Proibição das bets é marco para a saúde pública, afirma Ronaldo Laranjeira
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Psiquiatra afirma que medida chega tardiamente, após rápida expansão das apostas on-line, e defende que país mantenha políticas de prevenção e assistência aos milhões de brasileiros já afetados pelo jogo problemático
O médico psiquiatra Ronaldo Laranjeira, PhD em Psiquiatria pela Universidade de Londres e presidente da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina), avaliou a proibição das bets no Brasil como uma decisão de grande relevância para a saúde pública.
Para o especialista, a medida ocorre depois de um período de forte expansão das apostas on-line e de crescente evidência sobre seus impactos na saúde mental, na vida financeira e nas relações familiares.
“A dimensão do problema já havia sido demonstrada pelo III LENAD (Levantamento Nacional de Álcool e Drogas), estudo desenvolvido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública.”
O levantamento apontou que cerca de 10,9 milhões de brasileiros apresentavam algum padrão de jogo de risco e aproximadamente 1,4 milhão já havia desenvolvido transtorno do jogo. Adolescentes e pessoas de menor renda estavam entre os grupos mais vulneráveis.
As apostas on-line reuniram condições particularmente preocupantes: acesso permanente pelo celular, velocidade entre o impulso e a aposta, publicidade intensa e forte presença no esporte e nas redes sociais.
Esse ambiente contribuiu para reduzir a percepção de risco de uma atividade capaz de produzir dependência. Os efeitos já vinham sendo observados nos serviços de saúde, com casos de endividamento, ansiedade, depressão, conflitos familiares e perda de controle sobre o jogo.
A proibição, no entanto, não elimina as consequências acumuladas nos últimos anos. Há uma população que já desenvolveu padrões problemáticos de jogo e continuará necessitando de diagnóstico, tratamento e acompanhamento.
O SUS precisa estar preparado para essa demanda, com serviços especializados, profissionais capacitados e protocolos adequados para o transtorno do jogo e suas frequentes repercussões psiquiátricas e sociais.
Do ponto de vista da saúde pública, a mudança representa uma oportunidade para reduzir a exposição da população a um fator de risco que se disseminou rapidamente no país.
O passo seguinte deve ser fortalecer políticas permanentes de prevenção, educação, pesquisa e assistência.
“A experiência das bets mostrou que atividades com potencial de dependência não podem ser analisadas apenas por sua dimensão econômica: seus custos humanos, familiares e sanitários também precisam fazer parte da equação”.









