Prefeitura multa Vale em R$ 445 mil por vazamento de efluentes industriais no córrego da Penha

Foto: Divulgação/
Ascom/PMI

Descarga irregular do complexo Cauê provocou maior turbidez da água, com fumaça, mau cheiro e irritação em moradores; dias depois, vestígios de finos de minério permanecem no leito, enquanto parte do esgoto da cidade ainda segue correndo a céu aberto pelo canal

A Prefeitura de Itabira, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Proteção Animal (Semapa), multou a mineradora Vale em R$ 445.510,00 por descarte irregular de efluentes no córrego da Penha. A autuação ocorreu nessa sexta-feira (5) e a ocorrência foi classificada como infração grave, com base no Decreto Municipal nº 3.202/2020, código MA-11, que regulamenta a Lei Municipal do Meio Ambiente nº 5.186/2019.

A multa ocorreu após técnicos da Semapa constatarem, na manhã de quinta-feira (4), que efluentes gerados na lavagem de minério no Complexo Cauê estavam sendo direcionados de forma indevida para o canal do córrego da Penha, que tem início na Avenida Carlos Drummond de Andrade, no bairro Penha – e se estende até o bairro Praia.

Fumaça, odor químico e irritação em moradores

Após o vazamento, no local a equipe identificou maior turbidez da água com fumaça saindo do canal, odor químico intenso que causava irritação no nariz, olhos e garganta de pedestres e trabalhadores do entorno.

Os mesmos resíduos também foram encontrados na área operacional da empresa.

Segundo a Semapa, a intervenção identificada causou poluição, danos ao meio ambiente e aos recursos hídricos, além de riscos à saúde, à segurança e ao bem-estar da população.

Vestígios de minério e esgoto no canal
Vestígios do lançamento de efluentes industriais ainda permanecem neste sábado (6) no canal, já no bairro Praia, com vestígios de finos de minério em seu leito (Foto: Carlos Cruz)

Dias após o episódio, ainda persistem vestígios de finos de minério no leito do córrego da Penha.

Embora o vazamento parece ter sido contido na área industrial da mineradora, a situação voltou ao padrão anterior, com sinais de esgoto doméstico correndo a céu aberto pelo canal até o bairro Praia, seguindo sem tratamento para o rio do Peixe, que deságua no Piracicaba e, posteriormente, no rio Doce.

Dupla negligência exposta
No bairro Gabiroba, o esgoto doméstico segue sendo despejado diretamente no rio do Peixe, sem interceptores que o conduzam à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Laboreaux e sem canalização (Foto: Carlos Cruz)

O ocorrido serviu para chamar atenção também para um problema ambiental urbano que se arrasta há décadas em Itabira: o lançamento de parte ainda significativa de efluentes domésticos diretamente no canal, sem serem direcionados para os interceptores que levam ao tratamento na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Laboreaux.

O episódio reforça que não basta autuar a Vale por infrações ambientais. É preciso também que o poder público municipal assuma sua responsabilidade em conter os lançamentos indevidos de efluentes domésticos.

A recorrência de episódios como esse mostra que a degradação ambiental em Itabira não é apenas fruto da atividade minerária, mas também da falta de investimentos estruturais em saneamento e drenagem urbana.

Enquanto a mineradora responde por poluição industrial, a Prefeitura precisa enfrentar o desafio de eliminar, em outros pontos da cidade — inclusive no canal do bairro Gabiroba — o esgoto a céu aberto que compromete a qualidade da água e a saúde da população.

A ocorrência no córrego da Penha expõe uma dupla negligência: de um lado, a Vale, que descartou efluentes sem tratamento adequado; de outro, o município, que permite que o canal continue recebendo esgoto doméstico sem solução definitiva de tratamento na ETE Laboreaux.

O episódio serve como alerta para a necessidade urgente de políticas integradas de fiscalização, saneamento e reabilitação ambiental, sob pena de perpetuar um modelo de cidade marcada pela poluição e pela vulnerabilidade social.

Espaço aberto para manifestação da Vale

Este espaço permanece aberto para que a empresa esclareça o que continha o efluente descartado, que provocou turbidez da água, fumaça, forte odor e irritação em moradores.

Espera-se que informe quais produtos químicos estavam presentes nesse lançamento indevido no canal do córrego da Penha e as ações que foram tomadas internamente para que esse lançamento não volte a repetir.

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