Buscas em Juiz de Fora estão encerradas; moradores seguem fora de casa
Foto: © Rovena Rosa/ Agência Brasil
Anna Karina de Carvalho e Rafael Cardoso
Juiz de Fora – A Polícia Civil de Minas Gerais informou que as buscas por vítimas das chuvas em Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, estão encerradas. O corpo do último desaparecido, o menino Pietro, de 9 anos, foi localizado na noite de sábado (28), no bairro Paineiras.
O número de mortos em decorrência das chuvas chegou a 72 na manhã deste domingo (1º), segundo atualização da Polícia Civil do estado. Ao todo, 72 corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML), sendo 65 de Juiz de Fora e sete de Ubá. Uma pessoa continua desaparecida em Ubá, onde as buscas serão intensificadas.
A equipe da Agência Brasil esteve em Juiz de Fora na última sexta-feira (27). No bairro Paineiras, área de classe média com casarões antigos e prédios residenciais, moradores seguiam fora de casa após o deslizamento de terra que atingiu imóveis na noite de segunda-feira (23).
A Defesa Civil orientou a retirada das famílias diante do risco de novos desmoronamentos, especialmente pela instabilidade na encosta do Morro do Cristo.
Ele tem retornado apenas para tentar limpar a lama e vigiar o imóvel, que ficou vulnerável após o impacto da terra. “Limpar, tentar acabar com esse lamaçal. E também ficar de olho na casa, que ficou vulnerável. Ficou aberta, a gente perdeu a tranca.”
O engenheiro lembra que, há cerca de 40 anos, pequenas pedras deslizaram da encosta, o que levou à instalação de contenções. “Mas isso há 40 anos, não foram pedras grandes. Foram pequenas”. Apesar da experiência passada, ele admite o receio de novos episódios. “A cabeça da gente fica meio preocupada, aquele medo de acontecer de novo.”
“No momento eu tinha ido buscar minha irmã no serviço por causa da chuva. Quando curvei aqui para entrar no prédio, já tinha caído tudo”, conta Barbosa.
Segundo ele, moradores precisaram improvisar uma rota de fuga entre apartamentos para escapar. “Teve gente que pulou de dois apartamentos para poder ir para o outro. Aí a gente fez o caminho. Com isso, salvamos todo mundo. Ninguém veio ajudar a gente. Eu e um policial militar que fizemos o caminho para salvar todos.”
Um vizinho, que trabalhava como policial penal , morreu no episódio. “Perdemos um policial do nosso prédio.”, lamenta Paulo.

“A gente quer pegar o básico, documento, roupa. Estamos sem nada, de favor na casa dos outros, usando roupa dos outros. Sem nada para comer.”
Paulo afirma que, até então, não havia um posicionamento formal sobre a situação dos prédios. “Até agora a Defesa não deu um parecer para a gente, nem bombeiro.”
Ele relata dificuldades para se alimentar e dormir desde a tragédia. “Desde o dia do acontecimento, eu não como, não consigo comer. Nem dormindo direito a gente está.”
Moradores também denunciam saques durante a madrugada nos imóveis interditados. “Porque de madrugada, quando o pessoal para de trabalhar, estão vindo roubar, saquear nosso prédio.”













