Coordenadora do Cemae destaca trabalho de inclusão na rede municipal de educação de Itabira

Foto: Jessica Estefani/
Ascom/CMI

Cleusa Aparecida dos Santos apresenta na Câmara como o centro dá apoio às escolas e famílias no atendimento a alunos com deficiência, transtornos do espectro autista e altas habilidades, reforçando que inclusão é lei e não favor

A coordenadora do Centro Municipal de Apoio Educacional (Cemae), Cleusa Aparecida dos Santos, participou da reunião ordinária da Câmara Municipal nessa terça-feira (3) , quando apresentou o papel do órgão na promoção da inclusão escolar em Itabira.

Em seu pronunciamento na Tribuna da Câmara, ela destacou que algumas escolas da rede já concentram mais de 40 alunos com deficiência ou transtornos do espectro autista. Esse número, segundo ela, é superior ao atendido pela Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).

Para Cleusa, essa realidade exige uma reorganização da rotina escolar e das práticas pedagógicas. “Esse número representa um esforço enorme de organização e de dinâmica escolar, para que possamos favorecer o processo de aprendizagem de todos os alunos, incluindo aqueles com deficiência e transtornos do espectro autista”, afirmou.

Inclusão é lei e se consolida na rede municipal

Cleusa lembrou que a inclusão escolar não é favor, mas obrigação legal, e que o município precisa garantir condições para que ela aconteça de forma efetiva.

Para isso, o Cemae, criado há três décadas, acompanha atualmente 539 alunos e funciona como um braço da Secretaria Municipal de Educação, coordenando o serviço de educação especial e oferecendo suporte às escolas e às famílias.

Ela explicou que o Cemae conta com uma equipe multidisciplinar formada por psicólogos, assistentes sociais, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais, que atuam de forma itinerante nas escolas e creches municipais, acompanhando alunos e orientando famílias e profissionais da educação.

Conforme destacou, o município já dispõe de 11 salas de recursos e está em fase de implantação de mais uma, além de organizar a criação de salas de estimulação precoce voltadas para a educação infantil.

Cleusa ressaltou ainda que, para muitos estudantes, esse atendimento educacional especializado é o único serviço disponível, diante da dificuldade de acesso às políticas de saúde e assistência social. “Esse quantitativo impacta não só a educação, mas todas as outras políticas públicas”, afirmou.

Vereadores reconhecem serviço e cobram avanços

O pronunciamento da coordenadora repercutiu entre os vereadores, que reconheceram a importância do trabalho do Cemae – e também apontaram desafios para a política de inclusão em Itabira.

O vereador Hudson “Yuyu da Pedreira” Junior Diogo Santos (PSB) disse ter ficado surpreso com os números apresentados. Salientou que a procura da população por serviços voltados às pessoas com deficiência é cada vez maior.

Para ele, a explanação da coordenadora trouxe clareza sobre a dimensão da demanda. “Agora temos uma resposta também para dar para a comunidade”, afirmou, ressaltando que a sociedade cobra soluções práticas e eficazes.

Já o vereador Júlio “Contador” César de Araújo (PRD) reforçou que os dados atualizados mostram a urgência de ampliar políticas públicas voltadas à inclusão.

Ele lembrou visita que fez ao Cemae, quando pôde conhecer de perto o trabalho da equipe. E destacou que a estrutura existente precisa ser fortalecida para acompanhar o crescimento da demanda.

O vereador Bernardo Rosa (PSB) foi enfático ao afirmar que “a cidade não é inclusiva”. Para ele, inclusão significa inserção plena na sociedade, e não apenas acesso à escola.

Rosa citou o exemplo de uma pesquisadora autista que se tornou referência em robótica, para mostrar que pessoas com deficiência podem alcançar protagonismo quando recebem apoio adequado.

A vereadora Jordana Madeira (PDT) questionou sobre o atendimento dos fonoaudiólogos, recebendo esclarecimentos da coordenadora sobre o papel educacional desses profissionais, além da futura implantação de salas de estimulação precoce voltadas para a educação infantil.

Inclusão se fortalece como política pública

A presença da coordenadora na Câmara mostra como o ensino municipal de Itabira vem fortalecendo a inclusão escolar com o apoio do Cemae.

Conforme ela frisou, mais do que um gesto de boa vontade, trata-se de uma obrigação legal, que é para assegurar que alunos com deficiência, transtornos do espectro autista e altas habilidades tenham acesso a serviços especializados e possam participar plenamente da vida escolar – e da própria sociedade.

As manifestações dos vereadores reforçam o reconhecimento da importância desse trabalho e a necessidade de ampliar políticas públicas para assegurar cidadania e dignidade às pessoas com deficiência – e também às suas famílias.

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