Altamente demais: Itabira fecha o pré-Carnaval com diversidade, cortejos de blocos e festa democrática

Foto: Carol Veloso/
Ascom/PMI

Percussão, rock, força feminina e axé ocupam as ruas do centro histórico até a avenida DG, neste domingo (8), encerrando o pré-carnaval de Itabira com cortejos, oficinas e shows

O pré-carnaval de Itabira chega ao seu último dia neste domingo (8) com uma programação intensa e plural. Desde quinta-feira (5), a cidade se transformou em palco de cortejos, oficinas e shows, reafirmando o tema A cor dessa cidade.

Foram dias e noits de festa que misturaram tradição que vem da década passada e inovação, com blocos que arrastam multidões pelas ruas do centro histórico até o Circuito dos Blocos, na avenida Daniel Jardim de Grisolia, que homenageia ex-prefeito de Itabira, o popular DG.

O que se viu, e que ainda hoje pode ser acompanhado, foi a confirmação de um pré-carnaval democrático, aberto a todas as gerações e linguagens, que valoriza a cultura local e fortalece a identidade itabirana.

Após os cortejos dos blocos do Cemitério, Madalena Não Gosta de Poema, do bloco infantil Pedrinha que Brilha, uma alusão ao nome de Itabira em tupi-guarani, passando pelo Calangodum, o encerramento neste domingo promete ser Altamente demais. (Espera-se que São Pedro mande chuva rápida e passageira nesta tarde e noite de domingo).

Quatro blocos ocupam as ruas neste último dia do pré-carnaval itabirano, mais uma vez trazendo a diversidade que marca o carnaval contemporâneo de Itabira: a percussão do Altamente, o rock dos Dinossauros, a força feminina das Fridas e o axé dos Filhos de Nandy.

Juntos, eles consolidam o pré-carnaval como espaço de encontro, convivência e celebração dessa grande festa popular.

A realização é da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, com apoio da Prefeitura Municipal de Itabira.

Altamente: pioneirismo percussivo e batida forte

Mais uma vez, o bloco Altamente, pioneiro da percussão em Itabira, é a grande atração deste pré-carnaval itabirano, com cortejo neste domingo.

Criado em 2018 a partir das oficinas de Juninho Ibituruna, o grupo cresceu e se tornou potência cultural. Hoje reúne mais de 130 integrantes entre ritmistas e dançarinos, misturando samba-reggae, baião, forró e pagode.

Em 2026, apresenta-se com o tema Sertão das Minas, homenagem às matrizes culturais nordestinas e mineiras.

A concentração começa às 15h no Paredão da Tiradentes, com oficinas, pintura facial e atividades infantis. Às 17h, o cortejo segue até o Circuito dos Blocos, na avenida DG, encerrando com show da Banda Altamente.

Mais que desfile, Altamente é projeto de formação musical e comunitária. Ensaios abertos, oficinas e ala infantil reforçam o caráter educativo e inclusivo. O bloco mostra que carnaval é encontro, aprendizado e festa popular.

Dinossauros Rock têm guitarras no cortejo
Dinossauros: oficinas e guitarras no pré-carnaval de Itabira (Foto: Aguinaldo Ferry/Ascom/FCCDA)

Às 11h, o bloco Dinossauros Rock esquenta no Paredão da Rua Tiradentes. Às 14h, sai em cortejo até a avenida DG, em parceria com o bloco Insanidade Mental, de Belo Horizonte.

Criado em 2023, o Dinossauros Rock já é tradição. Oficinas de instrumentos e pintura facial para crianças ampliam a participação.

O mascote dinossauro arrasta foliões de todas as idades. “O rock’n’roll sempre teve papel no carnaval, como alternativa pulsante às marchinhas e sambas”, lembra Júlio “Mengueles”, seu idealizador.

Mais que festa, é afirmação de liberdade e rebeldia, transformando o carnaval em palco para guitarras e baterias.

Todas Fridas tem estreia com concentração no Largo do Batistinha

Às 14h30, o bloco Todas Fridas se concentra no Largo do Batistinha. Às 16h, segue em cortejo até o circuito A cor dessa cidade, ocupando as ruas com cores, vozes e resistência.

Criado por um grupo de amigas itabiranas, estreia oficialmente neste pré-carnaval.

Inspirado na figura de Frida Kahlo, o bloco celebra a pluralidade feminina, a diversidade e a força da arte como expressão política. É estética vibrante, discurso potente e alegria transformada em luta.

Com apoio da subseção da OAB de Itabira, o cortejo se afirma como espaço de empoderamento e consciência social. Levanta bandeiras contra a violência de gênero, o feminicídio e a misoginia, lembrando que carnaval também é denúncia e voz coletiva.

O nome evoca Frida Kahlo, artista que fez da dor arte e da vida símbolo de liberdade. É nesse espírito que o bloco também reafirma que carnaval é luta e celebração, resistência e festa.

Com o bloco ecoa o lema “Não é não”, destacando que a alegria de viver continua, sempre acompanhada de luta, perseverança e coragem.

Filhos de Nandy encerra a noite com muito axé
Filhos de Nandy encerram o pré-carnaval itabirano com muito axé (Foto: Carol Veloso/Ascom/PMI)

Às 17h30, o bloco Filhos de Nandy se concentra também no Largo do Batistinha. Às 20h30, sai em cortejo até o circuito na avenida DG. Às 21h, sobe ao palco para encerrar o pré-carnaval 2026.

Inspirado no afoxé baiano Filhos de Gandhy, homenageia o cantor e compositor Nandy Xavier, ícone da cultura popular itabirana, falecido recentemente.

Com axé e cultura afro-brasileira, celebra a musicalidade baiana e a memória de um artista que marcou gerações. E consolida-se também como símbolo de resistência cultural e celebração à vida.

Carnaval contemporâneo

O pré-carnaval de Itabira mostra que a festa pode ser contemporânea e plural.

E, o que é melhor, acontece sem os conservadorismos e repressões de antanho, dos tempos sombrios em que até travestis eram presos por “atentarem contra a moral e os bons costumes” da família itabirana.

Naqueles carnavais de outrora, forças retrógradas prenderam e arrebentaram quem ousava desafiar seus dogmas e maus costumes.

Hoje, embora ainda existam vozes presas ao moralismo em nome da “defesa da família”, já não conseguem impor o atraso às ruas. As sombras de antanho não resistem ao brilho das cores que agora iluminam a cidade.

É assim que Itabira veste suas cores. O seu pré-carnaval é moderno, democrático e diverso. A festa momesca se afirma como espaço de convivência e celebração coletiva. E pode ser, cada vez mais, de todos.

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