Sem Assinatura – há 104 anos
Foto: Reprodução/ Antologia Poética
“Sem assinatura”, não é um pseudônimo e claro, não encontra-se na Bibliografia Comentada de Carlos Drummond de Andrade, de Fernando Py. É uma não assinatura, muito utilizada entre jornalistas.
| “Sou um jornalista porque a vida toda estive ligado a jornal. Fui redator-chefe do Diário de Minas, onde, com outros companheiros, fizemos a campanha modernista em Belo Horizonte e nos divertimos muito.” | CDA.
Na Sombra
Desconfia do muito sábio e do muito ignorante. Do primeiro porque, na sua grande sabedoria, dispõe de infinitos recursos com que te esmague; do segundo porque, na sua grande ignorância, há de pedir ao instinto os meios de combate, e, desta sorte, descobrirá em si um mundo de reservas ocultas. Só a mediocridade não é verdadeiramente temível.
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Viver neste século é sofrer a tortura do esmagamento por um número pasmoso de séculos de civilização. A felicidade vai diminuindo com o acréscimo das eras; e de tal jeito que, no último dia, a última catástrofe encontrará todos os homens absolutamente desgraçados.
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As paisagens têm a alma que nós temos, e o seu sentimento varia e flutua como o nosso sentimento interior. Foi o que disse Machado de Assis. Eu digo que os seres realmente sensíveis à natureza têm a alma das paisagens. Essas criaturas são alegres diante de um campo coberto de sol, e tristonhos diante de um campo onde o outono origina o bailado das folhas mortas. O mar desperta nelas sensações profundas e dolorosas, anseios delirantes e aspirações imensas. Muita gente culpa de sua tristeza o luar… o luar que vai, pela noite, vestindo de uma brancura melancólica a fisionomia serena das coisas…
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Gozar muito para, depois, sofrer muito, é o que fazem quase todas as criaturas. As outras de uma sabedoria mais avisada, procuram gozar menos, – e acabam sofrendo muito mais.
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O peso de certos fardos é tão esmagador que, geralmente, acabamos por acreditar serem esses fardos que nos carregam.
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No amor, não sigas nenhuma estrada conhecida. Vai pela ignorada, onde o imprevisto te poderá oferecer sensações inéditas. Está claro que este caminho é o do absurdo, único deveras interessante para o viajar… Já observei que a humanidade ama com um absoluto e deplorável bom senso. E é o bom senso que envenena o amor, fazendo dele um lugar comum…
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O desequilíbrio da balança humana tem o mérito de valorizar a vida, enchendo-a de situações humorísticas…
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Faze do teu sonho a tua única realidade.
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Ó deuses! Fazei com que Deus experimente um pouco mais de piedade pela sorte humana!
Cala-te. O mistério da vida é infinito. Escuta. O rumor do mistério é infinito.
Os cães têm as más qualidades dos homens, e estes as más qualidades dos cães.
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Às vezes, o sim é a última das negativas…
– “E depois? E depois?”
– “A comédia continua…”
(Pesquisa: Cristinha Silveira)









