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Dissertação analisa como escolas de Itabira enfrentam desafios além da mineração

Foto: Acervo pessoal/
Reprodução

Professor itabirano apresenta pesquisa que identifica permanência estudantil, vulnerabilidade social e projetos de vida como temas centrais nas percepções de gestores escolares sobre o programa Trilhas de Futuro

O professor Júlio César Batista Mattos defendeu, no Centro Universitário UniHorizontes, uma dissertação de mestrado que investigou como gestores de sete escolas estaduais de Itabira articulam a educação profissional, o programa Trilhas de Futuro e os desafios para os estudantes em um município historicamente dependente da mineração.

Baseado em entrevistas com 11 gestores e coordenadores pedagógicos, o estudo conclui que as principais preocupações das escolas não se concentram no programa em si, mas em temas como permanência estudantil, vulnerabilidade social, necessidade de trabalho precoce e perspectivas de futuro para a juventude local.

Na dissertação, Mattos se propôs a analisar a política educacional do programa Trilhas de Futuro no contexto da gestão escolar do ensino médio em Itabira e sua relação com a realidade de uma região minerada.

Ao longo da pesquisa, no entanto, o autor verificou que os gestores entrevistados direcionavam suas preocupações para questões que ultrapassam a implementação da política pública.

Segundo o professor, os relatos se concentraram “na permanência dos estudantes, na necessidade de inserção precoce no mercado de trabalho, na vulnerabilidade social, na construção dos projetos de vida, na diversificação econômica e na formação para além da mineração”.

Mineração é presença cotidiana nas escolas

De acordo com a dissertação, a mineração permanece como elemento estruturante da vida social, econômica e educacional de Itabira. As entrevistas mostram que a atividade influencia expectativas profissionais, condições de vida das famílias e demandas que chegam diariamente às escolas.

Um dos gestores entrevistados resumiu essa relação ao afirmar que “Itabira só respira a Vale”. Na mesma entrevista, contudo, defendeu que o município precisa “aprender a caminhar com seus próprios pés sem depender da Vale”.

Outro entrevistado relatou ao pesquisador que muitos estudantes ainda enxergam a mineração como principal oportunidade de inserção profissional.

“Eu vejo que muitos estudantes têm interesse em trabalhar, em atuar na área de mineração, que seja nas empreiteiras ou que seja na Vale mesmo”, afirmou.

Gestores relatam impacto das vulnerabilidades sociais

A pesquisa identificou que boa parte dos desafios enfrentados pelas escolas está ligada às condições sociais dos estudantes e de suas famílias.

Entre os fatores apontados pelos entrevistados aparecem a necessidade de trabalhar ainda durante a educação básica, dificuldades econômicas, problemas de mobilidade, questões de saúde mental e impactos das transformações territoriais relacionadas à mineração.

Uma das diretoras ouvidas pelo pesquisador relatou que, em algumas situações, “nem o ensino médio ele consegue concluir porque a necessidade de trabalho é muito grande”, observou.

Outro gestor afirmou que a escola acaba absorvendo demandas que deveriam ser atendidas por outras políticas públicas.

“A escola acaba sendo essa porta que recebe todas as demandas externas e deixa de cumprir seu papel pedagógico. Estamos apagando incêndio o tempo inteiro”, declarou.

Embora a mineração continue sendo referência para muitos estudantes, o autor registra que gestores já percebem mudanças graduais nas aspirações profissionais da juventude.

Um dos entrevistados relatou à pesquisa que vem observando estudantes interessados em “explorar novas áreas e conhecimentos, não ficando tão presos à mineração como um plano de carreira único”.

Para Mattos, esse resultado indica que a influência do setor mineral permanece relevante, mas já não determina integralmente os projetos de futuro das novas gerações.

Escola como mediadora entre presente e futuro de Itabira

Nas conclusões da dissertação, o professor sustenta que a gestão escolar ocupa uma posição estratégica entre as demandas econômicas do território, as políticas educacionais e a formação dos estudantes.

Segundo ele, a principal contribuição da pesquisa é demonstrar que a educação profissional em um município minerado não pode ser analisada apenas pela oferta de cursos técnicos.

Para o autor, essa discussão ganha relevância em um território cuja história, economia e identidade foram moldadas pela mineração.

Embora a atividade continue sendo o principal vetor econômico local, a perspectiva de esgotamento gradual das reservas minerais impõe o desafio de pensar novos caminhos para o desenvolvimento de Itabira.

Nesse contexto, o estudo conclui que as equipes gestoras procuram equilibrar empregabilidade, formação integral, permanência estudantil e construção de projetos de vida capazes de dialogar com uma realidade econômica em transformação.

Mais do que preparar jovens para as oportunidades existentes hoje, as escolas aparecem na pesquisa como espaços de formação das gerações que viverão a transição para um cenário pós-mineração e participarão da construção de alternativas para o futuro do município.

Leia a íntegra da pesquisa acadêmica aqui: Dissertação Julio 2026

 

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