André Viana volta a alertar para risco de retrocessos políticos com as eleições em pronunciamento no Parque de Exposições de Itabira
Fotos: Divulgação/ Ascom Metabase
Presidente do sindicato Metabase cita conteúdo do boletim O Manifesto, critica Congresso e convoca trabalhadores ao voto consciente
Carlos Cruz
Na noite dessa quinta-feira (30), véspera do Dia do Trabalhador, o Parque de Exposições Virgílio Gazire, em Itabira, recebeu milhares de pessoas para o primeiro grande show da Semana do Trabalhador 2026, com o cantor Ferrugem, uma realização do Sindicato Metabase de Itabira e Região.
A noite foi também marcada por fé e política, com bênçãos e orações conduzidas por pastores e dirigentes religiosos, que destacaram o trabalho como dádiva divina e defenderam direitos como remuneração justa, descanso e proteção social.
Um dos pastores afirmou: “O voto do trabalhador é também um ato de fé. Não podemos separar a defesa dos direitos da nossa consciência cristã.” Outro reforçou: “Direitos trabalhistas são dádiva divina. Defender remuneração justa e descanso é também defender a dignidade humana.”
Em seguida, o presidente do Sindicato Metabase, André Viana Madeira, voltou a se manifestar publicamente, alertando para o risco de retrocessos nos direitos trabalhistas e convocando os trabalhadores para que votem consciente. “Não podemos aceitar retrocessos. O trabalhador precisa votar em quem defende seus direitos, não em quem os ataca.”

Críticas ao Congresso
O pronunciamento de André Viana reforçou críticas ao Congresso e sinalizou uma mudança de posicionamento de parte do segmento evangélico, historicamente alinhado à direita.
André citou o boletim O Manifesto, distribuído horas antes em locais de grande fluxo de trabalhadores, com tiragem de 15 mil exemplares.
E repetiu seus principais pontos, como a defesa do fim da escala 6×1, o exemplo da Argentina como alerta contra a precarização do trabalho e de seus direitos, além da necessidade de resistir a retrocessos políticos.
“Temos direito a descanso digno como condição para saúde, lazer e convivência familiar. Não podemos aceitar a escala 6×1, que não dá ao trabalhador plenas condições de descanso e convivência social e familiar”, criticou.
Sem citar nomes de pré-candidatos, reforçou que 2026 é um ano decisivo para a manutenção e ampliação dos direitos trabalhistas. “É hora de consciência, união e luta, com voto consciente em quem defende nossos direitos.”
Viana criticou duramente o Congresso Nacional, acusando parlamentares de aprovarem medidas contrárias ao povo e de nunca terem trabalhado com carteira assinada, pelo menos a grande maioria.
“É fundamental que o trabalhador avalie propostas e projetos, considerando aqueles que dialogam com seus interesses.”
Denunciou ainda a pejotização, terceirização e uberização. “Esses modelos fragilizam o trabalhador, retiram direitos básicos como adicional noturno, insalubridade e proteção em casos de acidente ou aposentadoria.”
Fé, política e o eleitor evangélico

O entrelaçamento entre louvação e discurso sindical mostra como o segmento evangélico, historicamente bolsonarista, começa a se reposicionar.
André Viana, evangélico que já apoiou Jair Bolsonaro, hoje se aproxima da esquerda, com o sindicato filiado à CUT. Sua nova postura reflete uma possível migração de parte desse eleitorado, que passa a distinguir quem defende e quem ataca os direitos trabalhistas – e do povo brasileiro.
Esse movimento ganha ainda mais relevância diante da recente rejeição, pelo Senado, da indicação do evangélico Jorge Rodrigo Araújo Messias, atual advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal. Foi a primeira vez em 132 anos que uma indicação presidencial ao STF foi barrada, com 42 votos contrários e 34 favoráveis.
A derrota, considerada histórica pela imprensa e por políticos de direita, expôs novas fissuras que podem surgir entre o Congresso e o segmento evangélico mais progressista.
A indicação de Messias por Lula buscava justamente atender a demandas desse grupo religioso, mas acabou ampliando o descontentamento.
O episódio reforça a percepção de que parte do eleitorado evangélico pode estar em processo de reposicionamento político, abrindo espaço para novas lideranças que articulam fé e defesa dos direitos trabalhistas.
PL da Dosimetria
Na mesma conjuntura, a derrubada pelo Congresso do veto presidencial ao PL da Dosimetria reforça a percepção de que o Legislativo atua contra a democracia e os interesses populares.
A medida, chamada de “anistia light”, altera o cálculo das penas e pode beneficiar diretamente Jair Bolsonaro e outros condenados por crimes contra a democracia.
Embora André não tenha citado esses episódios, suas críticas ao Congresso deixam claro o alinhamento com pautas progressistas, que, em última instância, beneficiam a reeleição de Lula.
Com a Semana do Trabalhador ainda em curso, mesmo após o acidente com feridos leves na área VIP, destinada a trabalhadores filiados ao sindicato e seus familiares, os pronunciamentos demonstraram que parte dos políticos, pastores e sindicalistas evangélicos começam a migrar para pautas defendidas pelo campo progressista.
Trata-se, sem dúvida, de um reflexo direto do momento político brasileiro, em que fé e política se cruzam, revelando novas tendências de parte significativa desse segmento eleitoral.
É assim que o entrelaçamento entre louvação e discurso sindical mostra como o segmento evangélico, historicamente bolsonarista, começa a se reposicionar.
É o caso de André Viana, evangélico que já apoiou Bolsonaro e que hoje se aproxima da esquerda, com o sindicato filiado à CUT.
Sua postura reflete essa migração de parte desse eleitorado, que passa a distinguir quem defende e quem ataca os direitos trabalhistas.
Programação segue no Parque de Exposições
A Semana do Trabalhador 2026 continua nesta sexta-feira (1º), feriado do Dia do Trabalhador, com shows no Parque de Exposições Virgílio Gazire.
A noite será animada pelas apresentações de Guilherme & Benuto e MC Hariel, que prometem atrair grande público.
A programação se estende até sábado (2), com atividades culturais e sociais no bairro Fênix , onde ocorrerá encerramento oficial da Semana do Trabalhador 2026.
Além dos shows e atrações, o evento já arrecadou mais de 40 toneladas de alimentos não perecíveis, que serão destinados a instituições assistenciais e famílias hipossuficientes de Itabira e região.
Com isso, a Semana do Trabalhador reforça não apenas o caráter festivo e cultural, mas também o compromisso solidário do Sindicato Metabase, unindo fé, política e ação social em defesa da classe trabalhadora.










Será?