Uma pesquisa eleitoral me alcançou
Ilustração: IA
Por Marcelo Procopio*
respondi há pouco uma pesquisa atlas Intel via internet. apareceu, respondi.
respondi com toda minha sinceridade ideológica. muito “não”, muito “negativo”
pesquisa sobre as eleições em Minas e, pra não perder a oportunidade, sobre a corrida à presidência e senadores.

marquei Patrus Ananias em todas as questões com nomes. o mesmo para Áurea Carolina e Marilia Campos.
e quanto às questões nacionais, poucas, só marquei Lula e com ‘positivo’, e ‘ótimo ou bom’.
(((ah, fraquejei quando e se o segundo turno fosse Kalil e Cleitinho. é porque o ex-presidente do CAM viu que havia outro mundo além do uísque e a vida burguesa arrogante que levava, ao ser prefeito.
o restante, quando não Patrus, era voto nulo. um dos meus votos preferidos. embora confundam nulo com branco.
— espero que seja perdoado)))
mas aviso: cravei Ateu, dizendo não a religião. pra mim pelo menos. não tenho medo de deus. se existisse, não seria esse que pregam. até porque pregaram o cara errado na cruz. era um revolucionário. amigo de Che e de Ho e de Lennon, por exemplo.
como foi:
(estava no Google para ver e buscar algo e abriu-se o convite para participar: fui)
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Historinha
na minha vida de retinas fatigadas fui entrevistado em pesquisas mais duas vezes.
a 1ª em 1994, segundo turno pra governador. Eduardo Azeredo x Helio Costa.
era um sábado, ou teria sido domingo?, porque o dia anterior tinha sido sábado?
— vou deixar está questão para Vinícius e o seu Dia da Criação.
— porque se “hoje é sábado, amanhã é domingo”
saía de um banco fechado, porque o cartão já fazia a mágica de transformar toques em teclas em dinheiro.
uma pesquisadora me convidou.
como gostam de dizer os portugueses, assenti.
perguntou de cara: Eduardo ou Helio.
respondi de cara: nulo.
não gostando, a moça com prancheta na mão, diz: por que nulo? por que não Azeredo? (ou Costa, não lembro, mas foi um só). assim, no direto, quis me dar o nome que carregava no bolso. coisa dela ou da pesquisa? eu sei, você sabe.
insistiu e fiz uma argumentação filosófica a favor do voto nulo. ela marcou lá no papel. esperei pra confirmar onde fez um x ou ✓.
A outra, saía de um supermercado. a moça me parou. tinha alguns meses de posse deste ser inominável, não, abominável, dou o nome, Zema, tinha virado gov. e o Jair tb.
escrachei os dois, com toda volúpia que tinha no sangue, nos olhos, no cérebro.
ela ainda quis saber se não tinha nada de positivo ou regular. foi outra com nome no bolso. repeti o NÃO. um bem grande. e me despedi.
*Marcelo Procopio é jornalista, editor de O Cometa









