Manoel Fernandes da Rocha – há 104 anos
Paisagem de Itapuã (1953), José Pancetti (1902-1958), de Campinas-SP
Coleção Gilberto Chateaubriand/ MAM-Rio
| Um dos mais antigos pseudônimos de Drummond. Assina quatro poemas no Diário de Minas: “Sê como as torres longas e finas…” (1-12-1922), “E ela não volta…” (7-12-1922), “A beleza da vida na alegria da manhã” (28-12-1922) e “Na tarde cheia de doçura…” (14-1-1923). É um verdadeiro heteronomia de Drummond poeta, pois os poemas que subscreve são bem diversos de tudo quanto fizera até então, e jamais repetirá, havendo apenas uma ligeira semelhança com os poemas-em-prosa desse período. É interessante ver que a “Nota da editora” que acompanha as edições de Cadernos de João Brandão (1957) e Histórias Reunidas (1959) de Anibal M. Machado, lançados pela José Olympio, faz menção a este Manuel [sic] Fernandes da Rocha, apontando-o como cronista. “A beleza da vida na alegria da manhã” compõe-se, de três quintilhas em versos livres, precedidas de epígrafe tirada a Henri de Régnier. No Para Todos… está assinada por Carlos Drummond. Fernando Py |
A beleza da vida na alegria da manhã
Inicia sua colaboração nesta coluna o sr. Manoel Fernandes da Rocha, poeta a que sorriram os moldes francos e largos da nova poesia.
A beleza da vida na alegria da manhã
Eu corria sobre a areia com os pés nus.
A areia faiscava.
Na claridade da manhã
as árvores eram mais verdes e felizes
e eu corria sobre a areia com os pés nus.
Penetrava-se as veias a beleza da vida.
O sol ria no alto.
Dentro e fora de mim
floriam ritmos desconhecidos.
Penetrava-me as veias a beleza da vida.
Era como se eu nascesse naquele dia.
A luz embriagava-me.
Tudo parecia novo
e feito pelas mãos dum deus risonho.
Era como se eu nascesse naquele dia…
[Fonte: Diário de Minas, 28-12-1922 – Pesquisa: Cristina Silveira]









