Hantavírus em navio não deve causar pânico, tranquiliza especialista
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Hantavírus causa morte de três pessoas em cruzeiro holandês
A suspeita de um surto de hantavírus em um navio de cruzeiro holandês, no Atlântico, que resultou na morte de três pessoas, acendeu um alerta global sobre a doença.
Apesar da gravidade dos casos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) avalia que o risco de propagação é baixo.
A professora e coordenadora do curso de Biomedicina da Estácio, Alice Del Colletto, explica que a doença está associada principalmente ao contato com roedores silvestres infectados.
Segundo ela, a hantavirose é causada por vírus pertencentes à família Hantaviridae, conhecidos há décadas e distribuídos em diversas regiões do mundo, incluindo o Brasil.

“Diferente de vírus respiratórios clássicos, sua transmissão ocorre principalmente pelo contato com partículas virais presentes na urina, fezes ou saliva de roedores silvestres infectados. A infecção humana acontece, na maioria das vezes, pela inalação de aerossóis contaminados, situação que pode ocorrer em ambientes fechados ou com pouca ventilação, como compartimentos de embarcações”, informa a especialista.
Os sintomas iniciais podem dificultar a identificação da doença, já que se assemelham a uma gripe comum.
“Os sintomas costumam ser inespecíficos, incluindo febre, dor muscular, fadiga e dor de cabeça, o que pode dificultar o diagnóstico precoce. Em alguns casos, a doença pode evoluir para formas mais graves, como a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, caracterizada por comprometimento respiratório importante e risco de óbito”, destaca a professora.
Em locais como navios, a preocupação tende a ser maior devido às condições ambientais.
De acordo com a especialista, onde há circulação restrita de ar e convivência próxima entre pessoas, a preocupação aumenta, especialmente se houver presença de roedores ou condições inadequadas de higiene.
“No entanto, a hantavirose não é transmitida de pessoa para pessoa na maioria dos casos, o que reduz significativamente o potencial de disseminação em larga escala”, tranquiliza.
Do ponto de vista epidemiológico, o cenário não indica risco de pandemia, mas reforça a importância da prevenção e da vigilância sanitária.
“Medidas como controle de roedores, higiene adequada, ventilação de ambientes e armazenamento correto de alimentos são fundamentais para evitar a contaminação. O caso também evidencia a necessidade de atenção contínua às zoonoses, doenças transmitidas de animais para humanos, que, embora menos frequentes, podem ter impactos relevantes quando não controladas”, conclui.









