AtlasIntel mostra Lula à frente e queda de Flávio Bolsonaro após escândalo banco Master/Dark Horse
Fotos: Ricardo Stuckert/PR Vinicius Torres/Câmara dos Deputados
Pesquisa divulgada pela Folha de S.Paulo indica que o presidente ampliou vantagem para 48,9% contra 41,8% do senador; rejeição de Flávio supera a de Lula pela primeira vez
A pesquisa AtlasIntel realizada entre 13 e 18 de maio de 2026, divulgada nesta terça-feira (19) pela Folha de S.Paulo, mostra que Lula tem 48,9% das intenções de voto no segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro caiu para 41,8%.
Na rodada anterior, a diferença entre os dois era de apenas 0,3 ponto percentual, o que evidencia uma queda significativa do senador. Brancos, nulos e indecisos somam 9,3%. A rejeição de Flávio chegou a 52%, superando numericamente a de Lula, que ficou em 50,6%. Em abril, os índices eram inversos: 51% rejeitavam Lula e 49,8% rejeitavam Flávio.
A pesquisa ouviu 5.032 pessoas pelo método Atlas RDR. Está registrada no TSE sob nº BR‑06939/2026, tem nível de confiança de 95% e margem de erro de 1 ponto percentual.
O levantamento também mostrou melhora na percepção sobre o governo Lula. A avaliação negativa caiu de 51% em abril para 48,4%.
Já a avaliação positiva manteve estabilidade em 42,9%, enquanto a regular subiu de 7% para 8,7%. A desaprovação ao presidente recuou de 53% para 51,3%, e a aprovação permaneceu em torno de 47,4%.
Relações perigosas
A queda de Flávio ocorre após a revelação feita pelo The Intercept Brasil em 13 de maio, mostrando que o senador negociava com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, o financiamento de cerca de R$ 134 milhões para o filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado e preso por tentativa de golpe de Estado.
Ao ser questionado por um repórter do Intercept sobre o caso, Flávio reagiu de forma ríspida, negando o pedido de repasse de parcelas atrasadas do financiamento. “Não vou dar entrevista para publicação de esquerda, não reconheço esse tipo de jornalismo”, disse, escamoteando a pergunta e evitando responder diretamente sobre o contrato.
Inicialmente, Flávio negou qualquer participação, ainda sem saber que sua conversa com Vorcaro veio a público com o áudio em que pedia “uma luz” ao banqueiro, confirmando a negociação. Ao ser desmentido com a revelação do áudio nas redes sociais, alegou que havia cláusula de sigilo no contrato com Vorcaro.
O financiamento e os intermediários
Segundo o Intercept, Vorcaro teria repassado US$ 10,6 milhões (cerca de R$ 61 milhões) entre fevereiro e maio de 2025, parte de um total prometido de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões).
As tratativas envolveram Eduardo Bolsonaro e Mário Frias, ambos do PL, como articuladores culturais do projeto. Vorcaro foi preso no dia seguinte à publicação, acusado de fraudes bilionárias que causaram prejuízo de R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito.
Após a divulgação do áudio, Flávio admitiu ter solicitado recursos, alegando tratar-se de “patrocínio privado para um filme privado”.
A mudança de discurso, somada à prisão de Vorcaro, ampliou a percepção de proximidade entre o clã Bolsonaro e o setor financeiro investigado.
A repercussão foi imediata: aliados se distanciaram e a base bolsonarista passou a enfrentar divisões internas sobre o futuro da candidatura.
Viés de queda
A situação de Flávio pode se agravar ainda mais. É que a proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro à PF e à PGR inclui anexos com documentos e provas que, segundo fontes, mencionam políticos ligados ao PL e ao centrão.
Embora o conteúdo siga sob sigilo e não haja homologação pelo STF, a simples possibilidade de que o senador esteja citado já pressiona sua campanha e aumenta o risco de novas revelações.
É assim que o desgaste político de Flávio Bolsonaro não se limita ao escândalo do filme Dark Horse. Caso a delação de Vorcaro seja homologada e traga detalhes comprometedores, o senador poderá enfrentar não apenas rejeição crescente nas pesquisas, mas também implicações jurídicas e maior isolamento dentro de sua própria base bolsonarista, ainda que continue ungido pelo pai.
O episódio reforça a percepção de relações perigosas entre o clã Bolsonaro e setores financeiros investigados. E está colocando em xeque a viabilidade de sua candidatura presidencial em 2026. A conferir se esse viés de queda é confirmado nas próximas pesquisas – e sobretudo, nas urnas.









