Flitabira abre sexta edição celebrando os 75 anos de Claro Enigma e transforma Itabira em território da literatura

Fotos: Carlos Cruz

Prefeito destaca avanços na educação, inclusão social e democracia durante abertura do festival; representantes do governo federal, da Vale e da organização ressaltam o papel da cultura, da leitura e das políticas públicas na formação cidadã

 

A sexta edição do Festival Literário Internacional de Itabira (6º Flitabira) foi aberta oficialmente na noite desta quinta-feira (29), reunindo autoridades municipais, escritores, professores, estudantes, e leitores no teatro da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA).

Com o tema A Máquina do Mundo em Nós, o festival celebra os 75 anos de Claro Enigma, uma das obras mais importantes de Carlos Drummond de Andrade. E promove até domingo uma extensa programação gratuita voltada à literatura, às artes e à formação de leitores.

Ao abrir oficialmente o evento, o prefeito Marco Antônio Lage (PSB) associou o Flitabira ao fortalecimento da educação, da cultura e da democracia, destacando conquistas recentes obtidas pelo município por meio de parcerias com o governo federal ao longo dos últimos anos.

Ao abrir oficialmente o 6º Flitabira, o prefeito Marco Antônio Lage ressaltou conquistas recentes de Itabira nas áreas de educação, cultura e igualdade racial, associando o festival à construção de uma cidade mais democrática e inclusiva

Em seu pronunciamento, lembrou que foi durante os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que Itabira recebeu o campus avançado da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), considerada uma das mais importantes conquistas educacionais da cidade nas últimas décadas.

Destacou ainda a autorização para implantação do curso de Medicina da Funcesi, a ampliação da oferta de cursos universitários, os investimentos realizados no Hospital Nossa Senhora das Dores e a instalação da Casa da Igualdade Racial, uma das poucas unidades do gênero existentes no país.

O prefeito também comemorou a aprovação pela Câmara Municipal, nesta semana, do projeto que institui a escola em tempo integral na rede municipal de ensino, considerada por ele uma das principais políticas públicas em andamento na cidade.

“Estamos construindo uma cidade que investe em educação, cultura, esporte, arte e formação humana. É isso que fortalece a democracia e prepara as novas gerações para o futuro”, afirmou.

Marco Antônio Lage dedicou parte significativa de sua fala às homenagens prestadas pelo festival às lideranças quilombolas Dona Tita, Dona Rosinha e Dona Joana Zeferina. Para ele, reconhecer essas trajetórias significa reconhecer também uma parte fundamental da história e da formação social itabirana.

“Precisamos jogar luz sobre nossa ancestralidade, sobre nossas raízes e sobre a contribuição das comunidades quilombolas para a construção da identidade cultural da cidade”, ressaltou.

A Vale e a aposta na cultura
Maria da Luz, diretora de Investimento Social Privado e Cultura da Vale, reafirma o compromisso da empresa com o Flitabira e destaca a cultura como ferramenta de desenvolvimento e fortalecimento das comunidades

Representando a mineradora Vale, patrocinadora master do evento, a diretora de Investimento Social Privado e Cultura, Maria da Luz, reafirmou o compromisso da empresa com a continuidade do festival e com outras iniciativas culturais desenvolvidas em Itabira.

“A Vale faz parte da história de Itabira e quer continuar fazendo parte da história do Flitabira”, afirmou.

Segundo ela, o apoio à literatura, à cultura e aos empreendedores locais integra uma estratégia de fortalecimento das comunidades e dos territórios onde a empresa atua.

A executiva destacou ainda iniciativas como o Flitabira da Gente, espaço dedicado a artesãos e pequenos empreendedores da cidade, além da exposição do Memorial Vale Itinerante, presente no festival.

“A literatura cria reflexão, escuta, encantamento e encontros. É isso que queremos compartilhar com a cidade”, disse.

Políticas públicas e acesso à leitura
Juliana Caetano da Cunha, representante do Ministério da Educação, destacou a importância das políticas públicas de incentivo ao livro, à leitura e à democratização do acesso à cultura durante a abertura do 6º Flitabira

Representando o Ministério da Educação, Juliana Caetano da Cunha destacou a importância das políticas públicas voltadas para a democratização do acesso ao livro e à leitura. Em sua intervenção, apresentou ao público o MEC Livros, plataforma digital gratuita que já ultrapassou a marca de um milhão de usuários cadastrados em poucos meses de funcionamento.

Segundo ela, o acesso ao livro não pode ser compreendido apenas como uma questão cultural, mas também como uma política de formação cidadã.

“Quando falamos em democratização da leitura, falamos também em formação humana, pensamento crítico e democracia. A política pública faz toda a diferença na construção de um país leitor”, afirmou.

Sua observação ganha significado especial em um festival realizado por meio da Lei Rouanet, mecanismo de incentivo à cultura criado para permitir que empresas e pessoas físicas destinem parte do Imposto de Renda devido ao financiamento de projetos culturais aprovados pelo Ministério da Cultura.

Embora o patrocínio seja formalmente realizado por empresas, trata-se de uma política pública baseada em renúncia fiscal. Em outras palavras, o recurso aplicado em eventos como o Flitabira deixa de ingressar diretamente nos cofres da União para ser destinado à produção cultural.

O modelo foi criado justamente porque o Brasil jamais consolidou uma tradição robusta de mecenato privado capaz de sustentar sozinho projetos culturais de grande porte.

Após um “Viva a cultura!” lançado da plateia ao final da abertura do Flitabira, o público respondeu com aplausos e gestos de celebração no teatro da FCCDA
A máquina do mundo como eixo da edição

Ao apresentar a proposta desta edição, o idealizador do festival, Afonso Borges, destacou que toda a curadoria foi construída a partir de Claro Enigma, livro publicado por Drummond em 1951 – e considerado uma das grandes obras da literatura brasileira.

Segundo ele, A Máquina do Mundo, poema que inspira diretamente o tema do festival, oferece uma reflexão profunda sobre a busca do conhecimento, os limites da condição humana e a necessidade permanente de seguir caminhando diante dos mistérios da existência.

“Por meio da Máquina do Mundo construímos todo o esqueleto da curadoria”, explicou.

Estrutura montada na avenida Daniel Grisolia abriga a Livraria do Flitabira, um dos espaços mais movimentados do festival, com mais de 5 mil títulos, central de autógrafos e programação paralela aberta ao público

A leitura proposta pelo festival privilegia justamente essa dimensão filosófica e existencial da obra drummondiana. Mas é também nesse ponto que pode surgir uma das discussões mais interessantes desta edição.

É que, embora a mineração ocupe lugar relevante na obra madura de Carlos Drummond de Andrade e apareça de forma recorrente em seus poemas, crônicas e entrevistas, esse tema até aqui raramente esteve nas discussões promovidas pelo Flitabira ao longo de suas cinco primeiras edições.

A escolha de Claro Enigma como obra homenageada e a presença do jornalista, escritor, professor, músico e ensaísta José Miguel Wisnik, autor de Maquinação do Mundo: Drummond e a Mineração, criam pela primeira vez uma oportunidade rara de aproximar a reflexão literária proposta pelo festival de uma das questões centrais da obra madura de Carlos Drummond de Andrade.

Trata-se da relação entre Itabira, a mineração e as transformações que marcaram a cidade que nunca deixou de ocupar a memória do poeta, registrada na fotografia da parede e povoando para sempre suas retinas tão fatigadas.

6º. FLITABIRA 2026  – Programação

A MÁQUINA DO MUNDO EM NÓS

75 anos do livro “Claro Enigma’, de Drummond

Patronas: Dona Tita e Dona Rosinha

Personalidades Homenageadas: Maria Mazzarelo, da Mazza Edições, Conceição Evaristo e Leda Maria Martins

SEXTA-FEIRA – 30 DE OUTUBRO

17h – Tema: Outros Mundos

Convidado: Geni Núñez

Mediação: Ale Santos

18h – Tema: A Palavra e o Mundo

Convidado: Geraldo Carneiro e Maria Esther Maciel

Mediação: Marcelino Freire

19h – Tema: Corpo e Palavra

Convidado: Ricardo Aleixo e Leda Maria Martins

Mediação: Natália Alves

20h – Tema: Claro Enigma e A Máquina do Mundo

Convidado: Pedro Bial e Pedro Drummond

Mediação: Calila das Mercês

21h– Tema: Homenagem a Dona Rosinha e Dona Tita

Convidada: Conceição Evaristo e representantes das famílias.

Mediação: Sérgio Abranches

22h – Espetáculo “Claro Enigma” em Libras

Convidado: Grupo de Dança Primeiro Ato

SÁBADO – 31 DE OUTUBRO

14h – Tema: Vidas Escritas

Convidado: Alexandre Porto Vidal

Mediação: Marcelino Freire

15h – Tema: Juventude Ferida

Convidado: Hugo Ferreira Monteiro

Mediação: Carlos Vinícius

16h – Tema: Vozes Jovens

Convidado: Pétala Souza e Isa Souza

Mediação: Goka Maciel

17h – Tema: Amazônia Ancestral

Convidado: Verenilde Pereira

Mediação: Calila das Mercês

18h – Tema: Outras Diferenças

Convidado: Roberto Parmeggiani

Mediação: Geni Núñez

19h – Tema: Literatura, Futurismo e Política

Convidado: Ale Santos e Sérgio Abranches

Mediação: Marcelino Freire

20h – Tema: Leitura, Antirracismo e os Novos Tempos

Convidadas: Conceição Evaristo, Maria Mazzarelo e Leda Maria Martins

Mediação: Afonso Borges

21h – Tema: A Máquina do Mundo em Nós

Convidado: José Miguel Wisnik e Kristoff Silva

Encerramento: Sérgio Abranches

Serviço

6º Flitabira – Festival Literário Internacional de Itabira

 Data: 29 de outubro a 1º de novembro de 2026, quinta a domingo
Local: Teatro da FCCDA e entorno – Itabira (MG)

Entrada gratuita em todas as atividades

Acessibilidade: Libras e autodescrição

Transmissão: ao vivo pelo YouTube @flitabira

Informações: @flitabira

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