Campanha eleitoral tem início neste domingo (16), com candidaturas de Itabira já definidas
Fotos: Carlos Cruz/ Reprodução/Redes Sociais
Após o fim da pré-campanha e o prazo final de registros, nomes locais entram na disputa em meio à fragmentação política e à polarização ideológica que marcam o cenário nacional
Nesta campanha eleitoral, Itabira terá nove nomes, se não surgirem mais, uma vez que o prazo para inscrição de candidaturas encerra-se neste sábado (15), às 20h, disputando vagas na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e na Câmara dos Deputados, além de uma suplência ao Senado. Até esse horário, partidos, federações e coligações podem protocolar seus pedidos de registro no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No sistema da Justiça Eleitoral, alguns candidatos locais já aparecem com situação “Apto”, o que significa que tiveram seus registros deferidos e estão oficialmente autorizados a disputar a cargo eletivo.
Outros constam como “Registrado – em análise”, aguardando julgamento do TRE-MG. Essa pendência, no entanto, não impede o início da campanha, já que todos os que protocolaram seus pedidos dentro do prazo legal podem realizar propaganda eleitoral a partir deste domingo.
Caso algum registro seja indeferido mais adiante, o candidato terá que suspender sua campanha.
Os candidatos de Itabira que entram na disputa são, para deputado federal Bernardo Mucida (Avante), já com registro deferido e situação “Apto”; Rosilene Félix (Avante), com registro em análise; Sibele Machado (Republicanos), também em análise; e o vice-prefeito Marco Antônio Gomes (PRD), ainda aguardando julgamento.
Para deputado estadual, concorrem Luiz Carlos de Ipoema (Progressistas – PP), já com registro deferido e situação “Apto”; Wilson Campos (PSD), com registro em análise; Júlio Contador (Republicanos), em análise; Núbia Citty (Rede Sustentabilidade, federação PSOL-Rede), em análise; e Fabrício Vieira Andrade (PRD), também em análise.
Além deles, a primeira-dama Raquell Guimarães (Rede Sustentabilidade) integra a chapa da candidata Áurea Carolina (PSOL) ao Senado como primeira suplente.
Campo ideológico das candidaturas
O espectro político das candidaturas de Itabira revela predominância de partidos de centro-direita, como PP, Avante, PSD, Republicanos e PRD.

Apenas duas candidaturas se situam no campo da esquerda: Núbia Citty, que concorre a deputada estadual pela Rede Sustentabilidade, e Raquell Guimarães, também da Rede, como primeira suplente ao Senado.
A decisão da direção nacional da federação PSOL-Rede, que reverteu a posição tomada em Minas Gerais de apoiar Alexandre Kalil e passou a apoiar Patrus Ananias (PT) ao governo estadual, abriu espaço para a inclusão de Raquell Guimarães na chapa de Áurea Carolina (PSOL).
Primeira-dama de Itabira, Raquell Guimarães havia cogitado disputar vaga na Assembleia Legislativa, mas recuou diante do baixo recall em seu principal reduto eleitoral, em Itabira.
A definição de sua candidatura como suplente ao Senado ocorreu na noite de terça-feira (11), em reunião da federação PSOL-Rede. Além de Raquell como primeira suplente, Felipe Fonseca (PSOL) foi definido como segundo suplente.
Neste domingo, a estilista Raquell Guimarães e a advogada Núbia Citty farão lançamento conjunto de suas candidaturas em Itabira, simbolizando a unidade da federação e a tentativa de ampliar a presença da esquerda em Itabira.

Já no campo da direita, o vice-prefeito de Itabira, Marco Antônio Gomes (PRD) lançou sua candidatura a deputado federal após romper com o prefeito Marco Antônio Lage (PSB).
O rompimento foi marcado por sucessivos atritos desde o primeiro mandato, quando Gomes criticou a nomeação de uma professora em relação homoafetiva para a Secretaria Municipal de Educação, afirmando que havia “demônios na Prefeitura”, declaração que expôs seu perfil conservador e gerou forte repercussão negativa.
Médico e pastor batista, Gomes aposta em uma campanha centrada em pautas conservadoras e na defesa de maior representatividade regional em Brasília. Seu registro está em análise no TSE, mas ele já pode iniciar campanha neste domingo.
Já o ex-deputado estadual Bernardo Mucida (Avante) desponta como o candidato de maior visibilidade, usufruindo do recall das campanhas anteriores que disputou, mesmo tendo alcançado relativo sucesso.
Ele deixou o PSB para se filiar ao Avante, partido de direita, numa estratégia de ampliar sua base eleitoral em municípios onde destinou emendas parlamentares.
Embora essa prática seja legal, levanta questionamentos por configurar propaganda antecipada com recursos públicos, afetando a isonomia entre candidatos. Mas eleitoralmente pode apresentar resultados.

É assim que Mucida aposta em uma campanha pouco ideológica, centrada nos benefícios que levou a diferentes regiões, buscando compensar a perda de votos à esquerda com ganhos à direita.
A também candidata a deputada federal Rosilene Félix (Avante), advogada e ex-vereadora, aposta em sua trajetória comunitária e na defesa de pautas sociais, buscando ampliar a representatividade feminina na Câmara dos Deputados.
Por seu lado, a professora Cibele Machado (Republicanos), ativista ligada a movimentos religiosos, reforça o campo conservador com uma campanha voltada para valores cristãos e defesa da família, além de pautas sociais.
O vereador Luiz Carlos de Ipoema (PP), já com registro deferido, aposta em sua base consolidada no distrito de Ipoema, com crescimento na cidade de Itabira entre os que fazem oposição ao prefeito Marco Antônio Lage (PSB).

O empresário Wilson Campos (PSD), com trajetória ligada ao setor lojista, apresenta propostas voltadas para desenvolvimento econômico e infraestrutura.
O vereador Júlio Contador (Republicanos), ex-secretário municipal de Fazenda, traz a marca da experiência administrativa e da gestão pública como diferencial.
Já Fabrício Vieira Andrade (PRD), professor e pesquisador da Unifei, aposta em uma campanha voltada para ciência, inovação e educação, com o propósito de inserir a pauta acadêmica no legislativo mineiro.
Fiasco de Itabira nas eleições
A chegada de candidatos “paraquedistas” fisiológicos e ideológicos à região, somada à histórica divisão entre os políticos locais, com a consequente pulverização dos votos, coloca Itabira diante do risco de repetir a mesma história de ficar sem representantes próprios na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e na Câmara dos Deputados, em Brasília.

A última vez que o município conseguiu eleger simultaneamente um deputado estadual e um federal foi em 1988, com Luiz Menezes (PFL) para a Assembleia Legislativa e Li Guerra (PDT) para a Câmara dos Deputados. Antes, havia elegido o ex-prefeito Jairo Magalhães, em 1982, que no entanto não se reelegeu na eleição seguinte.
Desde antes, essa divisão e pulverização dos votos tem impedido a consolidação de lideranças locais, agravada pelo baixo recall das candidaturas à direita e à esquerda, em sua maioria figurantes, meros balões de ensaio para a eleição municipal de 2028.
Na legislatura passada, Bernardo Mucida (ex-PSB, agora no Avante) assumiu vaga como suplente em 2021, mas não conseguiu se reeleger em 2022.
Agora tenta uma vaga de deputado federal, enfrentando novamente a divisão de votos em sua principal base eleitoral, perdendo apoio à esquerda, mas buscando compensar com votos à direita.

Esse histórico reforça a contradição de Itabira, uma cidade de peso econômico e cultural em Minas Gerais, mas que não consegue consolidar representação própria, ficando sempre à mercê de parlamentares de outras regiões para defender seus interesses.
Pela primeira vez, no entanto, o município terá uma representante vinculada ao Senado, ainda que como suplente. Essa novidade reforça a importância da participação feminina e da diversidade partidária no cenário político local, além de marcar a inserção de Itabira em uma disputa de maior alcance estadual.
Expectativas para a campanha
Com o lançamento conjunto das candidaturas de Núbia Citty e Raquell Guimarães neste domingo (16), a campanha eleitoral em Itabira começa a ganhar ritmo.
Os demais candidatos também devem realizar seus lançamentos nos próximos dias, prometendo aquecer a disputa na cidade e refletindo a polarização ideológica que marca o cenário nacional.

A expectativa é que comícios (se é que ainda são realizados), carreatas, motociatas, passeatas, panfletagens e debates locais tragam à tona não apenas as propostas, mas também as contradições de um município que, apesar de sua relevância econômica e histórica, ainda luta para conquistar representação própria nos espaços legislativos de Minas Gerais e do Brasil.
Enquanto isso, Itabira enfrenta o desafio da exaustão gradual de suas minas de ferro e da necessidade urgente de construir alternativas econômicas sustentáveis.
Sem candidaturas locais viáveis eleitoralmente, continuará dependente de políticos de fora para defender suas demandas históricas e invariavelmente postergadas. Quiçá esse quadro possa finalmente mudar em 4 de outubro.
Cabe agora aos candidatos locais provar que são capazes de romper com o histórico de fragmentação e conquistar votos suficientes para garantir representação própria para o município de Itabira e região.
Campanha eleitoral começa neste domingo com regras rígidas para internet e proibição de deepfakes
Com o encerramento do prazo para registro de candidaturas neste sábado (15), chega ao fim a fase de pré-campanha eleitoral.
A partir deste domingo (16), já está liberada a campanha eleitoral, com ações presenciais como panfletagem, comícios e carreatas até a véspera do primeiro turno das eleições, em 4 de outubro.

Além das mobilizações de rua, também está autorizada a propaganda na internet e em redes sociais, desde que os endereços eletrônicos sejam previamente informados à Justiça Eleitoral.
O uso de inteligência artificial em campanhas eleitorais é permitido, mas o Tribunal Superior Eleitoral proibiu de forma expressa a utilização de deepfakes e de qualquer manipulação que distorça a realidade.
A regra vale tanto para candidatos quanto para apoiadores, reforçando que a internet não pode ser tratada como “casa de mãe Joana”: há normas, fiscalização e poder de polícia para coibir abusos.
É bom que candidatos e apoiadores não titubeiem, pois o descumprimento pode resultar em sanções severas, incluindo multa e até cassação de registro ou diploma
O horário eleitoral gratuito em rádio e televisão terá início em 28 de agosto e seguirá até 1º de outubro, com programas em rede e inserções distribuídas ao longo da programação.
Até lá, os candidatos podem realizar suas campanhas, respeitando os limites de horário e as restrições de distância mínima de prédios públicos, escolas, hospitais e igrejas.









