Itabira, qual é o seu futuro?
Carlos Felipe Horta*
A terra de Drummond, o lugar em que a Vale nasceu, cidade de poetas, de cultura, nascente polo educacional, referência comercial, quanta coisa se pode dizer de Itabira? Infelizmente, no meio de tantos elogios, pouco a pouco um outro qualificativo vem se tornando frequente: a Itabira da Insegurança.
Quem quiser fazer uma pesquisa, que faça. Por exemplo, à noite, alguém passa pelos quebra-molas perto da Pedreira sem ter medo de ser assaltado? Quantos bairros há na cidade em que a própria polícia, quando entra, vai com temor? O tráfico de drogas, quais são os dados a respeito? Quem tem coragem de passar à noite por algumas estradas de terra e vicinais do município?
Perguntas não faltam e infelizmente as respostas são altamente negativas. Um fato acontecido esta semana prova a que ponto chegaram a impunidade e, pode-se dizer, até o deboche, dos bandidos com a autoridade e a segurança em Itabira. Recentemente, uma fazenda entre o Peão e os Machados foi arrombada, com os bandidos levando o que quiseram. Os moradores, com medo, passaram a não dormir no local, só indo com um vizinho, em sua camionete. Indo e voltando no mesmo dia.
Na semana atrasada, os bandidos assaltaram o dono da camionete na região dos Gatos, com armas apontadas para ele e seu neto. Levaram a camionete. Neste fim de semana, a fazenda assaltada recentemente, foi arrombada de novo e os bandidos levaram novamente o que quiseram.
Com um detalhe: com uma camionete, certamente a que foi roubada. E as autoridades de segurança, que dizem a isso? É difícil imaginar que não tenham nenhuma informação a respeito.
Qualquer investigação poderia levar, claramente, aos bandidos. Será que vai ser preciso alguém morrer para uma atitude ser tomada? Como o fato citado não é único, a pergunta que fica: será que Itabira, que já está ameaçada de perder a arrecadação da Vale, já está perdendo completamente a sua segurança?










Carlos Felipe, itabirano não gosta de comentários da negatividade da cidade. Você sabe o que significa CeCuBuCa?
Em resumo, ao longo de mais de 50 anos, o poder público e boa parte da classe política viraram as costas para nós.
O único prefeito que, na minha avaliação, realmente olhou pela nossa comunidade foi Daniel Jardim de Grisolia.
Hoje, a sensação que fica é de abandono. Estamos entregues à própria sorte, sem a atenção e o respeito que uma comunidade com tanta história merece.
Como falar em futuro para Itabira se comunidades que ajudaram a construir a história e a riqueza deste município continuam esquecidas?
O que penso sobre o futuro de Itabira?
É difícil dizer o que penso sobre o futuro de Itabira. Nasci na comunidade do Rio de Peixe e tenho propriedades naquela região. Por isso, falar sobre o futuro do município também significa falar sobre a história da minha comunidade e sobre as marcas que ela carrega.
Na década de 1970, a Vale S.A., antiga CVRD, praticamente dizimou a nossa comunidade, que, naquela época, era extremamente vibrante e rica em cultura, com suas festas religiosas, bailes e tradicionais partidas de futebol nas tardes de domingo.
Era uma comunidade que já contava com posto médico, horta comunitária acompanhada e orientada pela EMATER e até telefone público — um verdadeiro luxo para aquela época.
Entretanto, por meio de um processo de desapropriação que considero nefasto, criminoso e desumano, a CVRD retirou mais de 90% das famílias de suas terras para instalar duas grandes barragens: a do Rio de Peixe e a do Itabiruçu.
Em resumo, ao longo de mais de 50 anos, o poder público e boa parte da classe política viraram as costas para nós.
O único prefeito que, na minha avaliação, realmente olhou pela nossa comunidade foi Daniel Jardim de Grisolia.
Hoje, a sensação que fica é de abandono. Estamos entregues à própria sorte, sem a atenção e o respeito que uma comunidade com tanta história merece.
Como falar em futuro para Itabira se comunidades que ajudaram a construir a história e a riqueza deste município continuam esquecidas?