Arte em murais nas paredes laterais de BH
Vista de duas empenas, na praça Raul Soares, com artes assinadas por Ailton Krenak e Mônica Nador, no Festival de Arte Urbana – CURA 2026
Foto: Tamas Bodolay/ Divulgação
Cidade grande a gente quer e quanto ‘mais grande’, como se diz em espanhol ou castelhano, dá na mesma, questão de sotaques, quanto mais grande melhor
Mas Belo Horizonte ainda é pequena. no tamanho e nas cabeças. sono de província. Salva aqui, ali e acolá e um pouquinho mais no centro da visão horizontal de mundo e do que queremos.
Mas, outro mas, escrevo por outra palavra: as paredes laterais dos prédios. Só é horizontal na dinâmica geométrica do vazio: espaço vertical para fazer algo visual e falar na linguagem da arte em paredes frias e enormes.
Porque engenheiros, arquitetos, construtoras escrevem para esses lugares, nos edifícios enormes, um silêncio enigmático do nada.
E quando parecia não haver saída, acharam a primeira entrada (obrigado, Millôr Fernandes): e veio o projeto Cura – Circuito Urbano de Arte, e ficou assim: de longe vê-se a face de lá melhor e bela.
É um procedimento estético descoberto também por outras cidades grandes do planeta.
Então a arte na parede do projeto Cura, que já dura anos.
O nome desse espaço sozinho e quando vazio, no Brasil ou em Minas, sei lá, é empena.
Prefiro em argentino, como chamam na Argentina: Medianera.
Tem um filme muito legal de 2011, Medianeras, do diretor Gustavo Taretto.
Medianeras. Buenos Aires no Era do Amor Virtual (não precisava desse sobrenome).
É sobre a vida solitária de um cara e uma cara que vivem em prédios vizinhos e podem se observar por pequenas janelas das Medianeras onde moram. e mais. é um filme contemporâneo. bom de ver e de pensar
Já aqui, com o Cura, as artes desiguais, cada qual com a sua, vão mudando a cara do hipercentro de Belo Horizonte.
Sim temos que tomar cuidados, muitos, com o prefeito Damião. Ele ignora a vida. Ele não sabe das coisas. Ele não sabe pensar. Ele é um perigo para a urbanidade da cidade que vai caminhando devagar e devagar tropeça em pedras.
Ele não gosta de gente, menos ainda de gente pobre. Se eu fosse minha tia Noemi dos cabelos azuis diria: tadinho, dá até dó.
Fim com serviço
Na rua Sapucaí há um longo mirante, em toda a sua extensão, do viaduto de Santa Tereza ao da Floresta.
No Mirante, próximo aos números 193 e 303 há duas lunetas onde se pode observar, trazendo o hipercentro para mais próximo de si. Seu Eu agradece e fica em si. Ou fora de si.
Eu também pode ir embora voar pra junto das imagens que o mirante traz. Mas Eu volta: se você quiser. (obrigado, Arnaldo Antunes)
E do outro lado da rua há um monte de bares e bares e artes. Bons para conversar, comer e tomar um porre.
*Marcelo Procopio é jornalista, editor de O Cometa










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