D. – há 101 anos
Foto: Reprodução/IMS
|Com esta inicial, Drummond assinou resenhas de livros em A Revista (n.2 e 3, 1925-26). A autoria foi estabelecida por Plínio Doyle em seu artigo “História de revistas e jornais literários” (Revista do Livro, Rio, ano XII, n. 37, 2º. trimestre de 1969). Fernando Py |
As opiniões de Chuang-Tzú
D.
Ninguém entre nós conhece Chuang-Tzú; entretanto, ele se distingue por duas grandes qualidades: é filosofo e é chinês. E para que não duvidem de sua existência, informarei logo que suas obras foram traduzidas para o inglês pelo antigo cônsul britânico em Tamsui, Herbert Giles, sob o título “Chuang-Tzú, místico, moralista e reformador social”.
Sobre esse livro Oscar Wilde (já lá se vão 30 e tantos anos!) escreveu um espiritual artigo no Speaker. Não nos detenhamos mais com a sua identidade. Está provado que Chuang-Tzú existiu. Eu, por mim, não resisto ao prazer de copiar-lhe algumas opiniões sobre “o homem perfeito”:
“O homem perfeito não faz outra coisa senão contemplar o universo. Não adota nenhuma atitude absoluta. Em movimento, é como a água; em repouso, como o espelho. E como o eco, ele não responde senão quando é chamado.
Deixa as coisas exteriores se combinarem como entendam. Nada de material o prejudica e nada de espiritual o atormenta. Seu equilíbrio mental concede-lhe o império do mundo. Nunca será escravo das existências objetivas. Sabe que, assim como os melhores pensamentos são os que jamais nos ocorreu, as melhores ações são as que jamais se praticam…
O homem perfeito é inerte, e aceita as leis da vida. Repousa sobre a inatividade, e fica a ver o mundo tornar-se virtuoso por si mesmo. Não tenta jamais “realizar as suas boas ações, e não se consome na luta. Para que afligir-se com distinções morais? As coisas são o que são, e as consequências serão o que hão de ser. Seu espirito é o espelho da criação, e ele, o homem perfeito, vive na tranquilidade.”
Chuang-Tzú morreu há dois mil anos, e continua a ser verdadeiro…
[Fonte: Revista do Livro, Rio, ano XII, n. 37, 2º. trimestre de 1969 – Pesquisa: Cristina Silveira]









