Bloco do Cemitério presta tributo a Clara Nunes na segunda noite do Pré-Carnaval de Itabira

Foto: Divulgação/
Bloco do Cemitério

Cortejo desta sexta-feira celebra a “Guerreira” e reafirma a força do samba e da mineiridade

O Pré-Carnaval 2026 de Itabira foi aberto na noite dessa quinta-feira (5), no epaço A cor dessa cidade, montado na avenida Daniel Jardim de Grisolia, em frente ao Centro Cultural da Fundação Carlos Drummond de Andrade.

A programação teve início com o concurso para eleger o Rei Momo e a Rainha do Carnaval, seguido da entrega simbólica da Chave da Cidade pelo prefeito Marco Antônio Lage, em um ato que marcou oficialmente o início da folia.

A noite foi embalada pelo Samba da Kasa Rica e pelo desfile do bloco E Agora Mofi?, inspirado no poema E agora, José?, de Carlos Drummond de Andrade. Foi uma noite de ritmo e irreverência ao palco da alegria e das cores.

Mais do que festa, o pré-carnaval de Itabira entra definitivamente no calendário cultural de Itabira. Fortalece tradições, estimula a economia criativa e reafirma o carnaval de rua como manifestação popular e democrática em Itabira, como nos tempos de Zé Bandarra.

Marco Antônio Lage abriu oficialmente o pré-carnaval A cor dessa cidade nessa quinta-feira (Foto: Humberto Martins)
Cortejo promete ser de arrepiar

Nesta sexta-feira (6), o destaque é o cortejo do bloco Nós que aqui estamos, por vós esperamos…, mais conhecido como Bloco do Cemitério. Fundado em 2018 por dois professores, o coletivo nasceu com a proposta de ressignificar espaços marcados pelo imaginário negativo, como as imediações do Cemitério do Cruzeiro e da antiga cadeia municipal, de triste lembrança.

A concentração acontece às 18h no próprio cemitério, na rua Paulo Pereira, com intervenção cultural de Johnny Herno na proposta Do Groove da lata ao Berimlata”.

Às 21h, o cortejo segue em procissão pelas ruas, unindo samba e religiosidade popular. E às 22h30 o bloco se apresenta no espaço A cor dessa cidade”, na avenida DG.

Arte: Divulgação
Homenagem

Em seu nono ano de atividades, neste ano o bloco presta homenagem à cantora Clara Nunes (1942-83), exaltando sua força ancestral e vocal como símbolo da união entre samba, raízes africanas e religiosidade brasileira.

Após tributos a Rita Lee em 2024 e Elza Soares em 2025, a escolha da Guerreira reafirma o papel das mulheres na construção da música popular brasileira.

Para o idealizador e cofundador Joaquim Olegário, “homenagear Clara Nunes é celebrar a vida, a mineiridade e a força feminina que sustentam o samba e a cultura popular”.

Mais do que um cortejo, o bloco carrega uma filosofia de enfrentamento da finitude e de valorização da vida.

Desde sua criação, os ensaios semanais funcionam como encontros de convivência e até de musicoterapia, reforçando o compromisso do projeto com o bem-estar da comunidade.

É assim que o bloco do Cemitério se consolida como coletivo transformador da cena urbana, unindo história, arte e lazer consciente.

Arte: Divulgação

Programação segue até domingo

O pré-Carnaval de Itabira continua efervescente nos próximos dias. No sábado (7), o tradicional e pioneiro bloco Madalena não gosta de poema se concentra às 17h na praça do Centenário, para seguir em cortejo pelo centro histórico até a avenida DG.

No domingo (8), o encerramento reúne os blocos Dinossauros Rock, Todas Fridas, Altamente e Filhos de Nandy, além dos tambores do Calangodum.

Estará presente também o bloco Pedrinha que Brilha e de convidados e atrações musicais carnavalescas. Evoé, Momo.

Confira a progamação até domingo

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