Série 5 P’s – Prosperidade: Como a inovação e a economia criativa vão redefinir a riqueza de Itabira
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Frederico Martins Quintão*
Durante muito tempo, o mundo confundiu “prosperidade” com o simples acúmulo de capital. Se uma cidade gerava muito dinheiro, mesmo que às custas da saúde das pessoas ou da destruição do seu solo, ela era considerada próspera. A Agenda 2030, no entanto, elevou o sarrafo civilizatório ao apresentar o terceiro dos seus 5 P’s: a Prosperidade.
O conceito agora é muito mais sofisticado e desafiador. A ONU define prosperidade como a garantia de que “todos os seres humanos possam desfrutar de vidas prósperas e plenas, e que o progresso econômico, social e tecnológico ocorra em harmonia com a natureza”.
Em outras palavras, não existe cidade rica se a sua população adoece física, mental ou financeiramente.
A Nova Matriz: Do recurso finito ao recurso infinito

Para um município signatário do pacto Meu Município pelos ODS, como Itabira, falar de prosperidade é falar de transição econômica. Os ODS 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico) e 9 (Indústria, Inovação e Infraestrutura) são o mapa dessa jornada.
Nós estamos vivendo a transição de uma economia baseada na extração de recursos finitos para uma economia baseada no recurso mais inesgotável do mundo: a criatividade humana.
Quando desenhamos e devemos implementar o o Distrito Criativo em nossa cidade, estamos plantando as sementes dessa nova matriz. A prosperidade do futuro próximo virá de startups de tecnologia, do turismo, da cultura, do design e de negócios sustentáveis.
Como vimos nas tendências globais de inovação, o foco é construir uma economia centrada nas pessoas (human-centric), onde a tecnologia serve para criar conexões reais e solucionar problemas urbanos.
O ODS 18 e o combate ao abismo econômico
No entanto, o progresso tecnológico tem um risco: ele pode aumentar o abismo entre quem tem acesso à inovação e quem está à margem. É aqui que os dados de territorialização do IPEA (2026) nos chamam à realidade. A inovação não pode ser um clube fechado.
Não alcançaremos o ODS 10 (Redução das Desigualdades) sem aplicarmos a força da iniciativa brasileira do ODS 18 (Igualdade Étnico-Racial) no coração da nossa economia.
Prosperidade real significa fomentar o empreendedorismo negro e periférico. Significa garantir igualdade salarial, acesso a crédito para pequenos negócios nos bairros e liderança diversa nas mesas onde as decisões de investimento são tomadas.
Se o Distrito Criativo e o desenvolvimento tecnológico não incluírem toda a diversidade de Itabira, estaremos apenas modernizando a desigualdade.
Cidades Inteligentes são Cidades Humanas
Tudo isso culmina no ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis). A verdadeira riqueza de um território é medida pela sua mobilidade urbana, pela segurança das suas ruas, pelo acesso à cultura e pelos espaços públicos vibrantes onde a comunidade se encontra.
Prosperidade é poder viver a cidade, e não apenas sobreviver nela.
A nossa pauta econômica nas Conferências Livres
Enquanto o Brasil se mobiliza para a 1ª Conferência Nacional dos ODS, as Conferências Livres nos territórios são o espaço onde devemos debater a nossa economia.
O que os pequenos e médios empreendedores de Itabira precisam para inovar? Como a prefeitura e a iniciativa privada podem investir juntos em capacitação tecnológica para os nossos jovens?
A prosperidade que queremos não virá pronta de fora; ela será construída pelo talento local, pela nossa capacidade de articulação em rede e pela coragem de inovar.
No próximo artigo, falaremos sobre a argamassa que sustenta tudo isso, abordando o princípio da Paz, Justiça e Instituições Eficazes.
*Frederico Martins Quintão é coordenador geral do Movimento Nacional ODS MG.








