No Rio de Janeiro, seminário na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS defende acesso imediato ao lenacapavir e quebra de monopólio
Foto: Divulgação/
Médicos Sem Fronteiras, ABIA, UNAIDS e organizações denunciam preços abusivos e barreiras de patente
No Riocentro Convention & Event Center, na Barra Olímpica, Rio de Janeiro, acontece desde domingo (26) e encerra na sexta-feira (31), a 26ª Conferência Internacional sobre AIDS.
Durante o evento, Médicos Sem Fronteiras (MSF), a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA), o UNAIDS – Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS e outras entidades apresentam o painel “Onde está meu lenacapavir? Como quebrar monopólios e acabar com a epidemia de HIV?”.
O lenacapavir, aplicado apenas duas vezes por ano, garante proteção contínua contra o HIV. O medicamento funciona como profilaxia pré-exposição (PrEP) de longa duração – e também pode ser usado em combinação com outros antirretrovirais para quem já vive com o vírus.
Daí que as organizações de saúde defendem o acesso imediato e universal a essa tecnologia, hoje limitada pelo monopólio da farmacêutica Gilead.
O debate mostra a contradição entre avanços científicos e desigualdades no acesso.
O papel estratégico do lenacapavir e quebra de monopólio
O lenacapavir é um injetável de longa duração, aplicado apenas duas vezes por ano. Estudos clínicos mostraram eficácia próxima de 100% na prevenção ao HIV.
Além disso, o medicamento facilita a adesão e melhora a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV.
A Gilead vende o lenacapavir por cerca de US$ 28 mil por paciente/ano nos Estados Unidos. Estimativas independentes indicam custo de produção inferior a US$ 40.
O monopólio da patente impede a produção de genéricos e restringe o acesso em países de baixa e média renda.
Organizações reunidas na conferência internacional exigem que governos usem instrumentos legais internacionais para quebrar o monopólio e ampliar o acesso global.
A conferência no Rio

A conferência reúne especialistas, ativistas e representantes da sociedade civil. É organizada pela International AIDS Society (IAS), em parceria com Fiocruz, UNAIDS, OMS, Ministério da Saúde e Prefeitura do Rio.
O lema da conferência é Repensar, Reconstruir e Avançar. O formato é híbrido, com atividades presenciais e transmissão online. As inscrições estão abertas no site da IAS. A Global Village é gratuita e aberta ao público.
O seminário sobre lenacapavir
Na quinta-feira, 30 de julho, Médicos Sem Fronteiras (MSF), a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA) e parceiros realizam o painel “Onde está meu lenacapavir? Como quebrar monopólios e acabar com a epidemia de HIV?”.
A MSF organiza a mesa e apresenta sua experiência prática em países de baixa e média renda, onde o acesso ao tratamento é limitado.
A ABIA denuncia que o Brasil, mesmo tendo participado dos ensaios clínicos, foi excluído da produção de genéricos.
O UNAIDS – Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS reforça que “inovação sem acesso é injustiça”.
Para a agência, é injusto que medicamentos eficazes fiquem restritos a poucos, enquanto milhões continuam sem prevenção ou tratamento.
A pandemia continua
Em 2024, o mundo registrou 1,3 milhão de novas infecções e 630 mil mortes relacionadas à AIDS.
Milhões ainda vivem sem diagnóstico, prevenção e tratamento adequados.
Para as entidades, sem acesso universal a novas tecnologias, como o lenacapavir, não será possível encerrar a epidemia.
Serviço
Evento: 26ª Conferência Internacional sobre AIDS
Painel: Onde está meu lenacapavir? Como quebrar monopólios e acabar com a epidemia de HIV?
Data: 30 de julho de 2026
Horário: 12h às 13h
Local: Riocentro Convention & Event Center, Barra Olímpica, Rio de Janeiro.









