Operador do golpe contra Dilma, Eduardo Cunha perde mais uma vez; em Itabira ele obtém apenas 264 votos
Pastores da Assembleia de Deus, que receberam Cunha em cultos e eventos, também não conseguiram converter presença religiosa em apoio eleitoral
Foto: Reprodução
Mesmo sub judice e inelegível até 2027, ex-presidente da Câmara tenta retorno político em Minas, mas fracassa apesar do apoio de pastores e de aliados locais
O ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos), o grande operador do golpe parlamentar que derrubou a presidenta Dilma Rousseff em 2016, voltou a amargar um fracasso eleitoral, desta vez em Minas Gerais.
A estratégia de usar templos religiosos como plataforma política, prática recorrente em sua trajetória, não encontrou eco entre os eleitores mineiros. Com a apuração concluída, Cunha recebeu 32.075 votos em todo o estado, número insuficiente para colocá-lo entre os eleitos.
Em Itabira, onde tentou construir uma base com apoio religioso e empresarial, o resultado foi ainda mais irrisório, obtendo apenas 264 votos, insignificantes diante do esforço para se projetar politicamente no município mesmo após participar de cultos, subir ao púlpito, ler trechos da Bíblia e ser saudado por pastores locais.
O ex-deputado contou ainda com o apoio declarado do comerciante Wilson Campos (Democrata), que também tentou se eleger deputado estadual. Assim como Cunha, Campos teve desempenho pífio: 622 votos em Itabira e 798 no estado, insuficientes até para figurar entre os candidatos competitivos para disputa vaga na Câmara de Vereadores no município em 2028.
Itabira não embarcou na narrativa construída por Cunha e seus aliados. Consequentemente, os votos irrisórios que ele obteve no município refletem não apenas o desgaste do ex-deputado, mas também o isolamento político daqueles que tentaram reabilitar sua imagem na cidade — a troco sabe-se lá de quê.

Cunha tenta se reinventar em Minas, mas carrega histórico de condenações e prisão
A candidatura de Cunha neste ano repetiu o padrão oportunista já visto em 2022, quando ele transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo, onde e quando ele teve uma derrota ainda mais retumbante com apenas 5.044 votos.
Antes disso, sua base sempre foi o Rio de Janeiro, onde construiu a carreira marcada por escândalos, articulações subterrâneas e denúncias de corrupção.
Em decorrência, o ex-presidente da Câmara foi cassado em 2016 por quebra de decoro, após mentir sobre contas secretas na Suíça.
Em seguida, foi preso pela Operação Lava Jato e condenado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, acumulando penas que ultrapassaram 15 anos de prisão.
Em 2019, sofreu nova condenação por improbidade administrativa, com suspensão dos direitos políticos por oito anos.
Essas decisões, somadas à cassação, enquadram Cunha na Lei da Ficha Limpa, tornando-o inelegível até 2027.
Apesar de inelegível, Cunha conseguiu registrar candidatura graças a uma estratégia jurídica conhecida, que o permitiu concorrer sub judice. Para isso, ele apresentou recursos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tentando suspender temporariamente os efeitos das condenações.
O TRE-MG, porém, indeferiu sua candidatura, reafirmando a inelegibilidade. Assim, Cunha disputa a eleição com o registro “anulado sub judice”, o que significa que seus votos não seriam validados caso o TSE mantivesse a decisão, como de fato ocorreu.
Retorno frustrado

Eduardo Cunha, principal operador do golpe parlamentar contra Dilma Rousseff, tentou mais uma vez retornar ao Congresso – e fracassou. Em Minas Gerais, não se elegeu. Em Itabira, onde buscou apoio religioso e empresarial, teve apenas 264 votos.
A derrota do ex-deputado em Minas reafirma que, apesar das articulações, dos cultos, das visitas e dos discursos bíblicos, Cunha não conseguiu reconstruir sua base eleitoral.
E expôs, mais uma vez, o constrangimento daqueles que insistem em apoiar um personagem cuja trajetória política é marcada por corrupção, manipulação e condenações.
Fica o ditado: “Dize-me com quem andas, e direi quem tu és.”









