Câmara de Itabira debate prevenção do câncer de pele melanoma acral, o mesmo que matou Bob Marley e vitimou o itabirano Ricardo Freitas

Foto: Reprodução/
CMI

A irmã Regina Freitas emociona vereadores ao relatar a luta do irmão contra o câncer e reforça a urgência do diagnóstico precoce

A convite do vereador Elias dos Reis de Lima (Solidariedade), a itabirana Regina Freitas ocupou a tribuna da Câmara Municipal de Itabira, na sessão de quarta-feira (22), para alertar a população sobre os riscos do câncer de pele.

Em seu pronunciamento, ela relembrou a morte de seu irmão, Ricardo Freitas, que faleceu aos 49 anos, vítima de um melanoma acral, o mesmo tipo de câncer que matou Bob Marley em 1981.

Regina explicou que a doença se manifestou inicialmente como uma pequena mancha na sola do pé, aparentemente inofensiva, mas que evoluiu rapidamente até se tornar um câncer agressivo e fatal.

Esse tipo de melanoma é raro, geralmente aparece em regiões como pés, mãos e unhas – e não está diretamente ligado à exposição solar. Por ser silencioso, geralmente só é diagnosticado tardiamente, o que reduz as chances de cura.

“Ricardo nunca fumou, nunca bebeu, nunca se drogou. Era um atleta e morreu dando o seu último suspiro numa máscara de oxigênio”, contou a irmã, emocionada.

Ela destacou que o irmão dedicou a vida ao judô e à formação de crianças e jovens, promovendo disciplina, respeito e inclusão social. “O que esse rapaz fez com 49 anos de vida, muita gente não faz em 80 ou 100 anos”, afirmou.

Para Regina, a dor da família não pode ser em vão. Segundo ela, precisa se transformar em ação coletiva. Para isso, defendeu a criação do Maio Preto em Itabira, campanha de prevenção ao melanoma, como homenagem ao irmão e alerta à população.

“Quantos de vocês já procuraram um dermatologista? A gente passa pela vida sem esse cuidado. Vai ao cardiologista, ao clínico, mas o dermatologista só se procura quando há uma alergia ou algo muito grave. Precisamos mudar isso. Pelo menos uma vez ao ano, homens e mulheres deveriam fazer uma avaliação completa da pele”, concluiu.

Vereadores ampliam o debate e trazem propostas

Os vereadores se revezaram em manifestações de apoio e reflexão.

Júlio “Contador” César de Araújo (PRD) recordou a luta de Ricardo para levar jovens às competições de judô. “Profissionais da beleza podem ser aliados na detecção precoce, já que têm contato direto com a pele das pessoas”, disse ele, recomendando que esses profissionais alertem o cliente quando detectar manchas na cabeça, por exemplo.

O vereador Marcelino Freitas Guedes (PSB) trouxe dados do Instituto Nacional do Câncer sobre o aumento de câncer de pele. E lembrou iniciativas já criadas pela Câmara, reforçando que campanhas de prevenção salvam vidas.

Já o vereador Rodrigo “Diguerê” Assis Silva (MDB) ressaltou o impacto da perda de Ricardo entre crianças e adolescentes, afirmando que transformar a dor em legislação é uma forma de perpetuar esse legado e ampliar a conscientização.

Elias Lima, que fez o convite à Regina para ocupar a tribuna da Câmara, emocionou-se ao relatar sua própria experiência com o câncer e casos na família. Ele também defendeu a implementação em Itabira da campanha Maio Preto, de prevenção ao câncer de pele para que se transforme em ação preventiva e salve vidas.

O vereador Reinaldo Soares de Lacerda (PSB) sugeriu a realização de uma audiência pública para debater o tema, enquanto Marquinhos da Saúde (Solidariedade) reforçou a importância dos cuidados preventivos, assim como a urgência de capacitar profissionais e melhorar a rede de atenção oncológica no município.

O vereador Luiz Carlos de Ipoema (MDB) também compartilhou sua experiência pessoal, destacando que a prevenção é o caminho mais seguro.

O vereador Bernardo Rosa (PSB) criticou a falta de protocolos na rede de saúde. Propôs que médicos e demais profissionais de saúde tenham mais atenção para observar sinais além da queixa inicial do paciente.

Presidente alerta para descuido masculino com a saúde

Após o pronunciamento da convidada na tribuna da Câmara, o presidente Carlinhos “Sacolão” Henrique Silva Filho (Solidariedade), reforçou a necessidade de transformar a perda em aprendizado coletivo

Para ele, a morte precoce de Ricardo deve inspirar campanhas permanentes. “É preciso tirar lição dessa perda e conscientizar as pessoas da necessidade do diagnóstico precoce”, reforçou.

Carlinhos “Sacolão” chamou atenção para a resistência masculina em cuidar da saúde, lembrando que muitos homens ignoram sinais no corpo. “O homem é desleixado com a saúde. Vê uma pinta e diz que não é nada”, criticou.

Ele garantiu que a Casa dará todo suporte às campanhas de prevenção. E que o exemplo de Ricardo deve se transformar em ação educativa. “Com essa perda irreparável, precisamos salvar outras vidas. Esse é o verdadeiro legado que podemos construir.”

 

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *