestas
tropicais.
Ao abordar os recursos naturais, o presidente mencionou os minerais críticos e as terras raras como estratégicos para a transição energética e defendeu que sua exploração gere valor no território brasileiro, amplie a transferência de tecnologia e contribua para o atendimento de setores estratégicos do país.
Desenvolvimento e desigualdade
Na agenda de desenvolvimento sustentável, o presidente abordou a redução das desigualdades e a ampliação dos investimentos em educação e saúde. Também mencionou a geração de empregos, a distribuição de renda, a proteção social, a redução da jornada de trabalho e a proteção das mulheres.
Lula citou iniciativas de cooperação internacional voltadas ao combate à fome e à redução das desigualdades, como a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e o Painel Internacional sobre Desigualdade.
Ele também apresentou aspectos da política econômica brasileira, mencionando o crescimento sustentado, o aumento dos investimentos estrangeiros, a ampliação do crédito e a construção de uma rede de proteção social.
Ao abordar o mundo do trabalho, o presidente defendeu mudanças na organização da jornada e mencionou o fim da chamada escala 6×1, com dois dias livres por semana. Segundo Lula, a medida também contribuiria para reduzir a sobrecarga doméstica que recai sobre as mulheres.
Mulheres
A proteção e a ampliação dos direitos das mulheres também foram mencionadas no discurso. Lula destacou a participação feminina no mercado de trabalho e nos espaços de poder e defendeu o enfrentamento da violência contra as mulheres e do feminicídio.
Tecnologia
O discurso também apontou para a necessidade de estabelecer regras para as grandes empresas de tecnologia, as big techs, e para o desenvolvimento de Inteligência Artificial. Lula citou princípios como responsabilidade e transparência.
Outro tema mencionado foi o impacto das plataformas de apostas no endividamento da população. Na área de proteção digital, o presidente mencionou o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que estabelece regras para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.
A legislação entrou em vigor em março de 2026 e prevê medidas relacionadas, entre outros pontos, à proteção de dados, à aferição de idade e à responsabilidade das plataformas.
Lula também mencionou a necessidade de garantir a remuneração de artistas, músicos e criadores de conteúdo audiovisual e defendeu a preservação do Pix como infraestrutura pública e gratuita de pagamentos.
ONU
Criada em 1945, a Organização das Nações Unidas reúne atualmente 193 Estados-membros, além de dois Estados observadores: Palestina e Santa Sé. Todos os anos, a Assembleia Geral realiza sua sessão ordinária.
A 81ª sessão foi aberta em 8 de setembro. Sua Semana de Alto Nível reúne chefes de Estado e de Governo, ministros e outras autoridades em Nova York e inclui o Debate Geral, realizado neste ano de 22 a 26 e em 28 de setembro.
Fonte: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República









