Carlos Alberto – há 103 anos

 Foto: Reprodução

|Este pseudônimo subscreve somente duas publicações: o poema-em-prosa “São sete hora da noite” (Diário de Minas, 13-9-1928) e o famoso “Poema de sete faces”, (id., 25-12-1928). A publicação original do primeiro está em Para Todos…, 23-1-1926, e vem assinada Carlos Drummond. Fernando Py |

|Fernando Py citou os dois poemas, “São sete hora da noite” e “Poema de sete faces”, com assinatura de Carlos Alberto, mas encontramos o poema “Que importa…” assinado por Carlos Alberto, em Para Todos…, Rio, 6-1-1923.|

 

Que me importa!….

Agora passas sempre apressada

E não me afagas nem dizes nada…

Qual foi o crime que eu pratiquei?

Passas tão linda, minha de outr’ora!

Tens algum outro que te ama agora…

Mas… que me importa? Se já te amei?

Vais com certeza servir teus beijos

A algum mancebo de vis desejos…

Hoje, o deboche teu peito aninha!

Nem te recordas que, outr’ora, nua,

Tu me dizias: vem? Que sou tua…

Mas… que me importa! Se foste minha!

Nessa tu’alma, louca, inconstante,

Bem sei! Não vivo num triste instante…

Cantas, maldita, ventura infinda!

E enquanto eu choro, gozas, traidora

Dando teu corpo de traidora!

Mas… que me importa! Se eu te amo ainda!…

[Pesquisa: Cristina Silveira]

 

 

 

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