Bombardeio midiático contra Lulinha não altera liderança de Lula, como mostra lançamento de candidatura em BH
Foto: Ricardo StuckertPesquisa Datafolha e ato em Belo Horizonte reforçam a força da candidatura do ex-presidente e alavancam Patrus e as candidaturas de Marília e Áurea para o Senado
De nada adiantou o bombardeio midiático com denúncias sem provas contra o empresário Fábio Luís da Silva, o Lulinha, visando desgastar a candidatura do presidente Lula, seu pai, à reeleição.
Pelo que se observa pela última pesquisa Datafolha, essa ofensiva, que repete métodos já usados em eleições passadas, não tem conseguido alterar o quadro eleitoral.
Divulgada nesta sexta-feira (21), a pesquisa mostra Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, Lula venceria por 47% a 43%, mantendo vantagem mesmo após a campanha negativa.
Embora não haja como comprovar manipulação de pesquisas, que são obrigadas a seguir regras rígidas de amostragem e registro no TSE, não será surpresa se Lula vencer já no primeiro turno, dada a força de sua mobilização e a fidelidade de seu eleitorado.
O lançamento de sua candidatura em Belo Horizonte, realizado na mesma sexta-feira, deu ainda mais consistência a esse cenário.
A multidão que tomou a Praça da Estação não apenas mostra a força de Lula em Minas Gerais, mas também alavanca as candidaturas de Patrus Ananias ao governo e de Marília Campos e Áurea Carolina, candidatas ao Senado.
O estrondoso ato ganha mais importância por ser Minas um retrato do Brasil. Isso pela diversidade de suas regiões e pela composição de seu eleitorado, o que torna o estado um verdadeiro termômetro nacional. Não por acaso, a máxima se repete a cada eleição: quem vence em Minas, vence no país.
Praça da Estação tomada pelo povo

O lançamento da candidatura de Lula, Patrus, Marília e Áurea em Belo Horizonte repetiu o simbolismo do ato nacional realizado poucos dias antes, em 16 de agosto de 2026, no Estádio 1º de Maio (Vila Euclides), em São Bernardo do Campo (SP).
Foi ali que Lula iniciou sua trajetória política como líder sindical, nas históricas greves dos metalúrgicos do ABC contra a ditadura, na década de 1980, que marcaram o nascimento de sua vitoriosa carreira pública.
Se em São Bernardo o gesto resgatou a memória das lutas trabalhistas e da resistência democrática, em Minas o ato mostrou a força atual da mobilização popular.

A Praça da Estação se transformou em um mar de bandeiras vermelhas, faixas e cartazes. Milhares de pessoas se reuniram para ouvir Lula e seus candidatos em Minas, em um ato que misturou festa popular e afirmação política.
Lula falou com contundência sobre o futuro do país. “Nós já provamos que é possível governar para os pobres sem deixar de respeitar os ricos. É hora de reconstruir o Brasil, de dar continuidade à politica de dar dignidade ao povo trabalhador e de garantir que ninguém mais passe fome neste país.”
Em outro momento, Lula destacou a soberania nacional, ameaçada pelo neoimperialismo norte-americano apoiado pela extrema-direita brasileira.
“Não aceitaremos que o Brasil seja submisso. Este país tem que ser dono de si, dono de suas riquezas, dono do seu destino. E é o povo que vai decidir isso nas urnas”, disse ele.
A cada frase de Lula, a multidão respondia com entusiasmo, reforçando o clima de confiança e esperança entre o público presente, que ovacionava repetindo a velha canção: “Lula lá, brilha uma estrela”.
Foi assim que o ato em Belo Horizonte não apenas consolidou a candidatura nacional, mas também mostrou que Minas Gerais, com sua diversidade regional e peso eleitoral, é palco decisivo para medir o pulso do país.
Patrus defende Minas e o povo

Patrus Ananias (PT), candidato ao governo de Minas, fez um discurso que dialogou diretamente com as preocupações da população mineira. O público reagiu com intensidade, especialmente quando ele defendeu a preservação das empresas estatais, tema sensível em Minas Gerais.
“Vivemos um quadro político, econômico e cultural muito triste. Precisamos recuperar a esperança, fortalecer a saúde pública, a educação e garantir que a Cemig continue sendo do povo mineiro. É hora de discutir também a Copasa, porque água não pode ser mercadoria, não pode ser privatizada.”
O seu pronunciamento foi recebido com aplausos e palavras de ordem de “Patrus, governador!”, mostrando que sua candidatura ganha fôlego ao lado de Lula.
Foi assim que o ato em BH não apenas reforçou a candidatura de Lula à reeleição, mas também deu musculatura política ao palanque estadual com Patrus, Marília e Áurea. Isso para que Minas fique bem representada no estado com eleição de uma bancada majoritária de centro-esquerda no estado – e, sobretudo, no Congresso Nacional.
Vozes das mulheres mineiras

A candidata Marília Campos (PT) destacou a ausência histórica de mulheres mineiras no Senado. “Quero ser porta-voz das mulheres mineiras, lutar contra a discriminação e contra a violência que ainda marcam a vida de tantas brasileiras. É hora de mudar essa história.”
Seu pronunciamento foi recebido com entusiasmo, especialmente por militantes de movimentos feministas presentes na Praça da Estação, que reforçaram em coro a necessidade de ampliar a representação feminina no Congresso.

Na sequência, Áurea Carolina (Psol) também reforçou também a urgência de as mulheres ocuparem os espaços de poder.
“Temos duas vagas ao Senado. É hora de preenchê-las com mulheres de luta, que não se calam diante da injustiça. Vamos responsabilizar agressores e construir políticas de igualdade.”
O tom firme do discurso da candidata ecoou entre os presentes, conectando sua trajetória como ativista e parlamentar à defesa de direitos das mulheres e da população negra.

Sua chapa conta com a candidatura, como primeira-suplente, da estilista Raquell Guimarães, primeira-dama de Itabira.
Raquell é reconhecida por seu trabalho com moda inclusiva e por projetos sociais voltados à ressocialização de mulheres privadas de liberdade. É casada com o prefeito Marco Antônio Lage (PSB), que apoiou Lula em 2022 e reafirma esse apoio em 2026 com o mesmo entusiasmo e coerência política.
A presença de Raquell na chapa fortalece o elo entre a candidatura de Áurea e a política local, em uma conjuntura marcada pela busca de alternativas econômicas e pelo ressarcimento de dívidas históricas, inclusive da União, com Itabira.
A cidade, que já viveu o apogeu da mineração e que por décadas foi lembrada como uma das que “mais divisas” gerou para o país, hoje reivindica reconhecimento e novos caminhos de desenvolvimento.









