Infestação de 7% reacende alerta da dengue em Itabira e cobra responsabilidade coletiva

Agentes de combate à dengue monitoram focos e eliminam água parada durante as visitas domiciliares

Fotos: Divulgação/
Ascom/PMI

Terrenos particulares e áreas públicas precisam de limpeza imediata, com retirada de entulhos e matagal, para conter avanço do mosquito e evitar novo surto

Itabira inicia 2026 em estado de atenção. É que o último Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), realizado entre 12 e 16 de janeiro, revelou infestação de 7%. O índice coloca o município em alto risco para surtos de dengue, zika e chikungunya.

A situação neste início de ano repete o cenário de janeiro de 2025, quando o índice foi de 7,2%. O Ministério da Saúde considera índices abaixo de 1% como baixo risco, entre 1% e 3,9% como médio e acima de 4% como alto risco.

O período chuvoso e o calor intenso favorecem a proliferação do mosquito, que encontra ambiente ideal em terrenos cobertos por mato, áreas públicas com entulho, como se observa por toda a cidade – e também dentro das casas e nos quintais, com acúmulo de água parada.

Durante o levantamento, 2.233 imóveis da área urbana foram vistoriados pelos Agentes de Combate às Endemias. O resultado é preocupante: a maior parte dos criadouros está dentro das residências ou nos quintais.

São encontrados em diferentes situações, nos depósitos móveis, como vasos e pratos de plantas, bebedouros e recipientes ornamentais, que respondem por 37,7% dos focos. Recipientes plásticos, latas e garrafas somam 25,7%.

Caixas d’água e tambores, 18,8%. Pneus e lonas, 8,9%. Ralos, piscinas e vasos sanitários em desuso, 6,3%.

Risco de novo surto

Como se observa, a ausência de limpeza e de cuidados básicos por parte da população, somada à falta de uma zeladoria municipal eficaz, transforma situações simples em grandes problemas.

O descuido cotidiano, e irresponsável, alimenta a proliferação dos focos do mosquito e, como consequência, o avanço das arboviroses.

Daí que o risco de repetição do surto do ano passado é grande neste período chuvoso. Em 2025, Itabira notificou 1.175 casos de dengue, dos quais 71 foram confirmados.

Responsabilidade compartilhada
Agentes da Prefeitura realizam limpeza, com retirada de materiais descartados que acumulam água

O combate ao mosquito começa dentro de casa e nos quintais, mas também nas áreas públicas, o que exige mutirões de limpeza e capina do matagal espalhado pela cidade.

Para os moradores, medidas simples podem salvar vidas: vistoriar quintais, lavar recipientes de água de animais e plantas, manter caixas d’água vedadas e eliminar qualquer acúmulo de água que possa se transformar em criadouro.

É igualmente importante colaborar com os agentes de combate às endemias, permitindo a vistoria em residências e locais abertos.

Ações imediatas

Reservar dez minutos por semana para eliminar possíveis focos é um gesto simples e necessário, fundamental para conter o mosquito que transmite doenças graves.

Além da vacinação e das visitas domiciliares, o município precisa intensificar os mutirões de limpeza pela Itaurb em parceria com outras secretarias, com ações em pontos estratégicos como borracharias e ferros-velhos.

O uso de drones já mapeia cerca de 1.800 hectares, ampliando a precisão do planejamento epidemiológico. Levantamentos como o LIRAa orientam as ações prioritárias, enquanto a Vigilância Epidemiológica mantém o monitoramento de casos suspeitos e confirmados.

O alerta está dado. A responsabilidade é de todos, da população e do poder público. Sem ação conjunta, Itabira corre o risco de enfrentar novamente um surto de dengue em pleno período chuvoso, com consequências ainda mais graves para a saúde coletiva.

Vacinação em andamento

A campanha de vacinação contra a dengue em Itabira está em curso e representa uma das principais estratégias para conter o avanço da doença.

Nesse início de imunização, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) disponibilizada a vacina Qdenga para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária definida pelo Ministério da Saúde por concentrar maior número de hospitalizações nos últimos anos.

A imunização ocorre na Policlínica e em todas as Unidades Básicas de Saúde, com exceção da UBS do bairro Eldorado, sempre das 8h às 16h.

O esquema vacinal é composto por duas doses, aplicadas com intervalo de três meses. Completar o ciclo é fundamental para garantir a proteção adequada contra formas graves da doença, diminuindo a pressão sobre o sistema de saúde.

Segundo a SMS, cerca de 7 mil doses foram destinadas ao município para atender esse público-alvo. A expectativa é de ampla adesão, já que a vacina é segura, eficaz e aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A vacina é essencial contra a doença, mas só terá efeito pleno se acompanhada da mobilização da população e do poder público no combate aos criadouros.

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