Câmara aprova, em segundo turno, projeto para construção das primeiras 80 residências populares em Itabira na gestão de Marco Antônio Lage
Foto: Divulgação/ Ministério da Cidade
Vereadores autorizam doação de terrenos à Caixa; moradores do bairro Pedras do Vale I pedem melhorias como medidas compensatórias
Com apenas um voto contrário, do vereador Cidnei “Didi do Caldo de Cana” Camilo Rabelo (PL), a Câmara Municipal de Itabira aprovou em segunda e definitiva votação o Projeto de Lei nº 45/2026, de autoria do prefeito Marco Antônio Lage (PSB).
A proposta autoriza o Executivo a doar terrenos ao Fundo de Arrendamento Residencial, gerido pela Caixa Econômica Federal, para a construção das primeiras 80 casas populares da atual gestão.
De acordo com o projeto aprovado, as residências populares serão construídas nos bairros Pedras do Valle I, com quatro blocos e 32 unidades, Pedras do Valle II, com cinco blocos e 40 unidades, e Fazenda do Lago, com um bloco e oito unidades.
O prefeito Marco Antônio Lage já adiantou à reportagem deste site que este é apenas o início de um projeto mais amplo.
Segundo ele, outros terrenos devem ser destinados à construção de mais 300 residências populares, com a promessa de ampliar o alcance da política habitacional, para reduzir o déficit histórico de mais de 2 mil moradias em Itabira.
O voto contrário e a justificativa
Em seu discurso, o vereador Didi do Caldo de Cana disse não ser contra a construção de casas populares, mas criticou o modelo apresentado pelo programa Minha Casa, Minha Vida, do Governo Federal, assim como a localização escolhida para as novas residências.
O vereador bolsonarista, que invariavelmente se apresenta trajando terno e gravata verde e amarelo, reafirmou sua posição contrária ao projeto aprovado. “Quero casas sim, mas com planejamento e respeito ao dinheiro público.”
A posição de Didi, no entanto, não pode ser dissociada do contexto político mais amplo.
Em Itabira, assim como no cenário nacional, a polarização política já se manifesta de forma clara, com o prefeito Marco Antônio apoiando a reeleição de Lula, enquanto Didi apoia a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro, seu correligionário no PL, à Presidência da República Federativa do Brasil.
O voto contrário, portanto, ainda que não tenha sido explicitado nesses termos, reflete não apenas divergências sobre o modelo habitacional, mas também a disputa política que vive o país e se reproduz no plano local, dentro das regras democráticas, como deve ser sempre.
Sonho da casa própria e apoio da maioria
A maioria dos vereadores reforçou o caráter social do projeto. Ronaldo “Capoeira” Meireles de Sena (PRD) destacou que “é doloroso ver famílias pagando aluguel com um salário mínimo, muitas vezes comprometendo toda a renda”.
Para ele, as 80 novas residências representam a chance de realizar o sonho da casa própria para famílias que vivem em condições precárias. “É um projeto necessário, que ajuda a realizar o sonho dessas pessoas de sair do aluguel”, afirmou.
Também o vereador Heraldo Noronha Rodrigues (Republicanos) voltou a se manifestar favorável ao projeto, lembrando que moradia é sinônimo de dignidade e segurança.
“É oportunidade de ter um lar para criar os filhos. O constrangimento de mudar de casa por não conseguir pagar aluguel é muito grande. Essas moradias vão fazer diferença para quem mais precisa”, disse.
Para ele, as 80 residências populares ainda são poucas diante da demanda, mas representam um passo importante.
Reação dos moradores e medidas compensatórias
Moradores do bairro Pedras do Valle I manifestaram inicialmente resistência ao projeto, espalhando outdoors contra a iniciativa, sob a alegação de desvalorização dos seus imóveis adquiridos anteriormente ao projeto de unidades populares.
Com o projeto aprovado, eles agora reivindicam melhorias estruturais para os bairros que abrigarão essas novas residências populares, com investimentos voltados para o lazer, iluminação, transporte e segurança.
Os vereadores reconheceram a necessidade de atender às demandas dos atuais moradores, mas ressaltaram que o direito à moradia não pode ser negado.









