Morre Brigitte Bardot aos 91 anos, ícone do cinema e pioneira na defesa dos animais e da natureza

Foto: Eric Ferferberg/AFP/
Reprodução/Facebook

A eterna musa do cinema francês morreu nessa segunda-feira (28), em sua casa no sul da França

A notícia de sua morte encerra um ciclo de vida de uma das figuras mais revolucionárias e polêmicas da cultura do século XX, cuja trajetória se dividiu entre o estrelato cinematográfico e o ativismo apaixonado pela causa animal.

Antes de reinventar o cinema francês, Bardot explodiu para o mundo em 1956 com E Deus Criou a Mulher, de Roger Vadim, filme que não apenas a consagrou como símbolo sexual internacional, mas também redefiniu o papel da mulher no cinema europeu.

Sua beleza escultural, natural e sem artifícios, tornou-se referência de uma feminilidade livre e despojada, contrastando com padrões rígidos da época.

Nos anos 1960, Bardot era mais do que uma atriz, tornando-se um fenômeno cultural, comparável a Marilyn Monroe, mas com uma aura francesa de irreverência e independência.

Filmes como O Desprezo (1963), de Jean-Luc Godard, consolidaram sua imagem como ícone da Nouvelle Vague e do cinema mundial.

Saída prematura das telas

Em 1973, aos 39 anos, Bardot anunciou sua retirada definitiva do cinema. Uma decisão precoce, que chocou fãs e críticos, mas que refletia sua recusa em se submeter às pressões da indústria cultural e ao culto da eterna juventude.

Diferente de tantas estrelas que buscaram prolongar artificialmente sua imagem, Bardot envelheceu sem concessões, mantendo-se fiel à sua autenticidade.

Essa escolha, vista por muitos como radical, reforçou sua aura de mulher livre, que não se deixava aprisionar por expectativas externas.

Defensora dos animais e da natureza

Após abandonar as câmeras, Bardot dedicou-se integralmente à causa animal. Criou a Fondation Brigitte Bardot, que se tornou uma das mais influentes organizações de proteção animal no mundo.

Lutou contra touradas, caça às focas, tráfico de animais e maus-tratos em geral, tornando-se uma das primeiras celebridades a usar sua fama em prol da natureza.

Seu ativismo, no entanto, veio acompanhado de perseguições e polêmicas. Bardot foi condenada diversas vezes por incitação ao ódio racial, especialmente por declarações contra muçulmanos e imigrantes.

Essa faceta controversa marcou seus últimos anos de vida pública, dividindo opiniões sobre sua figura demasiadamente humana.

Maternidade

Se no cinema e no ativismo Bardot foi intensa e apaixonada, na vida pessoal sua relação com a maternidade foi marcada por negação e distância.

Ela nunca escondeu que não tinha vocação para ser mãe, mantendo uma relação conturbada com seu único filho, Nicolas-Jacques Charrier, hoje com 66 anos, fruto de seu relacionamento com ator francês Jacques Charrier.

No entanto, essa postura, criticada por muitos, reforçou a imagem de uma mulher que vivia segundo suas próprias regras, mesmo quando isso significava romper com expectativas sociais.

Brigitte Bardot no Brasil: o mito de Búzios

A sua passagem em Búzios ficou registrada na lembrança dos antigos moradores e pela escultura (Foto: Reprodução/Facebook)

O Brasil ocupa um capítulo especial na história de Bardot. Nos anos 1960, ela passou temporadas em Búzios, no litoral do Rio de Janeiro, transformando uma pacata vila de pescadores em destino internacional.

Sua presença foi tão marcante que a cidade ergueu uma escultura em tamanho real em sua homenagem. E, até, hoje Bardot é lembrada como responsável por colocar Búzios no mapa turístico mundial.

Essa relação afetiva com o Brasil reforça o caráter global de sua influência, que transcendeu fronteiras e culturas.

Legado eterno

Brigitte Bardot deixa um legado ambíguo, de uma estrela que revolucionou o cinema francês, a ativista que abriu caminho para a defesa dos animais, e a mulher que viveu sem concessões, entre glórias e polêmicas.

Sua morte encerra a vida de uma figura que, mais do que atriz, foi símbolo de liberdade, beleza e contradição, demasiadamente humana.

Entre aplausos e críticas, Bardot permanece como uma das personalidades mais marcantes do século XX, uma mulher que ousou ser ela mesma, até o fim.

 

Posts Similares

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *