Lula, o embaixador brasileiro, retorna ao Brasil após fechar acordos comerciais importantes em viagem pela Ásia
Lula em sua chegada a Toquio, Japão: celebrando a venda de 15 aeronaves da Embraer para a Air Nippon Airways (ANA)
Fotos: Ricardo Stuckert/PR
Por Valdecir Diniz Oliveira*
À semelhança de Ciro, personagem do romance histórico Criação (Nova Fronteira), do escritor Gore Vidal, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assume o papel de um embaixador moderno do Brasil, desbravando novos territórios e criando oportunidades de negócios em um cenário global desafiador.
Assim como Ciro viajou além das fronteiras da Pérsia em busca de riqueza e respostas às origens do mundo, Lula atravessa fronteiras para expandir mercados e fortalecer o papel do Brasil no comércio internacional.
O contexto global em que essa viagem ocorre é marcado por uma crise no comércio mundial, agravada pela política protecionista do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
As tarifas impostas por Trump não apenas intensificaram a guerra comercial entre China e Estados Unidos, mas também criaram barreiras para países emergentes como o Brasil, que dependem de mercados abertos para exportar suas commodities.
Nesse cenário, a visita de Lula à Ásia ganha ainda mais relevância, pois demonstra uma visão estratégica de longo prazo para diversificar parceiros comerciais e reduzir a dependência de mercados tradicionais.

No Vietnã, Lula negociou a abertura do mercado para a carne brasileira, um passo significativo para os exportadores nacionais. O Vietnã, além de ser um mercado em crescimento, tem o potencial de se tornar um polo distribuidor da proteína brasileira para os países da ASEAN, um bloco econômico que reúne dez nações do sudeste asiático.
Essa estratégia não apenas amplia o alcance das exportações brasileiras, mas também fortalece a presença do Brasil em uma região que se consolida como um dos motores do crescimento econômico global.
No Japão, Lula celebrou a venda de 15 aeronaves da Embraer para a Air Nippon Airways (ANA), com a possibilidade de negociar mais cinco jatos. Esse acordo, avaliado em quase R$ 10 bilhões, é um marco para a indústria aeroespacial brasileira, que enfrenta forte concorrência internacional.
Além disso, foram assinados memorandos de cooperação em áreas como agricultura, tecnologia e saúde, reforçando a diversificação das relações bilaterais.
Lula também anunciou a intenção de trabalhar por um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Japão, uma iniciativa que pode abrir novas oportunidades para as commodities brasileiras e outros setores estratégicos.
A visão estratégica de Lula ao buscar novos mercados para as commodities brasileiras é essencial em um momento em que o protecionismo ameaça o comércio global.
Ao diversificar os parceiros comerciais e fortalecer as relações com países asiáticos, o Brasil não apenas reduz sua vulnerabilidade a crises externas, mas também se posiciona como um ator relevante no cenário internacional.
Essa viagem também destaca o papel de Lula como um líder que entende a importância do diálogo e da cooperação em tempos de incerteza.
Assim como Ciro, em Criação, buscava novas rotas comerciais e respostas para questões fundamentais, Lula desbrava caminhos para o Brasil, levando consigo a promessa de um futuro mais integrado e próspero no comércio global.
*Valdecir Diniz Oliveira é cientista político, jornalista e historiador
Fontes: CNN Brasil/Agência Brasil