Marcelo Dolabela e Gatto Jair têm homenagem poética em BH, com cortejo do Bar Banzai ao Edifício Maletta nesta quinta-feira (17)

Foto: Luciana Tonelli

Romaria poética POEMARIA #DIA_MD percorre a Avenida Augusto de Lima, em Belo Horizonte, celebrando o legado dos dois artistas

Belo Horizonte — Nesta quinta-feira (17), a avenida Augusto de Lima será novamente tomada por vozes, ruídos, versos e desobediências poéticas.

Acontece mais uma edição da POEMARIA #DIA_MD, romaria recitativa que celebra o aniversário do poeta, músico, performer e agitador cultural Marcelo Dolabela, figura essencial da poesia expandida mineira e inventor de mundos que ainda reverberam nos becos da cidade.

A concentração será às 19h no Bar Banzai, na esquina da Augusto de Lima com Padre Belchior. De lá, o cortejo segue até o Edifício Maletta, número 233, com destino ao Xoc Xoc, onde a noite se desdobra em convivência, leitura, música e memória.

A regra é simples e radical: uma vez iniciado o cortejo, ninguém pode parar de recitar. A POEMARIA #DIA_MD é movimento contínuo, um fluxo de voz que não admite silêncio, porque o silêncio, para ele, era sempre o território do conformismo, explica seus organizadores.

Marcelo Dolabela: o poeta que expandiu a palavra

Nascido em Lajinha (MG), em 17 de setembro de 1957, Marcelo Gomes Dolabela morreu em 18 de janeiro de 2020, em Belo Horizonte, aos 62 anos.

Poeta, professor, músico, compositor, editor, roteirista e artista multimídia, foi autor de mais de 30 livros de poesia, criador do ABZ do Rock Brasileiro, integrante de bandas como Sexo Explícito e articulador de coletivos como Cemflores.

Sua obra atravessa gerações e linguagens: videopoemas, performances, livros artesanais, experimentações eletrônicas, intervenções de rua, roteiros de cinema. Dolabela foi um dos grandes articuladores da poesia experimental em Minas Gerais, influenciando músicos, poetas, performers e pesquisadores.

Sua morte não interrompeu sua circulação simbólica, ao contrário, ampliou-a. E a cada setembro, Belo Horizonte o convoca de volta. E ele atende.

A edição de 2026 também celebra Gatto Jair

A POEMARIA #DIA_MD deste ano traz mais um nome para o cortejo: Gatto Jair, poeta, cantor, letrista, professor e figura marcante da vanguarda belo-horizontina dos anos 1980.

Jair Tadeu da Fonseca, o Gatto Jair, nasceu em 1958, em Montes Claros (MG), e morreu em 15 de março de 2026, em Belo Horizonte.

Arte: Divulgação

Vocalista e principal letrista da banda Último Número, referência do pós-punk mineiro, sua trajetória atravessa poesia marginal, performance, música experimental e o espírito inquieto que marcou a geração que buscava novas formas de expressão fora dos circuitos tradicionais.

Antes da música, Jair integrou o coletivo Cemflores, ao lado de Marcelo Dolabela, produzindo revistas artesanais, intervenções e apresentações que misturavam poesia, caos e invenção.

Mais tarde, participou do projeto Divergência Socialista, também ligado a Dolabela, que fundia punk rock, experimentação sonora e o que o próprio Dolabela chamava de “dada music”.

Gatto Jair deixa um legado vasto e querido (Foto: Reprodução/Tantas Folhas)

Gatto Jair deixa um legado vasto e querido. É celebrado por músicos, poetas, pesquisadores e amigos que reconhecem nele um dos bardos mais expressivos da cidade.

A homenagem na POEMARIA #DIA_MD é, portanto, também um gesto de continuidade: Dolabela e Jair, parceiros de invenção, voltam a caminhar juntos pela Augusto de Lima.

A POEMARIA #DIA_MD, segundo seus organizadores, é uma forma de lembrar que a poesia não mora nos livros, mas nas ruas, nos bares, nos prédios, nos corpos em deslocamento.

É uma caminhada pelos morros da vida, como diria Dolabela, onde cada participante é também autor, leitor, performer, testemunha e cúmplice.

*Com informações da Vila de Utopia e Tantas Folhas.

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